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16 abr 2026

A MÉDIA MENTE E A MÍDIA CONSENTE


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ILUSÃO

Mais do que sabido, a cada vez que o IBGE divulga a TAXA DE DESEMPREGO NO BRASIL, a MÍDIA PROFISSIONAL, antes de REPASSAR A NOTÍCIA AOS SEUS -LEITORES, OUVINTES E TELESPECTADORES-, cuida sempre de EMBALAR O -PRODUTO- COM PAPEL DE PRESENTE, com o claro objetivo de ILUDIR O PÚBLICO EM GERAL. Na última divulgação feita pelo IBGE, por exemplo, ocorrida em fevereiro deste ano (2026), a MÍDIA PROFISSIONAL FESTEJOU a TAXA DE DESEMPREGO DE 5,8%, A MENOR PARA O PERÍODO TRIMESTRAL NA SÉRIE HISTÓRICA, sem ANALISAR as razões que levaram os pesquisadores a obter o referido percentual.


DESMISTIFICAÇÃO

Pois, enquanto a MÍDIA PROFISSIONAL mais parece uma FÁBRICA DE ILUSÕES construídas à base de -NARRATIVAS CALCULADAS-, alguns comunicadores da MÍDIA AMADORA, fazendo uso ilimitado das esclarecedoras REDES SOCIAIS, não raro tratam de -DESMISTIFICAR- INFORMAÇÕES FORNECEDIDAS POR JORNALISTAS PREGUIÇOSOS, OU MAL INTENCIONADOS. É o caso, por exemplo, do analista e estrategista em política, economia e tecnologia, Roberto Reis, que mostra em artigo recente, a resultante da TAXA DE DESEMPREGO de 5,8%. Eis: 


PLANILHA ESCLARECEDORA

O governo Lula pode apontar um número GRANDE, VISTOSO, VENDAVEL ao dizer que entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025, o Brasil ABRIU MAIS DE 4 MILHÕES DE EMPREGOS FORMAIS. O problema começa quando essa planilha é aberta: QUASE TODA A CRIAÇÃO LÍQUIDA FICOU CONCENTRADA NAS FAIXAS MAIS BAIXAS. 

1- a faixa de 1 até 1,5 salário mínimo, sozinha, ABSORVEU 3.976.438 vagas

2- a faixa de até 1 salário mínimo SOMOU MAIS 963.035 vagas

Dali para cima, a paisagem muda de forma brutal:

- Entre 1,5 e 2 salários mínimos, o saldo foi NEGATIVO em 113.187 vagas

- Entre 2 e 3 salários mínimos, a PERDA CHEGOU a 336.585

- Entre 3 e 5, 162.654 NEGATIVOS 

- Entre 5 e 10, 111.215 NEGATIVOS 

- Acima de 10 salários mínimos, 70.391 NEGATIVOS


A CLASSE MÉDIA -CLT- ACABOU

Estes indiscutíveis números deixam bem claro que a CLASSE MÉDIA CLT simplesmente ACABOU. Restaram só os FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS. O Brasil segue gerando ocupação, mas a ocupação que mais cresce está ENCOSTADA NO PISO. A escada que levava o trabalhador do emprego de entrada para um padrão de vida de classe média ficou praticamente inexistente. Quando se soma o triênio, o desenho fica ainda mais claro: cerca de 5,16 milhões de vagas líquidas até 1,5 salário mínimo e destruição líquida de aproximadamente 790 mil acima disso. Ou seja, O PAÍS LOTOU A BASE E ESVAZIOU O MEIO. A tese fica mais forte quando se olha a porta de entrada. Em fevereiro de 2026, o salário médio real de admissão foi de R$ 2.346,97. Com o salário mínimo em R$ 1.518,00 em 2025 e R$ 1.621,00 em 2026, isso significa que a vaga média nova gira em torno de 1,4 a 1,6 salário mínimo. Isso ajuda a DESMONTAR A PROPAGANDA FÁCIL DO PLENO EMPREGO. 

