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POLÍTICA E SOCIEDADE - A nova censura é privada - 29.06.20


Artigo do Pensador PauloMoura

 

O cientista político Paulo G. M. de Moura disseca as múltiplas faces da censura digital que tomaram conta do território antes dominado pela mídia tradicional e mão pesada do estado totalitário

Na Roma Antiga, censurar era função de um detentor de cargo público. Sendo assim, o censor era um oficial responsável por garantir a “moralidade pública” e fiscalizar as finanças governamentais. A função de “garantia da moralidade” é a origem do sentido das palavras “censor” e “censura”.

Os termos se aplicam ao controle sobre meios informativos. Na interpretação tradicional do latim, censura seria a desaprovação e a remoção da circulação pública de informação ou de produções artísticas com objetivo de proteção dos interesses do Estado, de uma organização, grupo ou indivíduo. A censura presta-se à manutenção de status quo vigente, de modo a evitar mudanças no pensamento dominante que sustenta o poder de um determinado grupo social, prevenindo a disposição de mudança de estruturas de poder ou de padrões de comportamento social que sustentam esse poder. 

Numa acepção mais ampla do que aquela aplicada à censura praticada pelo Estado, podemos encontrar a prática associada a centros de poder e influência, tais como certos grupos de interesses (ONGS e movimentos sociais, instituições religiosas, e recentemente corporações privadas de mídia) como forma de preservar a hegemonia de grupos dominantes ou servir de instrumento para a conquista de poder ou mais influência.

 Limitar ou impedir o debate e o conflito de ideias e valores antagônicos aos dominantes na sociedade é outro método de censura praticado para além dos limites do controle do Estado. 

Como se vê, a conceito antigo de censura evoluiu de uma situação em que se associava apenas à uma prática de Estado visando preservar o poder dominante, para um conceito mais amplo e sofisticado que implica em práticas associadas a diversos grupos sociais como instrumento de luta por hegemonia cultural, que é o que sustenta o poder de fato sobre as sociedades. 

A era digital proporcionou um novo ciclo evolutivo na forma como se pratica a censura. O bullying politicamente correto sobre as opiniões divergentes em círculos sociais de convivência e na mídia, por exemplo, está entre as novas formas de censura.

A Internet e os métodos da “Nova Censura”

A relativização da verdade e a invenção de uma suposta “pós-verdade”, um conceito inventado pela esquerda pós-frankfurtiana, segundo o qual as versões convertem-se em “fatos” como narrativas que se sobrepõem à verdade sobre a realidade concreta, é o “estado da arte” da prática contemporânea do que chamo de “nova censura”.

Essa é uma prática predominantemente associada a grupos sociais e políticos e, hoje também, ao controle que as novas corporações monopolistas globais das mídias digitais (Facebook, Instagram, Twitter, Google, YouTube) exercem sobre os conteúdos veiculados em seus ambientes de comunicação. 

Os departamentos de controle de conteúdo dessas corporações são dominados por censores – controladores da moral na acepção que se empregava na Roma Antiga -, mas seus critérios obedecem a uma determinada moral segundo a qual a divergência recebe o carimbo do “politicamente incorreto” e portanto, em desacordo com as “regras da comunidade”(?!), e portanto, passíveis de serem retiradas de circulação ou de receberem cadeados de restrição de acesso.

Chegamos assim ao que interessa: os métodos da nova censura. A internet nasceu como território livre. A transferência de poder do Estado para as mãos de indivíduos e grupos sociais que se converteram de receptores passivos da mídia analógica, padronizadora e uniformizadora de massas, em produtores e recriadores ativos, atomizados e conectados em redes de sociais reais, de conteúdos desestruturadores de narrativas hegemônicas, abalou não apenas a superestrutura ideológica (perdão pela heresia), mas também da infraestrutura do(s) poder(es) constituído(s) e que detinham o controle das sociedades ao longo de toda a era industrial. 

O apetite pela censura das mídias digitais

Não são apenas as castas que dominam o Estado e a mídia tradicional que se sentem ameaçadas pela concorrência dos enxames de produtores de conteúdos digitais. A política tradicional tal como era praticada faliu. Os partidos políticos e sindicatos perderam a hegemonia sobre as massas e seus líderes estão sendo desnudados e deslegitimados pela crítica viral que corrói as imoralidades antes praticadas nos bastidores do poder e hoje transbordam pelos vazamentos de conteúdos gravados, invasões de hackers e descuidos de quem não percebeu a lógica corrosiva que a liberdade e a transparência introduziram na nova realidade mediada pelo digital.

