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01 set 2014

OS PESSIMISTAS ESTÃO CERTOS


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PRAXE
O editor-executivo do Valor Cristiano Romero, dias atrás publicou um artigo contando que dois economistas do Banco Mundial - Otaviano Canuto e Philip Schellekens - , aos quais a presidente Dilma-Neocomunista Rousseff, seu magnífico ministro Guido Mantega e, principalmente, o criador de ambos, o ex-presidente Lula, vão desancar o pau (como de praxe), desenvolveram um estudo sobre o comprovado péssimo crescimento econômico do nosso pobre país.
PERSPECTIVAS
Em tese, o estudo, que leva o título: Três Perspectivas sobre o Pessimismo quanto ao Crescimento Brasileiro-, expõe o quadro que os brasileiros que têm algum discernimento já estão cansados de falar: a explicação para o baixo crescimento do nosso PIB, que se arrasta desde 2008, está, basicamente, na falta de reformas.
CRESCIMENTO?
Eis o que dizem os economistas: - De 1947 a 1980, o Brasil cresceu a uma média de 7,5% ao ano. Entre 1981 e 2003, período que marcou a crise da dívida, a taxa de crescimento anual caiu para 2%. A estabilização da economia desde 1994 e um ambiente externo favorável aceleraram a expansão média anual para 5% entre 2004 e 2008.
MENOS
Apesar de ter resistido bem à crise mundial de 2008, inclusive ao registrar crescimento de 7,5% em 2010, o Brasil tem avançado desde 2011 a taxas que lembram o período 1981-2003. Na verdade, a confirmar-se a projeção mediana do mercado para o PIB de 2014 - alta que será inferior a 1% -, a média dos anos Dilma será de míseros 1,8%. Ou menos.
REFORMA MACROECONÔMICA
O crescimento (acelerado) de 2004 a 2010 foi resultado dos efeitos retardados das reformas realizadas nos anos 90 e na primeira metade dos anos 2000. O Brasil colocou a -casa macroeconômica em ordem- e implementou reformas nos setores financeiro, comercial e social. Os prêmios de risco de ativos brasileiros caíram de forma sistemática depois que ficou claro o compromisso com a disciplina fiscal (LRF), o regime de metas para inflação e o câmbio flutuante, independentemente do partido político no comando do governo. Adicionalmente, condições externas favoráveis ajudaram a diminuir as restrições financeiras.
ABUSOU
Para muitos, o Brasil parou de crescer porque, nos últimos três anos, o governo (Dilma) resolveu por em risco a credibilidade duramente conquistada. Com o objetivo de acelerar o crescimento, o governo relaxou a política fiscal, tolerou inflação mais alta e fez intervenções no câmbio para amortecer a volatilidade. Além disso, usou os preços administrados para controlar a inflação e abusou de operações parafiscais pouco transparentes para estimular o crédito.
LONGA E INACABADA
Canuto e Schellekens consideram EXAGERADA a tese de que a piora das condições externas nos anos recentes, com o baixo crescimento das economias avançadas, a moderação da expansão chinesa, o aumento da aversão dos investidores a risco e a elevação do custo do crédito externo, tem sido a grande responsável pelo baixo crescimento do Brasil. Eles lembram que a maior parte do PIB brasileiro é dado pelo mercado interno e que, aqui, a atividade tem uma -orientação externa limitada-. Das dez maiores economias, a brasileira é a que possui a menor participação das exportações no PIB. Para os economistas (concordo plenamente) o ambiente microeconômico é crítico para o crescimento, -ainda mais hoje do que no passado-. A razão está na dinâmica demográfica, que tem reduzido o crescimento da força de trabalho no Brasil. - Crescimento maior requer, portanto, primeiro e principalmente o aumento da produtividade do trabalho, mas isso permanece limitado por um ambiente de negócios pesado e um ritmo lento de acumulação de capital humano e físico. Vale registrar que Canuto participou da equipe que, no início do governo Lula, sob a liderança do então ministro Antônio Palocci, promoveu avanços importantes na agenda de reformas microeconômicas. No período seguinte à saída de Palocci, essa agenda foi abandonada em prol de medidas de estímulo ao consumo. Mais recentemente, alguns esforços, especialmente os coordenados pelo secretário de Política Econômica, Márcio Holland, foram retomados, mas a agenda, como assinalam Canuto e Schellekens, é -longa e inacabada-.