SURUBA INSTITUCIONAL E A INDÚSTRIA DO PODER
Dando seguimento ao compartilhamento de textos produzidos por pensadores que analisam, comentam e emitem opinião, sobre as PRECÁRIAS CONDIÇÕES DO NOSSO EMPOBRECIDO BRASIL, cujo progresso não é obra do acaso e/ou fruto de mera incompetência, mas de algo MUITO BEM PLANEJADO pelo PT e partidos aliados, quem assina o editorial de hoje é o pensador Alex Pipkin, autor do oportuno conteúdo que leva o título -SURUBA INSTITUCIONAL E A INDÚSTRIA DO PODER-. Eis:
BEM-VINDO À SURUBA
- Existe no Brasil uma indústria que não produz um único parafuso e, ainda assim, movimenta fortunas. Sua matéria-prima é o ESTADO. Seu produto é a proximidade da caneta.
Você quer evidências? Abra os jornais. Banqueiros, escritórios de advocacia, ministros, relatórios secretos, suspeitas de blindagens e autoridades discutindo quem pode investigar quem. Tragicômico.
O cidadão comum tenta atravessar esse labirinto de lama e, no terceiro parágrafo, já perdeu a conta de quem investiga, quem é investigado, quem julga, quem contrata e quem conhece quem.
Bem-vindo à suruba institucional.
ESCÁRNIO
Não se trata de condenar o investigado da semana antes das provas. Minha pergunta é anterior e mais indecente. Por que construímos um Estado no qual estar perto de quem manda pode valer mais do que produzir?
James Buchanan ganhou o Nobel ajudando a desmontar uma farsa providencial. O homem não atravessa a porta do Estado e deixa seus interesses no cabide. Continua sendo a mesma criatura, sensível a dinheiro, prestígio, amizade, influência e poder. A posse altera o cargo; jamais altera a espécie.
O problema do Estado hipertrofiado não é apenas seu custo escorchante. É quanto passa a valer sua captura. Quanto mais o poder pode conceder, proibir, tributar, subsidiar, investigar, perdoar, interpretar e excepcionar, mais valiosa se torna a proximidade da caneta. Criamos o mercado e depois simulamos espanto com os compradores. Escárnio.
PERGUNTA INDECENTE
Corrupção também é caráter. O corrupto escolhe ser corrupto e deve responder por isso. Mas uma sociedade adulta não desenha suas instituições esperando que homens poderosos sejam santos. Faz o contrário, limitando o poder porque conhece o homem. Por aqui, preferimos procurar o canalha da semana. A cada novo escândalo, exigimos sua cabeça e preservamos a máquina que tornou tão lucrativo chegar perto dele. Trocamos os homens. Mantemos o prêmio. A grande sacanagem é outra. Não é haver gente disposta a comprar influência, mas termos construído um Estado no qual a influência pode valer uma fortuna. O escândalo muda de nome. A mercadoria continua a mesma. Enquanto autoridades pronunciam democracia, Estado de Direito e, naturalmente, povo, permanece uma pergunta indecente. Depois de tanto tempo disputando, protegendo e investigando o poder, quando sobra tempo para o povo?
Eu não quero um Estado menor porque acredito na bondade dos homens. Quero um Estado menor exatamente porque conheço o bicho. Estado necessário, sim. Mastodonte, não. A caneta, sempre menor que o ego de quem a segura.