O poder político, antes monopólio do Estado e de organizações paraestatais (partidos e sindicatos), deslocou-se para uma miríade de novos polos de poder. As iniciativas de exercer controle sobre essas novas liberdades e essa nova realidade não tardou. E ela não partiu apenas do Estado, como nas políticas de controle social do Partido Comunista Chinês. 

No mundo livre, a iniciativa partiu, em primeiro lugar, das corporações globais monopolistas de mídias digitais, que logo perceberam no controle de conteúdo uma forma de exercer seu poder sobre o mundo por cima das soberanias dos Estados nacionais; visando não apenas o controle dos fluxos do capital real e simbólico e acumulação de riqueza, mas a oportunidade de transferir para suas mãos o poder de definição política sobre os rumos das sociedades ao arrepio da vontade dos cidadãos livres a quem caberia, desde a invenção da pólis grega, deliberar soberanamente sobre o destino coletivo das verdadeiras, estas sim, comunidades.

Ainda na transição do analógico para o digital, a Teoria da Comunicação já havia desenvolvido hipóteses explicativas sobre Agenda Setting (como a mídia pauta temas e define a agenda do debate público definindo o que pode ou não ser notícia); Newsmaking (como a informação é manufaturada e as versões sobre os fatos são decididas e construídas nas linhas de montagem “impessoais” das redações da imprensa), e, Espiral do Silêncio (como a “verdade” de uma minoria organizada pode se impor sobre a sociedade através de avalanches midiáticas de informações e versões interpretadas a partir do interesse de grupos políticos determinados).

George Soros entra em cena

O mercado de produção de conteúdos e versões sobre fatos internacionais, por exemplo, é hegemonizado por um pequeno grupo de agências internacionais de notícias que abastecem as “linhas de montagem” de praticamente todas as redações da maioria dos veículos de imprensa do planeta. O empresário metacapitalista George Soros é um notório financiador de agências de notícias que abracem as pautas da sua agenda globalista. 

Iniciativas de produção de conteúdo destinado a abastecer as agências internacionais de notícias são parte da estratégia de agendamento de pautas globalistas destinadas a inundar a imprensa mundial de “notícias” enviesadas.

Sem prejuízo dessas práticas, a lógica digital se impôs exigindo novos desafios aos detentores do poder de fato, associados ou não a governos. A emergência de uma onda conservadora em vários cantos do mundo (leste europeu, Brexit, eleição de Trump e Bolsonaro) em resposta às iniciativas de relativização da verdade e destruição dos valores tradicionais sobre os quais se erigiu a civilização judaico-cristã e o modo de vida ocidental exigiu o aperfeiçoamento dos métodos para além da hegemonia de esquerda sobre as redações da mídia tradicional.

Na Wikipedia, por exemplo, uma plataforma com pretensões de enciclopédia digital, fonte de pesquisa inconfiável e não reconhecida academicamente, mas que é objeto de buscas rápidas e fáceis no Google (seus links são sempre os primeiros), a esquerda ataca em duas frentes: por um lado, na produção de conteúdo; por outro, na patrulha, bloqueio e exclusão da plataforma de produtores de conteúdo divergente ou que ousem questionar as “verdades” lá postadas, com a anuência dos gestores, que certificam, legitimam e premiam notórios esquerdistas como portadores das versões que podem ser publicadas, ou como censores do conteúdo divergente, notadamente na área de humanas.

O artista conservador Rodrigo Del Arc ousou questionar a definição de democracia no verbete da Wikipedia, levantando o seguinte questionamento na página: “Para quem quer saber Demos significa distrito; um pedaço de terra e as pessoas que nele moram. Kratia em grego significa força ou poder. Portanto, fica evidente que a palavra “democracia” não pode ser traduzida por um vago “governo do povo”, pois seria uma leitura imprecisa.” 

Detalhe, o questionamento foi feito recorrendo a outras informações da própria Wikipedia, dentre outras fontes. Resultado: seu conteúdo foi excluído em cinco minutos na página brasileira e em cerca de duas horas na página em inglês. Em seguida, teve seu acesso à postagem de conteúdos bloqueado.

A censura tenta reescrever a verdadeira história

A prática de apagar a memória e reescrever o passado não se restringe à Wikipedia. Se o leitor quiser pesquisar no Google a história do Regime Militar de 1964 em links históricos fidedignos, terá que mergulhar páginas e páginas a fio para encontrar fontes isentas e com credibilidade.

Praticamente todos os links das primeiras páginas de pesquisa são de páginas de conteúdo com as interpretações e versões recentes e da esquerda sobre esse período da história do Brasil. Boa parte deles alimentados por professores de esquerda em sites destinados à difusão de conteúdos para trabalhos escolares, especialmente de adolescentes.

