DE ARREPIAR
Decorridos quase quatro meses, desde o momento em que o povo, em junho, resolveu ir às ruas (por poucos dias) para exigir mais respeito dos governantes, que cobram muito por serviços públicos, mas em troca entregam pouco e ainda por cima com má qualidade, o que restou é de arrepiar.BALANÇO
Fazendo um breve balanço das curtas manifestações do povo, o que estamos assistindo, lamentavelmente, é o seguinte: 1- A Educação Pública, como se fosse possível, ficou ainda pior. Com tantas greves de professores, em várias cidades do país, o ano letivo já é considerado nulo.SAÚDE E SEGURANÇA
2- A Saúde Pública se transformou em polêmica discussão ideológica, com o programa Mais Médicos.3- A Segurança Pública, por sua vez, vive o seu período mais crítico com a participação crescente e assustadora de vândalos, que saqueiam lojas e destroem patrimônio público à granel.VÂNDALOS
Movidos pelo fantástico sentimento e certeza de que a impunidade no Brasil é mesmo para valer, várias organizações formadas por vândalos e/ou anarquistas mascarados, entraram em ação. Organizados, com apenas uma cajadada mataram dois coelhos: além de afastar definitivamente o amedrontado povo das ruas, nunca mais saíram delas desde então.MOVIMENTOS CRESCENTES
Com movimentos sempre crescentes, o caos foi se instalando de forma preocupante nas principais cidades do país. As forças policiais (Segurança Pública), além de escancarar um baixíssimo preparo para enfrentar tais situações, ainda são constantemente observados pela mídia quando resolvem enfrentar os criminosos.PREJUÍZO DUPLO
Diante desta situação de horror, além de muita gente não se sentir minimamente segura para sair de casa, o comércio localizado nas redondezas das praças de guerra sofre prejuízo duplo: com os saques e com vendas baixas.RESUMO DA ÓPERA
Como não há perspectivas de melhora, face à observância dos incríveis DIREITO HUMANOS, a situação se resume no seguinte: além de continuar pagando muito por serviços de má qualidade, a sociedade brasileira precisará arcar com as despesas de reconstrução daquilo que está sendo destruído. Como se vê, foi um mau negócio sair às ruas, não?NÚMEROS PREOCUPANTES
Estudos sérios e preocupantes provam, infelizmente, que a soma do número de brasileiros analfabetos com o crescente contingente de analfabetos funcionais, que se distribuem por todos os cantos do nosso pobre país, já supera a metade da nossa população.ANIMAIS TREINADOS
Pensem um pouco, caros leitores: mais de 50% da população brasileira (mais de 100 milhões de pessoas, portanto), por absoluta ou relativa falta de conhecimento e/ou discernimento, se comporta com a mesma disposição mostrada por animais treinados.PRÊMIO
A diferença, sem qualquer preconceito, está no prêmio: ao invés de biscoitos, os deficientes de conhecimento se contentam com programas assistencialistas. O que importa para seus donos governantes é que abanem o rabo para mostrar que estão alegres e satisfeitos.IGNORANTES ÚTEIS
Como a maioria dos nossos governantes estão muito conscientes de que a maior parte de seus eleitores são ignorantes úteis, ou presas fáceis do populismo, a fórmula para não deixar o poder é simples: basta fazer afagos através de programas assistencialistas. Aliás, se esta parcela de brasileiros fosse dotada de rabo, só com os abanos resultantes da alegria provocada pela total irresponsabilidade social o Brasil seria sacudido por fortes e contínuos ventos.FINANCIAMENTO IMOBILIÁRIO
Exemplos não faltam para mostrar o quanto impera a irresponsabilidade governamental. Um deles, que não deixa dúvidas, é o programa governamental que estimula a construção e/ou aquisição da casa própria, que antes de tudo também reputo como importante e necessário em qualquer lugar do mundo.O problema, peço que prestem a atenção, não está no programa, mas na forma com que o governo resolveu conceder o financiamento imobiliário.AVENTURA
As BOLHAS IMOBILIÁRIAS não se formam com o aumento das construções, mas com a irresponsável concessão de financiamento ao deixar de exigir uma boa análise da ficha do pretendente-comprador. Esta aventura, para deixar bem claro, o Brasil já viveu em 1964 com a criação do Banco Nacional da Habitação.BNH
