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29 jan 2015

SOMOS MUITO TOLERANTES


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ARTIGO DE JOSÉ PASTORE


Há quase vinte anos atrás, mais precisamente no dia 26/12/1996, o Jornal da Tarde publicou um artigo escrito pelo brilhante economista José Pastore, também membro efetivo da Academia Paulista de Letras, pesquisador da Fipe, sociólogo e especialista em relações do trabalho e desenvolvimento institucional, com o título: O BRASILEIRO É TOLERANTE? 
 


CAMPEÕES DE DESIGUALDADE

Pastore inicia dizendo:  - Quando se olha para o quadro da desigualdade, costuma-se dizer que o brasileiro é um povo bastante tolerante. Somos os campeões da desigualdade e mesmo assim detemos um "record" de pacifismo. São poucas as pessoas que se revoltam, dizem aqueles que nos comparam com os espanhóis, uruguaios e argentinos.
 


DADOS DE 18 ANOS ATRÁS

Examinando-se a questão com mais atenção, continua Pastore, vemos que o quadro não é bem esse. Os dados sobre criminalidade e violência (que são formas de protesto e agressão ao próximo) dizem o contrário. A proporção de homicídios no Brasil dobrou nos últimos dez anos. Entre nós, mata-se mais do que em Nova York. (vejam que o artigo completou 18 anos em dezembro passado e de lá para cá tudo piorou muito)
 


TOLERÂNCIA À LIBERDADE E À IGUALDADE

Os estudos sobre a tolerância costumam focalizar dois aspectos mais particulares da vida social: tolerância em relação à liberdade e à igualdade.

Aqui, a coisa de complica. A liberdade e igualdade são muito contraditórias. A sociedade democrática, ao alimentar o desejo pela igualdade, dizia Tocqueville, corre o risco de destruir a liberdade. A busca insaciável da igualdade leva ao despotismo da maioria, ameaçando a liberdade.
 


REAÇÃO

Esse é o tipo do problema que tira o sono de qualquer um, admite Pastore no seu artigo. É angustiante saber que temos de ceder liberdade para ter mais igualdade. Por outro lado, ninguém aceita aumentar a desigualdade para se chegar à liberdade.

Nos campos da -liberdade e igualdade-, é comum para as pessoas apoiarem os princípios gerais. Mas, quando se chega no terreno dos fatos específicos, a reação muda. 


JÁ FOI MAIS TOLERANTE

Segundo o professor (em 1996) os estudos sobre a tolerância no Brasil estão (estavam) apenas engatinhando. Sérgio Buarque de Holanda defendeu a tese segundo a qual a grande contribuição dos brasileiros à civilização ocidental é a cordialidade. Mas, os comportamentos velados nas questões racial e religiosa, a criminalidade e a violência urbanas, a agressividade absurda demonstrada no futebol, trânsito e forrós fazem a gente pensar e repensar a questão.

Pastore finaliza o seu texto dizendo (em 1996): - Parece que o brasileiro já foi mais tolerante e entra agora numa nova era. Será interessante acompanhar esse assunto ao longo do tempo.


CONCLUSÃO

Pois, diante de tanta coisa que aconteceu desde 26/12/1996, data da publicação do artigo do professor Pastore, a tolerância do brasileiro deu provas de que em termos de:

1- corrupção governamental;

2- inflação alta;

3- crescimento econômico baixíssimo;

4- gastos públicos absurdos;

5- mentiras de todo tipo, etc.;

ela é simplesmente infinita e intocável.

O máximo que o povo (em geral) faz é mostrar alguma indignação. De novo: só indignação. E fica por aí.

Agora, no futebol é diferente: basta o time do coração perder duas partidas para que a casa caia de vez. Que tal?