Artigos

21 mai 2024

AS CLÁUSULAS PÉTREAS NÃO QUEREM A RECUPERAÇÃO


Compartilhe!           

RECONSTRUÇÃO

Passadas as primeiras semanas desde que a BRUTAL TRAGÉDIA CLIMÁTICA destruiu o Estado do RS, contabilizando até o presente momento mais de 160 pessoas mortas, 85 desaparecidos, 581 mil desalojadas e 76.188 abrigados em todo o estado, chegou a dura hora de contabilizar as perdas de moradias, empresas, empregos e, principalmente, do ânimo daqueles que, inevitavelmente, precisam reconstruir suas vidas, seus negócios e suas esperanças.  


PLANO DE RECUPERAÇÃO

Pois, antes de tudo é preciso elaborar um correto, viável e eficiente PLANO DE RECUPERAÇÃO. Sem um bom PLANO, a PROBABILIDADE DE OCORRÊNCIA DO FRACASSO AUMENTA E MUITO. Portanto, em primeiríssimo lugar é preciso IDENTIFICAR MEDIDAS, PROFISSIONAIS E/OU INSTITUIÇÕES QUE SE DECLARAM DISPOSTAS A VIABILIZAR a RECONSTRUÇÃO -em duas principais frentes-: 1- ECONOMICAMENTE; e, 2- no- MENOR PRAZO


CLÁUSULAS PÉTREAS

Quando se trata de INSTITUIÇÕES PÚBLICAS, que, HISTORICAMENTE- se mostram sempre muito prontas apenas para GASTAR RECURSOS (leia-se impostos e endividamento público), o que não se vê é a necessária REMOÇÃO (NEM MESMO TEMPORÁRIA) DAS ABSURDAS -CLÁUSULAS PÉTREAS-, que só existem na Constituição com o propósito de MANTER -INTACTOS- os MALDITOS PRIVILÉGIOS DOS SERVIDORES PÚBLICOS. 


PLANO QUE VISA O AUMENTO ECONÔMICO DA TRAGÉDIA

Até agora, por incrível que possa parecer, o único PLANO de RECUPERAÇÃO que é apresentado pelo governo -FEDERAL- e que promete entrar em execução, diz respeito a UMA FANTÁSTICA ZORRA FISCAL. Para piorar, os PROBLEMAS que serão CRIADOS através da estúpida IRRESPONSABILIDADE FISCAL já antecipa, com absoluta clareza, que terá TAMANHO BEM SUPERIOR do que A TRAGÉDIA CLIMÁTICA foi capaz de PRODUZIR.  Ou seja, até agora temos um PLANO GOVERNAMENTAL QUE VISA O AUMENTO ECONÔMICO DA TRAGÉDIA. 


ESPAÇO PENSAR +

 ÁREAS ALAGÁVEIS, por Leonidas Zelmanovitz

 

Quem conhece Porto Alegre sabe que ela foi construída em áreas alagáveis. Porto Alegre está no nível do mar, às margens do escoadouro de cinco rios que vêm da Serra e que têm um fluxo d'água que pode ser devastador, que sofre, por outro lado, ventos fortes que impedem que tal fluxo siga em direção ao mar. Além disso, a capacidade de armazenamento dessa bacia colossal se reduz com o assoreamento e a proibição da dragagem das areias de seu leito.

Tenho repetido a frase de Sir Francis Bacon, tido por muitos como o pai da ciência: "para comandar a natureza é preciso obedecê-la". Essa citação serve para nos dizer que podemos dominar a natureza se tivermos conhecimento, tecnologia e recursos para fazê-lo.

É racional, porém, na falta de um desses três elementos, tomarmos a decisão de não enfrentarmos a natureza porque as consequências serão trágicas.

Notem que em Porto Alegre, todos os cemitérios foram instalados na zona alta da cidade, protegidos de inundações.

Nesta semana, um grupo de voluntários lançou uma campanha para apoiar aqueles que querem voltar para seu lar. Eu disse a eles que a iniciativa era louvável, mas que ela deveria incentivar as pessoas a mudarem de lugar, senão, na próxima cheia, veríamos de novo a repetição de uma tragédia que está cada vez mais frequente e dramática.

Tem aquele ditado que diz: "quem sai na chuva, está sujeito a se molhar". Ora, considerando os fatos, a natureza dos fenômenos naturais e políticos, podemos dizer que quem mora ou empreende nas zonas baixas de Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo, Eldorado, entre outras, está sujeito a ver o que construiu na vida submergir inevitavelmente.

Eu não quero estar seguro depois de morto, eu quero estar seguro enquanto estou vivo.

Não quero perder o pouco que tenho, para ter que reconstruir de novo. É por isso que eu vivo na parte alta da cidade.

Entre as duas desgraças que poderiam me atingir, uma enchente e o governo, me protegi da única que seria evitável.