O Brasil pode ter desemprego baixo e, ao mesmo tempo, destruir mobilidade social. A PNAD registrou taxa anual de desocupação de 5,6% em 2025, população ocupada recorde de 103 milhões e rendimento médio real habitual de R$ 3.560. Tudo isso convive, sem contradição alguma, com um mercado em que 35,3% dos trabalhadores recebem até 1 salário mínimo e apenas 7,6% passam de 5 salários mínimos.


A MÉDIA MENTE

Outro detalhe melhora muito a leitura do quadro: a média conta uma história otimista demais. A mediana conta a história real. Na RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) do setor privado, a REMUNERAÇO MÉDIA REAL em dezembro de 2023 foi de R$ 3.514,24. A MEDIANA foi de R$ 2.290. A diferença é enorme. -A média sobe puxada pelo topo. A mediana mostra o trabalhador típico. O diploma perdeu força. A erosão chega ao coração da promessa da classe média. O ensino superior perdeu parte importante de seu prêmio salarial. O rendimento real médio de trabalhadores com diploma caiu de R$ 7.495,00 por mês em 2012 para R$ 6.619,00 em 2024, queda real de 11,7%.

Em paralelo, a informalidade entre trabalhadores com ensino superior cresceu, a presença de pejotizados avançou em setores qualificados e mais de um terço dos diplomados passou a atuar em ocupações abaixo da qualificação adquirida. Esse é um dos dados mais devastadores de todo o quadro, porque atinge o pacto psicológico da classe média. Durante décadas, a mensagem foi clara: estudar, acumular credenciais e entrar no mercado formal geraria estabilidade, progressão e previsibilidade. O mês seguinte virou problema. A Renda não é o único ponto. Previsibilidade também virou luxo. A taxa ajustada de rotatividade do emprego bateu 33,64% em 2025. (1/3). Isso ajuda a explicar por que tanta gente olha para o noticiário econômico, vê celebração oficial e sente irritação. O saldo líquido pode ser positivo no papel e, ainda assim, a vida concreta piorar. Rotatividade alta, faixa salarial apertada, crédito caro e horizonte curto produzem um trabalhador empregado, mas inseguro. E insegurança continuada corrói a sensação de futuro e joga a favor de alternância de governo.

Enquanto o setor privado aperta, o Estado preserva ilhas muito mais protegidas. O Censo 2022 registrou rendimento médio de R$ 4.131,00 no setor público, contra R$ 2.406,00 no privado, diferença de 71,7%. Em outro recorte citado nos materiais, servidores federais recebem prêmio salarial de 96% sobre trabalhadores privados com qualificação equivalente.

É aqui que o modelo lulista fica exposto:

- O pobre está assistido por transferência e valorização da base

- O rico se protege com patrimônio, capital e renda financeira

- O topo estatal conserva remuneração, estabilidade corporativa

- O trabalhador privado de classe média fica no corredor do meio, pagando imposto alto, endividado, comprando escola e saúde no mercado e vendo sua posição material derreter aos poucos.

A MÁQUINA TRAVOU. Esse esvaziamento do meio não nasce só de vontade política. Ele também decorre de uma economia travada. *A produtividade do trabalho brasileiro cresceu apenas 0,6% ao ano nas últimas quatro décadas. A Selic chegou a 15% em 2025. Os juros reais ficaram entre os maiores do planeta. Esse ponto também precisa de honestidade analítica. A origem do problema antecede Lula, mas é ele que vai pagar a conta. A desindustrialização de décadas e a estagnação produtiva já vinham empurrando o mercado para baixo. A crítica séria ao lulismo é outra. Lula não inventou a doença. Lula governou dentro dela, conviveu com ela e não fez nada. O Brasil de Lula 3 gerou muito emprego. Gerou, sobretudo, emprego de entrada. A base foi alimentada. O meio foi abandonado por esse governo. A classe média privada perdeu renda relativa, perdeu proteção, se endividou, perdeu prêmio educacional e perdeu previsibilidade. Ela continuou trabalhando, continuou pagando a conta e continuou afundando. Lula chutou de vez todas as escadas de ascensão da classe média.*