Espaço Pensar +

MEXA-SE - 26.05.26


Por Percival Puggina
 
 Você sabia que nos totalitarismos o Estado aplica força punitiva menor contra alguém que fez algo do que contra muitos, apenas por serem o que são? Independentemente de qualquer conduta individual, Robespierre perseguia membros da nobreza, clérigos, monarquistas e girondinos. Lênin e Stalin, cada um a seu turno, faziam o mesmo com intelectuais, empresários e produtores rurais. Hitler eliminava judeus por serem judeus. Mao Tse Tung eliminava professores, cientistas e, claro, líderes religiosos e minorias. Fidel e Che Guevara perseguiam gays, intelectuais e padres.
 
Quebrados os ovos mais pavorosos da história para fazer trágicos omeletes e com bem nutrido poder, eles derrubavam todos os marcadores, todas as balizas e invadiam a vida privada. Sob o peso de seu braço, nunca houve direito contra a vontade do Estado. Nenhuma dissidência ou divergência era tolerada. Para assegurar-se disso, o aparato estatal protagonizava coerção, disseminando terror na sociedade.
 
Se você, assim como eu, sofre física, moral e espiritualmente com o padecimento dos injustiçados, com a dor dos perseguidos, e se indigna ante o evidente desejo de perenizar os meios de dominação, chegou a hora da autossuperação! Haverá eleição nacional dentro de quatro meses. Os que jogam com as cartas dessa eleição sabem que a mais importante é a dos novos 54 senadores que se somarão aos 27 remanescentes do pleito de 2022. Não haverá democracia, nem liberdade, nem bom direito, nem boa política, enquanto o poder sem voto continuar sua sanha persecutória contra “bolsonaristas” e “direitistas”, a usar o Direito como estratégia e a redigir a Lei com as próprias mãos.
        
Na primeira travessia do Delta do Jacuí, há uma parte levadiça para passagem de embarcações. Quando isso acontece, formam-se extensas filas nas pistas de entrada e saída da capital. Certa manhã, fui detido durante operação dessa ponte. Ao retomar a viagem, com os veículos se deslocando lentamente até encontrarem espaço para acelerar, percebi um hiato no fluxo da pista em sentido contrário e avistei, mais adiante, grande concentração de veículos. Passei observando o que detivera o trânsito e o quadro era bem incomum. Havia um motorhome parado no meio das duas pistas; por ambos os lados, alguém tentara passar, mas não conseguira espaço suficiente e deteve quem vinha atrás de si e assim, sucessivamente, todos foram parando. O motorista do motorhome, reclinado no banco, parecia dormir. Fui em frente, rindo do que vira, mas logo deixei de rir ao dar-me conta da lição que ali se proporcionara a todos: uma pessoa parada pode deter uma multidão. Logo, uma pessoa que se mova pode mobilizar uma multidão.
 
Desculpe-me, caro leitor, mas a hora o exige. O Brasil não aguenta mais quatro anos disso que nos está imposto. Escolha dois bons candidatos a senador, comprometidos não só com seu Estado, mas com a liberdade dos brasileiros e com o fim da tirania das canetas que saíram de todo controle. Trabalhe para eleger esses dois senadores (são dois votos e a liberdade precisa de ambos). Já, agora, mexa-se!


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O PARAGUAI FICOU SÉRIO. E AGORA? - 25.05.26


Por Alex Pipkin, PhD em Administração

 

