Por Alex Pipkin, PhD em Administração
Governos costumam morrer no calendário, mas este está morrendo na realidade, porque a vida de quem produz já não aceita o palanque.
O atual ciclo lulopetista, longe de padecer de um desgaste comum, revela uma falência completa de premissas.
A cada novo episódio, como o de ontem, o padrão se repete: eleva-se o tom, amplia-se o ruído, como se fosse possível abafar, no grito, o som das engrenagens travando.
O erro aqui não é pontual, é integral: falta técnica, sobra arrogância.
Estamos diante de um modelo assumidamente perdulário que confunde o caixa do Estado com herança e populismo com solução, fazendo da incompetência não um desvio ocasional, mas a própria estratégia de “desgoverno”.
Persiste em Brasília a fantasia de que o Estado é o motor do mundo, quando, na prática, ele opera como um freio de mão puxado por quem jamais precisou assinar uma folha de pagamento.
Cada vez que um burocrata decide onde o capital deve estar, a inovação é sufocada ainda no berço.
O resultado é um país que passa a tropeçar em regulações desenhadas para proteger o topo e asfixiar a base.
Sob o pretexto de cuidar, o Estado vigia, e, em nome do social, tributa até a esperança, até que o lucro vire pecado e investir se torne um ato de resistência.
Não se trata apenas de ideologia, mas de uma lógica elementar, porque não se faz um avião voar aumentando o peso da carga e cortando o combustível.
Prosperidade jamais foi concessão governamental, mas consequência direta de um ambiente em que o governo não atrapalha.
Razão pela qual a liberdade econômica deixa de ser privilégio de poucos para se revelar como o oxigênio indispensável de quem acorda cedo para manter o país em pé enquanto o próprio Estado insiste em dificultar.
O próximo ciclo político não pode se resumir a uma troca de cadeiras, pois ou se encara o diagnóstico sem anestesia, com a seriedade que a realidade impõe, ou continuaremos presos à velha caricatura de um país do futuro que nunca chega.
Enquanto isso, o país se deteriora no presente, o que exige menos tutela, mais responsabilidade, menos imposto asfixiante e mais espaço para quem cria valor sem pedir licença.
Persistir no erro, com o abismo já visível no horizonte, deixou de ser ignorância para se transformar em projeto.
O preço, como sempre, não cai sobre a caneta que assina o decreto, mas sobre o lombo de quem carrega o piano.