Para quem não sabe, mas precisa saber, o BNH - Banco Nacional da Habitação - foi uma estatal criada para promover financiamento para construção e aquisição de empreendimentos imobiliários, da mesma forma como atua, hoje, a Caixa Econômica Federal. Pois, em 1986, diante do estado de falência provocado pela potente Bolha Imobiliária, a qual havia sido inflada pela facilidade de crédito concedido, o passivo brutal do BNH acabou incorporado pela Caixa Econômica Federal. Como a Caixa não deverá desaparecer, à exemplo do que aconteceu com o BNH, quem vai herdar o passivo, ou Bolha, será o Tesouro Nacional. Mais uma vez, para confirmar que este governo comete os erros do passado, quem vai arcar com a dolorosa conta são os pagadores de impostos. Esclarecendo: A nossa Bolha Imobiliária não será bancária. É da Caixa. E a Caixa, por ser do POVO, vai explodir no bolso dos contribuintes. Que tal?INTERNET
É mais do que sabido que com o advento da Internet as notícias em geral se transformaram em commodities universais, ou seja, todos que vivem em países onde há liberdade de imprensa têm acesso imediato, com total rapidez, à tudo que acontece no mundo.INTERPRETAÇÃO
A partir daí, cada um (seja profissional ou não, dos meios de comunicação), dá a interpretação que bem entende aos fatos ocorridos. Como cabe aos leitores, ouvintes e telespectadores o julgamento dos comentários, críticas e opiniões, ganha mais credibilidade aqueles que melhor argumentam.EDUCAÇÃO
Mas, para que o julgamento seja bem feito é fundamental que o universo dos comunicados tenha bom discernimento. E isto, obviamente, depende do grau de Educação desses julgadores, que precisam, constantemente, distinguir o que está por trás das interpretações dos fatos e notícias.JULGAMENTO MAL FEITO
Quando um governante, por exemplo, faz uma afirmação ou toma uma decisão, isto vira notícia. Imediata. E, dependendo do conteúdo e, principalmente, da forma com que chega aos ouvidos de gente que tem baixa capacidade de discernimento, o fato pode resultar em julgamento mal feito.ASSISTENCIALISMO
Pois é exatamente assim que os políticos em geral agem quando fazem propostas e afirmações. Quanto mais assistencialistas as decisões, mais votos eles garantem. Tudo porque falta o tal do discernimento.ERROS JÁ COMETIDOS
Quando teço comentários a respeito do governo Dilma, por exemplo, é porque grande parte (repito: não todas) das decisões tomadas pela presidente Dilma e sua equipe, só tem levado o país a apresentar mau desempenho econômico. Bem diferente do que o povo pensa, a considerar as notas altas que dá para o governo. O baixo discernimento, infelizmente, não permite que o povo veja que está havendo uma grande reprise de erros já cometidos em governos anteriores.ABERRAÇÃO
Como isto é fato absolutamente comprovado, as interpretações até poderiam ser dispensadas caso os leitores, ouvintes e telespectadores fossem dotados de alguma capacidade de entendimento da relação CAUSA/EFEITO. Ontem, por exemplo, o país soube, lamentavelmente, que imóveis do programa eleitoreiro Minha Casa, Minha Vida serão entregues aos novos donos com um grave defeito: não terão acesso à energia elétrica. E muita gente ainda aplaude tamanha aberração. Pode?CUMPRIMENTOS PELOS 12 ANOS
Por questões ligadas à minha própria formação, mas também por vontade e prazer, reservei uma parte do domingo para agradecer os cumprimentos enviados por inúmeros leitores/assinantes, pela passagem dos 12 anos do Ponto Crítico, ocorrida na última sexta-feira, 11 de outubro.GRATIDÃO
De antemão, ao concluir que será muito difícil responder uma por uma de todas as mensagens recebidas, como deveras gostaria, aproveito o editorial de hoje para registrar a minha gratidão pelas tantas manifestações de apoio.LEITOR CONTRARIADO