Durante décadas, o Paraguai ocupou um lugar folclórico no imaginário nacional.
Era a pátria espiritual da muamba, o éden dos eletrônicos de procedência criativa e dos perfumes que desafiavam a química. Para a empáfia tecnocrática brasileira, o vizinho era apenas um puxadinho comercial.
Pois bem, a realidade adora uma ironia fina.
Hoje, a travessia da fronteira mudou de sentido e de classe social. Não são os sacoleiros que marcham rumo a Assunção; são os balanços contábeis de corporações brasileiras.
Mais de 230 indústrias nacionais já cruzaram a fronteira. O fenômeno agora alcança gigantes que abastecem o PIB global, como o Grupo Dass, fabricante de marcas como Nike e Adidas, que expandiu operações por lá. Somam-se à lista nomes como Lupo e Karsten. Não se trata de um flerte conjuntural; é um diagnóstico de falência do nosso ambiente de negócios.
O Paraguai decifrou o segredo que Brasília faz tempo em insistir tratar como heresia. Riqueza não emana de decretos, preces fiscais ou da romantização da escassez. Riqueza é filha legítima da produtividade. E produtividade, para desespero dos planejadores centrais, exige subtrair o peso do Estado das costas de quem ousa produzir.
Enquanto os vizinhos operam com o básico, ou seja, simplificação tributária, segurança jurídica e custos trabalhistas que cabem na planilha, o Brasil segue hipnotizado pela velha alquimia fantasiada de progressismo: tributar o oxigênio, subsidiar o compadrio, demonizar o lucro e esperar que o PIB brote, por geração espontânea, de um discurso de palanque.
Não brota. Capital não sofre de nacionalismo compulsório nem possui paciência para masoquismo burocrático; ele possui instinto de sobrevivência. Fábricas não desertam por falta de patriotismo; fogem de um ecossistema hostil onde o gerador de empregos é tratado como um réu em liberdade condicional, enquanto o Estado, esse sócio hipertrofiado e faminto, exige dividendos majoritários de uma riqueza que ele fez de tudo para impedir que existisse.
A diferença é mais profunda. O Paraguai parece hoje governado por pragmáticos obcecados em atrair capital. O Brasil, por sua vez, mantém uma “elite intelectual e política” com vocação quase mística para administrar a miséria.
Consuma-se a ironia histórica: a terra das bugigangas baratas passou a atrair fábricas; o “país do futuro” que sonhava ser potência industrial começou a exportar sua própria capacidade de produzir.


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O BRASIL E O ESPECTRO DE ROMA - 22.05.26


Por Dagoberto Lima Godoy - Empresário


Há comparações históricas que, tomadas literalmente, mais confundem do que esclarecem, mas há outras que funcionam como advertência. A analogia entre a degenerescência político-moral do Brasil e a queda do Império Romano pertence a essa segunda categoria. Não porque o Brasil esteja destinado a repetir Roma, nem porque os estados da federação sejam equivalentes às antigas províncias imperiais, mas há um ponto de contato inquietante: quando a autoridade central perde legitimidade moral, capacidade administrativa e força simbólica, a unidade política pode continuar existindo formalmente enquanto, por dentro, se enfraquece.
É aqui que a comparação com o Brasil ganha sentido. O risco brasileiro talvez não seja uma queda espetacular, uma ruptura súbita, uma dissolução imediata da federação. O risco mais plausível é mais insidioso: uma degradação por acomodação. O país não se desmancha porque todos querem destruí-lo, mas porque muitos aprenderam a sobreviver — e até a prosperar — dentro de sua disfunção. Todos criticam os privilégios, desde que não sejam os seus. Todos condenam a corrupção, mas muitos toleram a pequena vantagem, a proteção corporativa, a exceção conveniente, o favor político, a esperteza administrativa. O resultado é uma decadência sem dramaticidade: uma lenta perda de energia moral.
A degenerescência brasileira manifesta-se na substituição do interesse público por pactos de sobrevivência, na captura do orçamento por grupos organizados, na transformação do adversário em inimigo moral, na judicialização excessiva da política e na percepção de que a lei é rigorosa para alguns, negociável para outros e irrelevante para os mais poderosos. Essa situação não equivale ainda ao colapso. Mas produz algo talvez mais perigoso: a normalização do anormal.
Ainda assim, nenhuma comparação histórica deve servir apenas ao pessimismo. Roma é advertência, não sentença. A reforma do prédio ainda é possível se as rachaduras da estrutura ainda não chegam à falência. O Brasil não está condenado, embora já não possa se permitir a ilusão de que suas fissuras são superficiais.
A reabilitação nacional exigirá recomposição moral e institucional: restauração da responsabilidade, recuperação do sentido republicano, reforma do federalismo, reconstrução da educação como projeto civilizacional, enfrentamento da ilegalidade organizada e da ilegalidade tolerada, além de uma linguagem pública capaz de distinguir adversário de inimigo.
A pergunta, portanto, não é se repetiremos Roma. É se teremos lucidez suficiente para reconhecer os sinais de exaustão antes que eles se convertam em normalidade definitiva.  Um país não se salva apenas por indignação contra sua decadência. Salva-se quando transforma a indignação em responsabilidade, a crítica em reforma e a esperança em ações eficazes.