Posicionar links entre os primeiros das páginas do Google requer sites manufaturados para serem listados em primeiro lugar nos SEO (Search Engine Optimization Mecanisms), requerendo algum grau de sofisticação e investimento financeiro por parte dos editores.

Recentemente, o advogado e professor conservador Paulo Caliendo, pesquisando sobre Churchill no Google, notou o desaparecimento da foto do ilustre Primeiro Ministro conservador britânico no período em que liderou a vitória sobre o nazismo. Ao pesquisar, encontrei matérias sobre o assunto nesse link com a seguinte informação: “A fotografia do ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill desapareceu de uma busca no Google e causou controvérsia no Reino Unido, numa altura em que os protestos contra o racismo fizeram questionar monumentos como o do histórico líder britânico.”

De acordo com o Diário de Notícias, quando se digitava “primeiros-ministros britânicos” ou “líderes mundiais na II Guerra” no Google, as fotografias dos chefes de governo britânicos não apareceram numa linha do tempo chamada Knowledge Graph. E nesse link o Google alegou bug no sistema para justificar a coincidência entre a “falha técnica” e as manifestações antirracistas ocorridas em Londres, na qual manifestantes pixaram uma das estátuas de Churchill junto ao Parlamento, com a frase “era um racista”.

Mas o controle de conteúdo-fonte de pesquisa destinado ao público escolar não se limita ao mundo digital. No Brasil, após 30 anos de governos de centro e esquerda, além dos ambientes escolar e universitário, a esquerda hegemoniza também o próprio aparelho do Ministério da Educação (MEC), notadamente na área das estruturas, metodologias e controle de conteúdo curriculares, através na chamada BNCC (Base Nacional Comum Curricular), dos Cursos de Formação de Professores e do sistema de avaliação de cursos e universidades e da hegemonia sobre o Conselho Nacional de Educação (CNE). 

Essas políticas e diretrizes foram institucionalizadas na lei e são geridas pelo CNE, que tem poderes regimentais deliberativos e cujos membros são nomeados formalmente pelo Presidente da República entre nomes indicados pelo “meio educacional” (dominado por especialistas de esquerda) para exercício de mandatos de quatro anos. 

Normas, metodologias, conteúdos curriculares, seleção e definição de livros didáticos emprenhados de conteúdos politicamente corretos e pelas pautas da agenda globalista da UNESCO, por exemplo, obedecem a regras institucionalizadas ao longo dos últimos trinta anos, as quais somente é possível mudar, mudando-se a lei e a composição do CNE, ou seja, há mais de trinta anos nada muda, só piora, inclusive na atual gestão do MEC. As razões são autoexplicativas.

Finalmente, mas não sem esgotar o tema, as últimas novidades são as agências privadas de Fact Checking (Agência Lupa, Truco da agência Pública e Aos Fatos, no Brasil, por exemplo); de Monitoramento de Robôs (Bot Sentinel), e a mais recente iniciativa, que emergiu como meteoro na cena política brasileira e mundial, a ONG Sleeping Giant. 

Todos essas inciativas operam em sinergia com os veículos de mídia tradicional e corporações globais de mídias digitais, orientados pelas pautas politicamente corretas e pela agenda globalista que ditam os critérios sobre o que é fake or true; sobre quem é ou não robô nas mídias digitais e sobre quem pode ou não ser patrocinado pelas marcas do mercado de publicidade digital, conforme os critérios definidos por esses autoproclamados “donos da verdade”. Desnecessário dizer quais as “verdades” podem ou não ser publicadas.

 

 


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PL de Fake News quer censurar você e impedir o trabalho da mídia independente - 24.06.2020


 Por Carlos Junior, publicado pelo Instituto Liberal

 

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) já mostrou sua servidão à esquerda em diversas oportunidades. Pediu o impeachment do ex-ministro Weintraub, fez coro à narrativa do acordão entre Toffoli e Bolsonaro e agora dá a maior prova possível de sua vassalagem aos esquerdistas: a dita ‘’Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet’’. Parece piada, mas não é. O sr. Vieira não possui talento nem para ser engraçado.

 

Já tratei do PL 1429/20, apresentado na Câmara por ninguém mais, ninguém menos que Tabata Amaral (PDT-SP) – que por terrível coincidência é amicíssima do senador Vieira e sua companheira em inúmeras pautas. Pululam no Congresso toda sorte de tentativas para regulamentar a internet. Em português claro: censura velada e expressa; mas uma censura seletiva, pois os alvos preferenciais são sempre a direita conservadora, os apoiadores do presidente Bolsonaro e a mídia alternativa.

