IDENTIDADE
Quem, não importa a distância, acompanha de perto o desempenho da economia brasileira, já deve ter percebido o quanto o seu deslocamento se identifica com os voos das galinhas.ERRO DE PROJETO
Mesmo providas de asas, como se sabe, as galinhas, por um erro de projeto, de construção ou mesmo da natureza, no máximo conseguem alçar voos curtos e rasantes, que mais se parecem com pulos.MUITO GORDA
Pois, se nesses dois últimos anos, 2011 e 2012, compararmos o desempenho do PIB brasileiro com o voo das galinhas, uma reparação importante se faz necessária: a galinha que retrata o comportamento da nossa economia está gorda. Muito gorda. Daí que mal e mal consegue se mover.PESO DA CARGA
O peso dos impostos, da burocracia, da corrupção, da enorme incompetência governamental e muitas outras coisas mais, sequer estão possibilitando os voos rasantes da pobre Galinha Brasil. Como está muito gorda e nem pulos está conseguindo dar, só lhe resta mesmo ciscar. No mesmo lugar.800 AEROPORTOS
Pois, ontem, para mostrar o traço forte da incompetência e da enganação do atual governo, que segue os passos do anterior, chefiado por Lula, a presidente Dilma escolheu a França para dizer ao mundo todo que vai construir mais 800 aeroportos no Brasil. Pode?CONCURSO DE MENTIRA
Confesso que ainda não me recuperei do impacto da absurda e jocosa declaração da presidente. Estou, portanto, em estado de torpor. Primeiro, porque Dilma deu a impressão de que estava participando de um concurso mundial de mentira. Se for o caso, Dilma já ganhou. Esta é, indiscutivelmente, a maior mentira dos últimos cinco séculos.ENSINANDO A VOAR
Em segundo lugar, porque fiquei imaginando que com a construção desses aeroportos Dilma está querendo ensinar a Galinha Brasil a voar. Ela imagina, certamente, que o problema não está na natureza da ave, mas na falta de treino. Os 800 aeroportos servirão para tanto. Só podeSISTEMA ECONÔMICO
Um assunto que já bati diversas vezes, mas que precisa ser explicado a todo momento, diz respeito ao Capitalismo, Sistema Econômico que a maioria dos brasileiros imagina ser aquele que realmente vigora no nosso pobre país.DOIS SISTEMAS
Por total desconhecimento, muita gente não gosta do Capitalismo porque não tem ideia de que desde o momento em que os portugueses colocaram os pés aqui, o Brasil só conheceu dois Sistemas Econômicos: o Socialismo (baseado em empresas estatais) e o Mercantilismo (onde as empresas privadas são criadas com o propósito de fornecer e/ou fazer conchavos com governos).CAPITALISMO
É necessário ter em mente que o Capitalismo depende de dois fatores principais e vários outros, que mesmo considerados secundários não deixam de ser importantes. Fiquemos com os principais: 1- livre mercado; e, 2- concorrência. Sem liberdade e sem concorrência o Capitalismo simplesmente não existe.SUBSÍDIOS
Ora, quando qualquer atividade econômica é beneficiada com algum tipo de subsídio (governamental), esta forma de favorecimento significa uma intervenção. Como isto não existe no Capitalismo, este Sistema Econômico não pode ser culpado por aquilo que não é praticado no nosso país, onde o que mais existe são privilégios e/ou benefícios.SETOR AGRÍCOLA
Observando o Setor Agrícola, aí fica clara a prática centenária do Mercantilismo no Brasil: basta um problema climático, ou uma queda de preço de algum tipo de grão para que o governo entre em cena aceitando renegociar as dívidas dos agricultores. Logicamente, com prazos a perder de vista e com juros sempre menores.INDÚSTRIA E COMÉRCIO
Já no setor industrial, tanto as empreiteiras quanto as empresas que compõem a indústria automobilística são representantes diretas do Mercantilismo. Quando a quantidade de empresas é grande, o que leva muita gente a imaginar a existência de concorrentes, aí o que impera é o Cartel. E no setor comercial basta verificar o que acontece com as empresas distribuidoras de combustíveis: mesmo com a existência de milhares de postos, quase todos se obrigam a cumprir uma tabela de preços imposta pela vontade do Cartel.FARSA