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CANIBALISMO FISCAL - 21.05.26


Por Alex Pipkin, PhD em Administração

 

O debate fiscal brasileiro adquiriu uma estranha assepsia burocrática. Fala-se sobre dívida, déficit e juros como médicos discutindo colesterol diante de um paciente em falência múltipla dos órgãos. 
O país atravessa uma deterioração fiscal contínua, mas parte relevante da elite política e intelectual parece acreditar que tudo ainda pode ser administrado com mais arrecadação, mais endividamento e mais retórica emocional.
O que testemunhamos em Brasília já ultrapassou a esfera da irresponsabilidade técnica e entrou no território mais perigoso da decadência; o da normalização do desequilíbrio. 
A maior fraude intelectual da política econômica contemporânea foi transformar prudência fiscal em sinônimo de insensibilidade social, enquanto o endividamento permanente passou a ser embalado como virtude humanitária. Gastar o que não se tem se transformou em demonstração de empatia. A conta futura foi moralmente terceirizada.
O dinheiro, porém, é agnóstico. Não se emociona com discursos palacianos, não lê manifestos partidários e tampouco se curva à liturgia emocional do populismo.
Ele apenas calcula risco, previsibilidade e possibilidade de retorno. Quando um país passa a tratar expansão contínua de gastos, aumento da dívida e hostilidade à disciplina fiscal como método de governo, o capital exige distância de segurança.
É nesse momento que surgem os juros sufocantes, o crédito restritivo, o investimento reprimido, a moeda fragilizada e o crescimento medíocre. 
A ironia cruel é que os mais pobres, diariamente utilizados como justificativa moral para o expansionismo estatal, acabam sendo precisamente os mais esmagados por seus efeitos. O salário evapora silenciosamente na gôndola do supermercado enquanto o pequeno empresário paralisa contratações e a classe média mergulha em endividamento, enquanto a inadimplência avança como sintoma silencioso de uma sociedade empurrada para o endividamento defensivo.
Usar os pobres como justificativa emocional para um modelo que corrói silenciosamente seu poder de compra não é compaixão social. É parasitismo fiscal com verniz humanitário.
O Brasil transformou o futuro em ativo liquidável para financiar o presente.
Toda decadência profunda começa quando o absurdo deixa de produzir espanto.


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NÃO VENDA QUE NÓS VAMOS TROCAR O PRESIDENTE DO BANCO CENTRAL! - 20.05.2


Texto irreprensível do economista Diogo Muguet 


​Foi exatamente com essa frase, dita olho no olho em uma reunião ultra-secreta no Palácio do Planalto, que Lula selou sua intimidade e interferência direta com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O teatro desabou e nós vamos expor os detalhes que a velha imprensa quer esconder.
O CONSELHO DE CÚMPLICE DENTRO DO PLANALTO
​Em 4 de dezembro de 2024, as portas dos fundos do Planalto se abriram para Vorcaro. O encontro foi totalmente apagado da agenda oficial. Diante da proposta do BTG de comprar o Banco Master pelo valor simbólico de R$ 1, Lula barrou o livre mercado e deu a ordem para o banqueiro resistir, prometendo que logo o Banco Central mudaria de comando.
A MESA DOS ÍNTIMOS E O BALCÃO DE NEGÓCIOS
​A intimidade do esquema era cirúrgica. Quem organizou o encontro secreto? Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda do PT e consultor do Master na época. E quem apareceu misteriosamente no final da reunião para chancelar o plano? Gabriel Galípolo, justamente o homem que Lula colocou na presidência do Banco Central semanas depois!