Entretanto, uma das mensagens que recebi, por sinal de um leitor assíduo e bem antigo, que sempre se manifestou favorável às minhas críticas, opiniões e comentários, os cumprimentos se fizeram acompanhar de fortes críticas quanto à uma das REFORMAS que tenho suplicado nos últimos anos: a da Previdência.PREVIDÊNCIA
O curioso é que o leitor (que assim como qualquer um tem o direito sagrado de discordar de tudo ou parte daquilo que ouve, lê ou assiste) esperou 12 anos para manifestar a sua contrariedade quanto aos REAIS privilégios que a PREVIDÊNCIA SOCIAL proporciona ao admitir a existência de DUAS CLASSES DE APOSENTADOS no nosso pobre Brasil. Como ele revela ser um dos privilegiados e, portanto, prejudicado pelas minhas observações, resolveu que deveria me condenar por um crime que jamais cometi.INJUSTIÇA SOCIAL
Volto a afirmar, baseado exclusivamente nos números oficiais informados pelo Ministério da Fazenda (longe, portanto, da um imaginação), referentes às duas Previdências (uma do INSS, conhecida como RGPS - Regime Geral da Previdência Social) e outra dos privilegiados Servidores Federais, conhecida como RPPS da União - Regime Próprio da Previdência Social da União) que o rombo anual é superior a R$ 100 bilhões. Este déficit brutal, além de espelhar a urgência de uma REFORMA PREVIDENCIÁRIA, atesta o quanto impera a injustiça social no país.O CARTEIRO É O CULPADO
Pois, para minha surpresa, ao se sentir atingido o leitor contrariado resolveu me incriminar por algo que não inventei. O que fiz, repito, foi mostrar aos leitores aquilo que pouco sabiam a respeito.Este tipo de reação, por mais que seja difícil entender, nos leva a admitir que, para certas pessoas, quem deve pagar por entregar documentos contendo más notícias para seus destinatários é, exclusivamente, o CARTEIRO. Pode?IGNORAR OS FATOS RESOLVE?
O que me deixou ainda mais perplexo é que ao fim do seu desabafo o leitor solicitou que seu nome fosse retirado imediatamente da lista dos assinantes do Ponto Crítico. Confesso que não me dá prazer algum perder assinantes. Entretanto é preciso esclarecer que o fato de se manter afastado da realidade não significa que as notícias e os fatos deixem de existir.LINHA DO TEMPO
Lá atrás, no dia 11 de outubro de 2001, quando decidi escrever o primeiro editorial do Ponto Crítico, como os leitores/assinantes que me acompanham desde então sabem, o que me moveu foi a vontade de homenagear o economista liberal Roberto Campos, que havia falecido dois dias antes (09/10/2001).DEFESA DO LIBERALISMO
Pois, passados 12 anos em constante defesa do liberalismo, com quase 3000 editoriais publicados e ter sido agraciado com três importantes troféus, de uma coisa estou convencido: até agora, sem exceção, nenhum leitor do Ponto Crítico que não recebe privilégios do governo, mas paga pelos privilégios obtidos por muita gente, teve motivos para me contestar.REFORMAS
Não é preciso consultar em -Edições Anteriores- para saber que o tema mais explorado nos editorias publicados nesses últimos anos trata das importantes e necessárias REFORMAS que o país necessita para sair do marasmo, deixar de fazer voos curtos e rasantes como os das galinhas. Se bem feitas, certamente acabariam com tantos privilégios.ROBERTO CAMPOS
Se Roberto Campos, ao longo de toda a sua vida em defesa do liberalismo, não conseguiu ver o Brasil entrar no clube dos ricos, nós idem. Desde o seu falecimento, o que vimos, realmente, foi um avanço incrível do assistencialismo governamental e o intervencionismo econômico crescer. Mais: no nosso horizonte também não há nenhum economista liberal se destacando nos debates públicos.ESPÍRITO TRISTE
Aliás, se o espírito de Roberto Campos resolvesse aparecer por aqui, com toda certeza ficaria muito triste ao saber: 1- que aos ideais comunistas defendidos pela turma do Foro de São Paulo, cujos líderes já governam a maioria dos países sul-americanos, têm avançado de forma impressionante; e, 2- que a Petrossauro, como se referia à Petrobrás, além de não ter sido privatizada, os governos Lula/Dilma foram mais além: trataram de esculhambar de vez com isso e lograr todos os acionistas minoritários e majoritários.PENSAR+!