 

A lei em si não faz mais do que repetir o PL da sra. Tabata Amaral. Comete os mesmos erros. O maior deles é ter no conceito de desinformação um alicerce para a sua aplicação prática. Ora, quem definirá o que é verdade ou não? Nesse caso, é apresentada uma nova jurisdição, um novo entendimento legal, e, como tal, cabe ao Estado a aplicação da lei, portanto, ele é que definirá em última instância a veracidade ou não dos conteúdos publicados na internet. Isso quer dizer o óbvio: teremos o Ministério da Verdade, o controle absoluto das informações. Se isso não é censura, eu sou o Alessandro Vieira em pessoa.

 

Em diversas ocasiões recentes, o Supremo Tribunal Federal mudou a seu bel-prazer o entendimento da lei em vários processos. Em 2016, decidiu pelo cumprimento da pena após condenação em segunda instância; no ano passado, voltou atrás. Além disso, a mais alta instância do judiciário brasileiro é conhecida por invadir competências dos outros poderes e decidir sobre questões não delegadas à sua atuação. O próprio Alessandro Vieira sabe disso. Tanto é que ele apoiou entusiasticamente a CPI da Lava Toga – iniciativa que tinha a finalidade de investigar ações e denúncias de corrupção envolvendo os ministros do STF. Quem garante ao sr. Vieira a plena execução de sua lei sem nenhum dano à liberdade de expressão? Com um STF como o ‘’nosso’’, ninguém precisa de inimigo. Nem com um senador como ele.

 

Tanto Vieira quanto quem quer que seja pode dizer o que for em defesa desta lei esdrúxula e alegar transparência para a sua aprovação. Esse papo não engana ninguém. A iniciativa é mais uma destinada a censurar os conservadores na política e na mídia independente. Ora, as agências de checagem são ligadas aos ‘’profissionais’’ da grande mídia – em especial ao Estadão. Ninguém é tolo o bastante como o sr. Vieira para não perceber o viés político esquerdista da grande mídia. Essa mesma mídia perdeu o monopólio da informação e da credibilidade com o surgimento da mídia independente, dos portais conservadores e de colunistas que apresentam o outro lado da moeda. Não parece ser muito difícil entender isso. É de seu interesse um retorno ao estado de coisas anterior à onda conservadora, que foi responsável por quebrar a hegemonia da esquerda no Brasil representada na dualidade PT-PSDB. Para isso, é necessária a censura aos portais da mídia independente.

 

Ou vocês acham mesmo que o sr. Vieira está mesmo preocupado com o combate às fake news? Se estivesse mesmo, o primeiro alvo da sua lei seria a grande mídia, essa sim a grande responsável pelas mentiras espalhadas contra determinadas pessoas e correntes políticas. Essa grande mídia escondeu por mais de duas décadas a existência do Foro de São Paulo, a entidade reunidora de chefes de Estado e partidos políticos com o claro objetivo de implementar o comunismo em solo latino-americano. Quando ficou feio esconder a existência, ela passou a desconsiderar a importância. Ora, como uma entidade que reúne políticos importantes e que emite declarações estratégicas assinadas por todos os membros é apenas um clube de debates? Segundo os palpiteiros do Globo, da Folha e tutti quanti, sim. É nessa mídia que Alessandro Vieira confia – e, claro, na prática, sabemos, ficará isenta de qualquer punição com base em sua lei.

 

Quantas mentiras a grande mídia já espalhou sobre o presidente Bolsonaro e seus apoiadores? Quantas vezes ela já foi punida por isso? Quantas vezes o sr. Vieira já levantou a voz para defender os caluniados pela grande mídia?

 

Vamos falar a verdade em bom português: Alessandro Vieira é um vassalo da esquerda brasileira que quer calar a mídia independente conservadora. Ele quer impedir o trabalho dos portais que mostram aquilo que a grande mídia esconde. Ele quer que os donos do poder não sofram nenhuma pressão popular. Ele quer censurar você.

 

A imprensa se combate com a própria imprensa, já dizia Dom Pedro II. No Segundo Reinaldo, a liberdade de expressão não era apenas uma utopia liberal, mas uma realidade plena, defendida pela lei e pelo nosso maior governante. O que diria o imperador ao conhecer um projeto de lei como o do senador Vieira?

