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15 out 2012

OPERAÇÃO DESMONTE


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PLANO REAL
O Plano Real, sem a menor dúvida, é o programa de estabilização monetária mais eficaz que o Brasil conheceu ao longo de sua história. De fevereiro de 1994 até poucos meses atrás, através das regras de conversão e uso de valores monetários, os brasileiros vinham convivendo com taxas de inflação baixas.
TRIPÉ
Embora não tenha logrado êxito no processo de desindexação da economia, o Plano Real foi a grande porém única reforma econômica realizada no país. Isto, entretanto, só foi possível porque foi assentado sobre um poderoso tripé formado pela Lei de Responsabilidade Fiscal, Câmbio Flutuante e Metas de Inflação. Foi partir de então que o Brasil passou a ser visto com confiança, o que resultou em forte acumulação de reservas. O capital estrangeiro se decidiu pelo Brasil porque o nosso Sistema Financeiro se tornou confiável.
MOEDA E CRÉDITO
Mesmo que ao longo de muitos anos a oferta de crédito tenha se mantido escassa, só a redução da inflação, que passou a ser civilizada em termos comparativos, ampliou o poder de compra da população. Até 1994, como é sabido, o governo emitia moeda de forma irresponsável, em quantidade incrível. Com isso se beneficiava da inflação galopante através da correção monetária, que só empobrecia a sociedade. E as empresas privadas, por sua vez, basicamente aquelas que tinham dinheiro em caixa, tratavam de defender seus recursos através das aplicações no over night, cuja renda era sempre maior do que a obtida com a venda de mercadorias e serviços.
ADAPTAÇÃO
Com o advento do Plano Real, tanto o setor púbico como o privado foram obrigados a se adaptar. Com inflação em baixa, o que passou a definir a renda de capital foram as taxas de juros, que até a semana passada vinha se mantendo acima da taxa de inflação.
INTERVENÇÕES
O fato é que, quase vinte anos depois, os governos Lula/Dilma resolveram destruir os pilares que sustentam o Plano Real. Primeiramente, trataram de explodir com a Lei de Responsabilidade Fiscal, usando como arma uma flexibilidade inquietante. Através de intervenções absurdas nas Agências Reguladoras e no Banco Central (que deixou de ser independente), o governo Dilma simplesmente revogou a lei de mercado. Acabou com o CÂMBIO FLUTUANTE e passou a fixar as taxas de juros prime (Selic), fazendo do COPOM um instrumento de governo.
PROGRAMA RUIM
Tudo isso, aliás, calculado. Bem de acordo com a vontade do ministro Mantega, que no momento do lançamento do Plano Real (como pode ser constatado nas edições dos jornais da época) declarou que o Plano era ruim. Ou seja: amante da inflação, Mantega, com o aval de Dilma, está, literalmente, acabando com o Real. Pode?
SEPULTAMENTO
Resumo: pelo que informam os indicadores econômicos, a Lei de Responsabilidade Fiscal já não existe; a correção monetária, que deveria ser enterrada, voltou a brilhar como nunca, em todos os setores de atividade; e, as taxas de juros reais (descontada a inflação) já estão negativas. Com isso, o dinheiro investido em títulos indexados pela inflação vai ser melhor remunerado do que aqueles que pagam juros. Quando o capital não consegue remuneração, o destino é o consumo. Como não há investimento suficiente para aumentar a oferta, o consumo alimenta mais ainda a inflação. Que tal?