Com tudo isso, se me fosse dado um minuto para falar com Roberto Campos, apesar de admitir que estamos perdendo a batalha eu diria que, recentemente (quatro anos) formamos um grupo de Pensadores, que leva o nome -PENSAR+!-, e cujo propósito é construir conteúdos capazes de mostrar a relação CAUSA/EFEITO de tudo que acontece no nosso país. E que, se aqui estivesse, certamente seria um dos membros mais festejados.Modestamente, arriscaria dizer que sabendo disso Campos voltaria para sua morada com alguma esperança...AGRADECIMENTO
Bem, como manda o figurino, aniversários são para serem festejados. Para tanto o faço através de agradecimentos. Aos leitores/assinantes, sou grato pelo apoio, confiança e carinho; aos anunciantes, pela coragem, pois, de um certo modo estão assinando embaixo aquilo que defendo; finalmente, à equipe (Lúcia, Cristina e Trautmann) que tem sido fundamental desde o primeiro editorial.Ah, como podem perceber, foram feitas as mudanças habituais que acontecem a cada novo ano: além da foto (desta vez estou menos sorridente, o que indica o momento que o Brasil vive), consta a nova contagem -Ano XIII, Nº 001-, o que assinala o início de nova jornada. De Paris, com o frio dando às caras, envio a todos o meu abraço cheio de gratidão. Vamos em frente!PARIS
Ontem, após quatro dias de intensa movimentação, a 32ª Edição da Anuga (feira bienal que teve inicio em 1942) foi encerrada. À noite, com o sentimento do dever cumprido, viajei para Paris, onde permaneço até o final da semana. Convencido de que é um crime passar por Paris e não ficar no mínimo três ou quatro dias me proponho a fazer este sacrifício. Mais: tomando só vinhos nacionais.ANUGA
Antes de tratar de assuntos além-feira, para não deixar alguns leitores sem saber o significado da palavra ANUGA, aí vai: é uma sigla que resulta das iniciais alemãs de Allgemeine Nahrungs- und Genussmittel-Ausstellung, que, traduzido, quer dizer Exposição Geral de Alimentos e Estimulantes.INFRAESTRUTURA
Pois, enquanto me delicio com a fantástica infraestrutura oferecida por estas duas belas cidades (Colônia e Paris) do Velho Mundo, cujo interesse turístico mundial neutraliza e/ou encobre os efeitos da crise que abalou por vários anos a Europa como um todo, trato de ler as notícias do Brasil. Aliás, nem sei porque faço isto...ESTÔMAGO REVOLTADO
É lógico que com a internet ninguém mais tem o direito de se manter desinformado. Mesmo sabendo que vou me aborrecer com as notícias daí insisto em abrir os sites dos principais jornais do Brasil, no meu notebook. Dito e feito: as duas primeiras notícias já deixam o meu estômago revoltado.EDITORIAL DO NYT
A primeira diz respeito ao editorial publicado ontem no jornal -The New York Times- no qual analisa os obstáculos do governo Dilma neste ano, após o país ter registrado avanços nos últimos dez anos na área social e econômica. O interessante é que na mesma linha do que a revista britânica -The Economist- havia publicado dias atrás, o principal jornal dos EUA analisa com as mesmas palavras registradas nos últimos 12 anos de existência do Ponto Crítico.ANIVERSÁRIO
Pois, o editorial do NYT, ao afirmar que a presidente Dilma precisa fazer avançar reformas políticas e projetos de investimento público para que o país retome o crescimento da economia e mantenha a inflação sob controle, fez exatamente aquilo que venho fazendo, exaustivamente, nos últimos anos. Aliás, o editorial veio mesmo a calhar por uma boa razão: amanhã, dia 11 de outubro, o Ponto Crítico completa 12 anos de muita opinião e intensa gritaria sobre a necessidade de reformas para o Brasil.JANTAR EM PARIS
As reformas, infelizmente, não vieram e tão cedo não virão. Já o 12º aniversário do Ponto Crítico não pode passar em branco, não? Como o palco da comemoração, por mero acaso, está montado para acontecer na bela Paris, só me resta me decidir pelo restaurante e pedir que a legítima CHAMPAGNE (nada de espumante) atinja a temperatura certa. Tim Tim!Amanhã, como faço anualmente, presto minhas homenagens aos meus incentivadores.