 

Chega de paciência para com tipinhos como esse. A liberdade de expressão precisa ser garantida. A lei da mordaça do sr. Vieira precisa ser tombada o quanto antes. Os ditadores engravatados precisam saber que todo poder emana do povo e em seu nome será exercido. Não se pode tolerar isso de maneira nenhuma."

(Gazeta do Povo)


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A Pandemia e a Indústria 4.0 – Seriam os Despertadores de nossas Habilidades? - 23.06.2020


A história nos revela que três eventos trazem grandes mudanças na sociedade: guerra, revolução e epidemias. São eventos que tendem a acelerar transformações já em curso.

Este é um momento ímpar, no qual estamos vivenciando dois destes três eventos a pandemia do novo coronavírus, que nos pegou de surpresa, e a chamada quarta revolução industrial (I4.0).

 

Em um momento da história em que uma nova sociedade está sendo construída na qual, pelo menos na teoria, busca-se mais ética, mais empatia, mais respeito ao meio ambiente, aos animais, à sociedade e ao planeta, qual seria o ponto comum em que nos encontramos nesta intersecção pandemia e quarta revolução industrial?

Quem sabe a palavra que melhor traduza nossos sentimentos seja VULNERABILIDADE.

 

Em princípio, sentir-se vulnerável não é algo bom, mas pode nos trazer benefícios.

Por exemplo, uma pandemia nos faz sentir vulneráveis e tomar ações rápidas, já que temos como instinto a preservação de nossas vidas quando nos sentimos ameaçados.

 

Ao mesmo tempo, muitos de nós estamos nos sentindo vulneráveis em meio à revolução em curso da I 4.0, que tende a exigir mudanças no perfil profissional, mas por encararmos esse evento como uma "ameaça" lenta e gradual, não nos desperta o senso de urgência, o que pode ser uma armadilha para nossa tendência de postergar mudanças.

É fato conhecido que mudança não é o ponto forte da maioria dos seres humanos.

 

No Brasil, onde a I 4.0 caminha a passos lentos, a “ameaça” ainda é vista como lenta e gradual. Segundo pesquisa FIESP/SENAI de 2018, somente 30% dos entrevistados deram início ao processo da revolução 4.0, e com investimentos muito inferiores aos praticados no exterior.

No entanto, especialistas apontam que este é um caminho irreversível se a indústria brasileira quiser se manter no ranking das dez maiores do mundo.

 

Nesse sentido, podemos afirmar sem dúvida alguma que a pandemia nos retirou da zona de conforto, mas ao mesmo tempo, pode nos impulsionar a realizar as mudanças necessárias para que nas próximas décadas possamos sobreviver ao novo mercado de trabalho que se desenha.

 

Um exemplo concreto dessa mudança para a sobrevivência foi a necessidade de se implementar o trabalho remoto emergencial durante a pandemia, que tende a ter impactos irreversíveis, já que algumas organizações pretendem tornar essa prática permanente para algumas funções após a pandemia.

 

No entanto, um levantamento realizado pela VitalSmarts e publicado na rede profissional LinkedIn em 22/4 aponta que 1 em cada 5 líderes não sabe liderar suas equipes em home office.

A questão é: como encorajar os líderes a revisar seus processos internos e a compreenderem que a tecnologia é, cada vez mais, um ativo humano?

 

Segundo o estudo “Tendências de Marketing e Tecnologia de 2020: Humanidade Redefinida e os Novos Negócios” do professor André Miceli da FGV, "quanto mais a tecnologia avança, mais as características humanas tendem a sobressair.”

 

Embora os preceitos básicos da I4.0 impliquem em conectar máquinas e sistemas para a criação de redes inteligentes de produção quase totalmente autônomas, com o uso cada vez mais frequente da inteligência artificial, não há como desvincular o desenvolvimento destas tecnologias com profissionais capazes de lidar com a inovação, com novos desafios e com constante capacidade de aprendizagem.

 

Saber compreender, processar e gerenciar as emoções oriundas de ambiente tão variável será de extrema importância e é algo conhecido como Inteligência Emocional.

Segundo a Sociedade Brasileira de Coaching, a Inteligência emocional é um conceito relacionado com a chamada “inteligência social”, criada por Daniel Goleman.

 

Uma das grandes vantagens das pessoas com inteligência emocional é a capacidade de se automotivar e seguir em frente, mesmo diante de frustrações e desilusões. São pessoas que conseguem controlar impulsos e canalizar emoções para situações adequadas.

 

A inteligência emocional é considerada um conjunto de competências como, por exemplo, as soft skills, que quando desenvolvidas e aprimoradas se tornam grandes aliadas no processo de desenvolvimento do indivíduo, seja pessoal ou profissional. A inteligência emocional, entre outros, melhora a avaliação de determinada situação, proporciona gerenciar os imprevistos com maior sabedoria e lidar com mais tranquilidade com mudanças repentinas no cotidiano.

