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OS RECADOS DAS ELEIÇÕES DE 2020 - 17.11.2020


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por Paulo Rabello

 

O PÊNDULO – As eleições municipais de 2020 trouxeram o País de volta ao centro político, com todos os defeitos de mesmice que esse “centrismo” possa trazer consigo. No biênio eleitoral anterior (2018), o vencedor havia sido o radicalismo, com o expurgo generalizado de nomes da “velha políica”. O eleitorado radicalizou, por assim dizer. Nesta eleição, o eleitor preferiu juntar os cacos da explosão de 2018, mas sem retornar a qualquer dos extremos de 2018: nem bolsonarismo, nem petismo. Bolsonaro perdeu feio, mas Lula desapareceu. Venceu o “centrismo” pragmático, na busca de gestão com alguma eficácia. Ou, pelo menos, uma gestão sem sustos.

VENCEDORES – Alguns destaques institucionais positivos: a urna eletrônica, a Justiça eleitoral e o civismo do eleitor. Costumamos destacar para criticar mas, no caso, o destaque positivo surge no confronto do sistema de apuração brasileiro com o arcaísmo e insegurança da apuração americana. O eleitor brasileiro se mostrou, mais uma vez, um campeão da esperança. Manteve um coeficiente de presença relativamente elevado, de 77% (abstenção nacional de 23%, mesmo diante da situação de pandemia). A abstenção poderia ter disparado. Mas, dentro da cabine de votação, a elevada percentagem de votos brancos e nulos falou claro sobre o que o eleitor pensa do painel dos candidatos. No Rio, não por acaso a capital mais decadente do País, o coeficiente de “protesto” chegou a 52% do eleitorado, entre abstenções (32,8%), votos em branco (6,5%) e nulos (12,7%).

RECADO DAS URNAS – Menos palavrório e mais entrega, mais atuação e presença, esse é o recado que fica da rodada 2020. Onde a gestão da cidade mostrou essa “política de resultados” (ou prometeu sua reedição, com recall de atuação anterior, caso de E. Paes, do DEM, no Rio), a resposta da urna veio positiva: em Curitiba, com Rafael Greca (DEM), em Floripa com Gean (DEM), em Salvador com Murilo Reis (leia-se ACM Neto) também DEM, Alexandre Kalil (PSD) 16/11/2020 2 em Belo Horizonte. O DEM cresceu bastante com a política de bons resultados. Mas o PSD, nascido da costela do DEM, também obteve semelhantes vitórias em cidades espalhadas pelo Brasil, com especial foco em Minas Gerais e no Paraná, onde desponta um importante, mas discreto, vencedor: o governador Carlos Massa (Ratinho Jr.)

O DIA SEGUINTE – O Jair Bolsonaro edição 2018 está desgastado e será inoperante em 2022. Para Bolsonaro, o nome da sobrevivência é Reforma ministerial, atraindo forças ligadas ao centrismo vitorioso em 2020 e assim tentando melhorar a qualidade e efetividade de suas entregas como gestor. A gestão voltada para resultados favorece agora nomes como Ratinho Jr., ACM Neto, Kalil. São nomes centristas, à direita. Mas se afirmam, silenciosamente, novas lideranças centristas à esquerda, todos com currículo de boa gestão, como Rui Costa (PT) na Bahia, Camilo Santana (PT) no Ceará e Paulo Câmara (PSB) em Pernambuco.

RESULTADO BOM PARA 2021 – O retorno ao centrismo na última eleição favorece a reorganização do Governo Federal, reforçando a necessidade das reformas estruturais, que hoje ainda são mais defendidas pelo Congresso Nacional do que pelo Poder Executivo. O cenário se tornou mais racional de um dia para o outro, contribuindo para uma maior expectativa de crescimento econômico em 2021.