 A TEIA DE INFLUÊNCIA EXPOSTA
​Os tentáculos do Banco Master em Brasília mostram o tamanho do ecossistema:
​No Ministério de Lula: O escritório familiar do atual ex-ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, faturou cerca de R$ 6 milhões em consultorias para o banco logo antes de ele assumir a pasta. Tudo em casa!
​No STF: O Banco Master foi o grande patrocinador de fóruns internacionais luxuosos em Paris, Roma e Nova York, bancando viagens cinematográficas para ministros da Suprema Corte. Um lobby do mais alto escalão.
A QUEDA E O ROMBO HISTÓRICO
​A blindagem política bilionária derreteu. Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero e prendeu Daniel Vorcaro preventivamente por fraudes e desvios. No dia seguinte, veio a liquidação extrajudicial. Sabe o que sobrou em caixa de um banco que movimentava bilhões? Apenas R$ 4 milhões! O resto sumiu.
Lula não deu um palpite de mercado; ele operou politicamente para tentar salvar um aliado íntimo que financiava a estrutura que dá sustentação ao seu poder. O Planalto está em pânico com o avanço dessas verdades.


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SOCIALISMO DE CNPJ ALHEIO - 15.05.26


Por Alex Pipkin, PhD em Administração

 

O estatismo no Brasil deixou de ser apenas uma escolha econômica. Tornou-se um método de organização moral da sociedade.
A novidade já não está no tamanho do Estado, mas na sua ambição litúrgica. Preservou-se a fachada da propriedade privada, enquanto se estatizou, progressivamente, o direito de decidir.
O empresário continua sendo formalmente o titular do patrimônio. Apenas já não é mais plenamente dono da liberdade de administrá-lo. Transformou-se numa espécie de zelador de luxo do próprio negócio, encarregado de manter os ativos funcionando enquanto o governo define, cada vez mais, os limites da operação.
Eis o socialismo de CNPJ alheio. Um sistema sofisticado que dispensa desapropriações cinematográficas porque descobriu algo muito mais eficiente. Ter o controle sem comprar, sufocar sem estatizar e capturar o lucro sem assumir o risco.
Até a China comunista compreendeu que empresas precisam de oxigênio, lucro e obediência aos sinais de mercado para não colapsarem.
Já o Brasil resolveu inovar no atraso. Adotou um modelo em que o empreendedor assume o risco integral, o burocrata interfere na operação e a conta, invariavelmente, termina no colo do contribuinte. Tudo, naturalmente, sob o pretexto do “bem comum”.
Multiplicam-se normas, cruzadas humanitárias e o fetiche da judicialização, conduzidos com notável desenvoltura por pessoas que jamais dependeram da produtividade para sobreviver. A última fronteira desse bom-mocismo econômico é a tentativa de revogar a escassez por decreto, vendendo a fantasia de que se pode trabalhar menos ganhando igual.
Como toda mágica populista, a realidade desaparece apenas temporariamente. Depois retorna sob a forma de desemprego, informalidade, juros altos e estagnação sem-fim.
O discurso oficial segue denunciando os “males do capitalismo”, enquanto o país afunda justamente pela ausência do capitalismo de verdade.
Não vivemos o livre mercado. Vivemos algo mais tropical e dissimulado, um sistema em que o Estado não precisa possuir os meios de produção porque já se tornou sócio majoritário do arbítrio econômico.
Não estamos caminhando para o socialismo de barba e farda do século XX. Estamos mergulhando em um socialismo de planilha e carimbo, no qual o governo não confisca a sua empresa; ele apenas a transforma, lentamente, em uma repartição pública da qual você, por puro azar, ainda é o responsável legal.
Os velhos socialistas queriam estatizar empresas. Os novos perceberam que é muito mais eficiente estatizar empresários.


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