 

Aqueles que já experimentaram desenvolver suas atividades especialmente em grandes empresas sabem que não há como desvincular o desenvolvimento tecnológico do desenvolvimento pessoal. Mesmo em empresas muito desenvolvidas tecnologicamente, o clima organizacional é fator preponderante para seu sucesso, no sentido de reter seus talentos e promover a motivação de seus colaboradores sempre em busca de melhores resultados.

 

Os estudiosos da natureza humana apontam que a incerteza é o grande problema do mundo moderno e não há como não relacionar a evolução da inteligência artificial com a atmosfera de incerteza que ela promove entre os colaboradores de “carne e osso”. Evidente que este novo futuro exigirá nossa parcela de contribuição e que nem todos irão sobreviver, mas não enxergar que as duas coisas andam de mãos dadas é quase cometer um suicídio empresarial.

 

Assim, vivenciar o momento de uma pandemia repentina pode nos servir como um despertador para uma lição de casa que muito de nós vem postergando, que é nosso desenvolvimento emocional e intelectual para que possamos ser profissionais preparados para atender as exigências do ambiente da quarta revolução industrial.

 

A pandemia nos expõe à realidade de que mudanças significativas podem ocorrer a qualquer momento, exigindo de nós habilidades que talvez não estejam tão bem desenvolvidas e, muitas vezes, nos obrigando a nos reinventarmos pessoal e profissionalmente.

 

Dentro da nova concepção de profissionais aptos a desempenharem suas funções no contexto da indústria 4.0, podemos citar como características a capacidade de se adaptar às mudanças, a novos contextos e de inovar. Os perfis também deverão ser mais flexíveis e multidisciplinares e a capacidade de comunicação com seus pares será algo essencial. Tudo isto para que saibam como operar os novos sistemas e técnicas de produção.

 

Portanto, aproveitar o atual momento onde nos sentimos tão vulneráveis pode nos trazer a reflexão de que o futuro talvez esteja mais próximo do que imaginamos e que a preparação deve ser iniciada imediatamente, com o enfrentamento de nossas dificuldades e, assim como em qualquer gestão bem sucedida, a nossa gestão pessoal deverá abranger um planejamento de desenvolvimento que seja plausível, com objetivos e cronograma bem definidos.

 

E você acha que a Pandemia e a Indústria 4.0 juntas podem ser os despertadores de mudanças nas habilidades dos profissionais?

 

Carla Sandler

Especialista e Mentora em Processos Industriais, Melhoria Contínua e Indústria 4.0. Membro da INTERACTTI – Rede de Empreendedorismo e Negócios. Mestre em Ciências pela USP.

 

 


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CALA A BOCA JÁ MORREU! - 22.06.2020


Artigo de Percival Puggina

 

Inicio este artigo respaldado pela citação, no título, de uma frase da ministra Carmen Lúcia, do STF. Se for necessário, lembrem-se deste habeas corpus preventivo. A ministra valeu-se do dito popular para justificar seu voto em favor das biografias não autorizadas (ADIn 4815): “Cala Boca já morreu, quem manda na minha boca sou eu”, disse ela, lembrando a ciranda infantil..

 

Nestes tumultuados dias, no entanto, o Cala Boca arrastou a pedra de seu sepulcro, livrou-se das ataduras, vestiu uma capa preta e se instalou dentro do Supremo Tribunal Federal.

 

Na URSS, o Cala Boca se chamava Glavlit e tinha por função controlar a comunicação social como forma de proteger a revolução. O órgão chamava-se Diretório-Geral para a Proteção de Segredos de Estado na Imprensa, foi criado em 1921 e vigeu durante todo o regime. Chegou a ter 70 mil funcionários controlando textos e imagens importados ou publicados no país. No Brasil, se chamou DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), nos anos da ditadura Vargas. Nos governos militares, o Cala Boca esteve vivo e ativo, com diferentes intensidades, entre os anos de 1964 e 1979.

