Por Alex Pipkin
O Brasil inovou até na delinquência. Aperfeiçoamos o vandalismo e lhe demos um selo de virtude.
Depredar estação de metrô, pichar patrimônio público, quebrar vitrine. Em qualquer país civilizado, isso tem nome. Crime.
Basta a bandeira vermelha para surgir o intérprete.
Não era vandalismo, era manifestação. Não era crime, era resistência democrática. Não era baderna, era consciência social.
É a banditocracia do bem.
O militante petista destrói o que nunca construiu, prejudica quem jura defender e ainda exige reconhecimento por sua superioridade moral. O trabalhador perde o transporte, o comerciante limpa a fachada, o contribuinte paga a conta.
O revolucionário caviar comemora sua vitória imaginária contra o capitalismo e o “autoritarismo” com uma lata de tinta, uma indigência intelectual com ambições históricas e uma abissal dose de canalhice.
O lulopetismo não inventou a violência política. Aperfeiçoou sua desculpa. A nobreza da causa daria licença para quebrar a lei.
É a mesma perversão que relativiza o terrorismo quando a vítima está do lado errado da história, recicla o antissemitismo como humanitarismo e antissionismo e transforma intolerância em credencial de virtude.
Lula discursa, maltratando a língua portuguesa, sobre pacificação enquanto seu campo político divide o país entre virtuosos e inimigos.
A divisão social, longe de ser um acidente, é apresentada como método político. O adversário não merece debate. Merece desmoralização e exclusão.
Onde estão os indignados profissionais quando a violência veste a camisa da estrela vermelha?
Silêncio. Ou uma tese sociológica para dar verniz de justiça à própria hipocrisia.
O batom da oposição é atentado à democracia. A pichação da companheirada é consciência social. Mesmo quando o dano é maior, a indignação parece inversamente proporcional à cor da bandeira.
A lei não pode ter filiação partidária.
Na banditocracia do bem, a diferença entre vândalo e revolucionário não está no que destrói, mas em quem decide se ele merece algemas ou homenagem.
O povo entra com o dinheiro. O vândalo com a tinta. E a “defesa da democracia” com o álibi.
Confesso que já não suporto essa ladainha. “Defesa da democracia”, “luta contra o autoritarismo”, “Estado Democrático de Direito”. Palavras nobres, repetidas à exaustão por quem acredita que pronunciá-las dispensa a obrigação de respeitá-las. Tenho repulsa por essa hipocrisia. A democracia não precisa de sacerdotes de ocasião. Precisa de gente que cumpra a lei, inclusive quando ela atrapalha a companheirada.
Até quando o brasileiro terá de pagar pela destruição e ainda agradecer aos destruidores pelas lições de democracia?
No dia 25 de outubro, o eleitor terá a palavra. A urna não absolve vandalismo. Mas ninguém pode exigir que o cidadão absolva politicamente quem o justifica.
Sectários ideológicos anônimos.