 

Hoje, ele se chama Inquérito 4781. Não tem borda nem tampa. Fachin, ao endossá-lo – vejam só! – o disse atípico, singular e anômalo. Marco Aurélio esgotou em seu voto a lista das demasias cometidas e o proclamou “Inquérito do fim do mundo”. Malgré tout, lá está ele no STF, sob comando do ministro Alexandre de Moraes, para quem, tudo indica, mídia digital não é mídia e, como tal, não merece respeito. Nada lhes ensinou o papelão praticado contra a Revista Crusoé. O que ele fez com alguns canais, recolhendo todos os equipamentos, equivale ao antigo “empastelamento”, que inutilizava o material gráfico impedindo um jornal de ser produzido. Para quem vê fantasmas nazistas e fascistas é bom lembrar as palavras do falecido deputado paulista Salomão Jorge, referindo-se a um empastelamento determinado por Otávio Mangabeira: “Em Berlim, quando começaram a empastelar jornais, surgiu o nazismo”.

 

Qual a origem da atual crise política e institucional do país? Para responder de modo adequado a essa pergunta é preciso ter em mente o fato de que, no Brasil, a revolução cultural vinha construindo vitórias por WO há mais de meio século. Ao longo desse período atacou as bases cristãs da cultura vigente, dominou o ambiente acadêmico, infiltrou-se nos seminários e na mídia, invadiu e cristalizou-se no aparelho burocrático, Por fim, transformando os dois vocábulos em insulto, dominou a linguagem com o “politicamente correto” e retirou de circulação as ideias conservadoras e liberais que lhe poderiam fazer oposição. Estavam lançadas as bases para o ciclo das grandes vitórias eleitorais iniciadas em 1995.

 

Se havia algo inevitável nessa revolução cultural à brasileira era o caos que adviria em todas as dimensões possíveis. De fato, perde-se nos flancos da razão quem, para comprar o paraíso terrestre, desassocia liberdade de responsabilidade e direitos de deveres. Tudo se agrava, na perspectiva social, quando se começa a fumar e cheirar ideias de que certo e errado, bem e mal, moral e imoral, são decisões de foro íntimo ou de definição majoritária. Quando o PT recheou o STF com juristas à sua imagem e semelhança (sete dos onze na atual composição), estabeleceu-se uma cisão entre a consciência conservadora e liberal que se ia formando na sociedade e a visão autorrotulada “progressista” da Suprema Corte.

 

Não se diga que as decisões do STF refletem, nus e crus, os preceitos constitucionais. A visão de mundo do julgador, os caminhos percorridos na formação do seu pensamento, de sua cultura e experiências de vida, influenciam suas decisões. Não fora assim, tantas votações não seriam decididas pelo estreito placar de 6 a 5. Não havendo um único ministro reconhecidamente conservador ou liberal no plenário, o STF segue então seu caminho enquanto a sociedade vai por outro.

 

O modo como o “inquérito do fim do mundo” se instalou e vem atuando enquanto o silêncio da grande mídia dói nos meus ouvidos, configura um absurdo jogo de braço entre a Corte e a Nação. Quem vai para o palco e incomoda o público não pode se recusar à vaia.

 

Se eu disse tudo que queria? Não, não com o Cala Boca tão vivo entre nós."

Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/cala-a-boca-ja-morreu/

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BOOM


Texto do Pensador Roberto Rachewsky - 19.06.2020

 

Boom!

 

Social-democratas são petistas com estudo avançado.

 

Frequentaram Sorbonne, Columbia, Yale, Harvard, Cambridge e preferencialmente Berkeley.

 

Adoram falar em ideias abstratas inexequíveis mas que lhes conferem certidão de bom coração.

 

Bom coração na visão de quem não consegue entender minimamente uma simples abstração.

 

Falam coisas sem sentido como: “o governo ser o canhão da sociedade”. O único canhão que me vem à mente nesta metáfora é uma doze com o cano cortado.

 

Ora, a sociedade e sua economia, para voar, não pode estar no alvo dos canhões do estado, ela deve estar amarrada aos foguetes da iniciativa privada.

 

Social-democratas falam coisas como promover a inclusão social dos excluídos. Ora, não há excluídos no mercado livre. Desculpem a lembrança.

 

É óbvio, os que seriam incluídos na operação que instalaria o centro de distribuição do Mercado Livre, investidores, criadores de riqueza, mão de obra e os coletores de impostos, foram excluídos pelo canhão do estado.

 

Social-democratas falam coisas como igualdade de oportunidade. Bingo! Em uma canetada zeraram as oportunidades criadas pela iniciativa privada para centenas ou milhares de pessoas, ao rejeitarem uma única operação mercantil deixando a todos de novo igualmente sem oportunidades.

 

Sim, esses são os social-democratas, os petistas estudados, preferem todos iguais na miséria do que desiguais na riqueza com prosperidade.

 

Boom!

 

Gravataí ouviu o barulho do canhão. Lá se foi mais uma oportunidade de incluir quem quer e precisa criar valor.

 

Isso não é novo. Guaíba já ouvira esse estrondo quando os social-democratas sem estudo detonaram a fábrica da Ford.

 

Os vizinhos catarinenses agradecem ao governador Eduardo Leite por este ter promovido a inclusão social e as oportunidades criadas pelo CD da Mercado Livre na margem norte do Rio Mampituba e do Rio Uruguai.

 

Canhão da sociedade. Sei.


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"NÓS, QUE LUTAMOS PELA DEMOCRACIA!..."


Texto do Pensador  Percival Puggina - 19.06.2020

 

            A palavra democracia é prostituída no cotidiano de certos grupos políticos e de todos os regimes totalitários. Ressalvadas algumas pessoas de esquerda que conheci e respeitei ao longo dos muitos anos que com elas debati em centenas de programas de rádio e TV, a palavra deve causar dor de garganta à maioria de seus companheiros. Cá entre nós, qual a credibilidade de um grupo de antifas ou black blocs ao entrar na avenida portando faixas "pela Democracia"? Se olhasse apenas a faixa sem ver a estampa daqueles que a portavam, dir-se-ia que o grupo iria protestar contra o STF. Qual a credibilidade dos ministros do STF para falarem em democracia enquanto desprezam a opinião pública e o resultado da eleição?

 

Nessa encrenca política, típica de republiqueta bananeira em que o país está enfiado, volta e meia a frase que dá título a este artigo é pronunciada, com poses de estadista, por membros de alguns partidos de esquerda. Que é isso, companheiro? Prá cima de mim?

 

Os que pegaram em armas e foram para a clandestinidade eram menos hipócritas que a atual geração de revolucionários de terno e gravata. Estes últimos povoam o aparelho de Estado, lutam por privilégios e pelo seu direito a correção dos vencimentos enquanto uma combinação sinistra de vírus com burrice já tomou o emprego de milhões de brasileiros que atuam no setor privado.

 

            Como entender que alguém ou que alguma organização política se apresente como lutadora pela democracia e use unhas e dentes da retórica para  defender Hugo Chávez e seu sucessor Nicolás Maduro, os irmãos Castro (da empresa cubana Castro & Castro, Cia. Ltda) e a ternura "sedenta de sangue" de Che Guevara? Que credibilidade tinha a democracia entre as nações submetidas a torniquetes políticos e econômicos pela extinta URSS, rebatizadas sem consulta como Repúblicas Democráticas, ou Repúblicas Populares, quando não proclamando uma junção dos dois adjetivos?

 

            Repito: os que pegaram em armas e foram para a clandestinidade eram menos hipócritas. Não prostituíram a palavra. Não a usaram para enganar bobos. Sempre que penso sobre a apropriação do vocábulo, que ganhou aberrante efeito demonstração na arruaça da Avenida Paulista, me vem à mente um episódio no qual terroristas e guerrilheiros tiveram a oportunidade de proclamar ao Brasil quem eram e o que pretendiam. E o fizeram, para a História, de viva voz e próprio punho. Era o mês de setembro de 1969. Duas organizações guerrilheiras, a ALN e o MR-8 haviam sequestrado o embaixador dos Estados Unidos, Charles Burke Elbrick, e imposto condições para libertá-lo: soltura de 15 presos políticos e leitura em cadeia nacional de rádio e TV de um manifesto que haviam redigido. Naqueles dias, estava em plena vigência o AI-5 e o Brasil era governado por uma junta militar, em virtude do derrame cerebral que acometera o presidente Costa e Silva. Embarcar os presos para o México e para Cuba era fácil, mas autorizar a publicação nos principais jornais e a leitura em cadeia nacional de uma catilinária dos sequestradores era constrangedora rendição. Contudo, a execução do embaixador pelos sequestradores seria um mal maior. E a junta militar se rendeu.

 

            O país parou para ouvir o texto redigido por Franklin Martins, um dos sequestradores. Oportunidade preciosa, dourada, única, para guerrilheiros e terroristas dizerem por que lutavam, afirmarem seus mais elevados compromissos e cobrá-los do governo, não é mesmo? O documento (leia a íntegra em "Charles Burke Elbrick" na Wikipedia) foi uma xingação que falava do que os revoltosos entendiam: ideologia, violência, "justiçamentos", sequestros, assaltos. Não há menção à palavra democracia. Nenhuma das dezenas de organizações guerrilheiras ou terroristas atuantes naqueles anos usou a palavra democracia para sua identificação.

 

            Os que pegaram em armas e foram para a clandestinidade queriam levar o Brasil para o inferno comunista, mas eram menos hipócritas.


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