Este Sistema Econômico chamado MERCANTILISTA, repito, veio para o Brasil à bordo das naus portuguesas. Até porque durante o Antigo Regime, a política econômica adotada na Europa era o Mercantilismo. Os governos absolutistas, como revela a história do Velho Mundo, tinham por hábito interferir, demasiadamente, na economia de seus países-reinos.São mais de quinhentos anos, portanto, de pura cumplicidade e conchavos entre empresários e governantes, com o propósito de explorar de todas as formas possíveis e imaginárias o consumidor e/ou o pagador de impostos.Mais: quando a concorrência consegue uma brecha para atuar, o que geralmente só é possível entrando pelas frestas, principalmente de produtos vindos do exterior, aí a turma dos protecionistas entra em cena para, imediatamente, sufocar a ação, acabando, assim, com a curta festa de quem consome. Por isso é que no Sistema Mercantilista, nem governantes nem empresários se propõem a tomar medidas corretas e necessárias. Todos gritam a favor de mais competitividade, mas este pleito não passa de uma farsa.DE NOVO
Volto a repetir o que já disse aqui inúmeras vezes: não me faz nem um pouco feliz o fato de criticar governos e/ou todos aqueles que tomam decisões de âmbito coletivo , quando o propósito é diminuir a liberdade individual e/ou atacar as consequências dos problemas, deixando intactas as suas causas.FUNDAMENTOS
Aqueles que tem por hábito ler o Ponto Critico já têm consciência de que todos os comentários e críticas aqui publicados são sempre acompanhados dos devidos fundamentos. Assim, concordando ou não com as críticas, o que é um direito indiscutível, os leitores conseguem argumentar e discutir sobre os mais diversos temas abordados.EXEMPLO
Ontem, por exemplo, na apresentação do balanço de final de ano da FIERGS à imprensa, o presidente da entidade mostrou estar satisfeito com a decisão do governo Dilma de desonerar a folha de pagamento de vários setores da economia, através da substituição da cota patronal devida ao INSS, pela alíquota de 2% sobre o faturamento.DÉFICIT DA PREVIDÊNCIA
Como do povo brasileiro em geral não pensa, motivado pelo baixíssimo grau de educação adquirido, quando isto acontece o pensamento não se faz acompanhar pelo devido discernimento. Assim, poucos são aqueles que perceberam que o déficit da Previdência simplesmente não foi resolvido.ILUSÃO
Explico (ou fundamento): a eventual redução de custo da folha, para um ou outro setor industrial, promove um rombo de igual valor nas contas da Previdência (Regime Geral da Previdência Social, ou, INSS), certo?Ou seja, o CUSTO BRASIL continua ali, igual e enorme. O problema, repito, continua intacto. Como nada foi resolvido, tudo não passa de uma mera ilusão.REFORMAS
Daí a razão pela qual tenho me debatido muito pelas REFORMAS. Sem elas, principalmente a da Previdência, a Trabalhista, a Fiscal e a Tributária, nada se resolve. Todas as medidas e decisões, quando não são atacadas as causas, tem efeito nenhum. Ou até que alguém perceba que foi iludido e/ou enganado.PÁGINAS AMARELAS
Quem não acredita suficientemente neste editor, mas mesmo assim tem interesse de conhecer melhor as causas que impedem o Brasil de ser um país desenvolvido, sugiro a leitura das páginas amarelas da revista Veja desta semana, cujo entrevistado é Kevin Kaiser, economista do Ensead.THE ECONOMIST
Quando li, na última sexta-feira, o que a revista britânica The Economist publicou a respeito do mau desempenho da economia brasileira (com o título O Brasil Despenca), sugerindo, inclusive que o ministro da Fazenda, Guido Mantega deveria ser demitido, naquele exato momento comecei a escrever o editorial de hoje.O BRASIL (NÃO) DECOLA
O meu único propósito era lembrar que fui um dos raros comunicadores que contrariou a The Economist, quando na edição de 11/12/2009 (exatos dois anos atrás) a importante revista britânica dedicou a capa ao Brasil, com a foto do Cristo Redentor subindo como um foguete, com o título: O Brasil Decola.EQUÍVOCO
Naquela ocasião, volto a afirmar, considerei um equívoco o que a The Economist publicou sobre o Brasil. Lembro, por conseguinte, as críticas agressivas que recebi por não concordar com a revista, que dizia que o Brasil estava pronto para se tornar a quinta maior economia do mundo em uma década após 2014, ultrapassando o Reino Unido e a França.REAÇÕES FURIOSAS
Quando já estava com o editorial praticamente concluído, evidenciando o baixo conhecimento do repórter britânico sobre o Brasil, eis que no final da tarde (de sexta-feira) me deparei com as reações furiosas, tanto da presidente Dilma Rousseff quanto do ministro Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, condenando o que a revista publicou quanto à incapacidade do ministro Mantega.PLÁGIO
Pois, ontem, ao ler a Carta ao Leitor da revista Veja que acabara de chegar ao meu endereço, cheguei a pensar que não deveria publicar este editorial. Simplesmente, porque muitos leitores do Ponto Critico poderiam (com boa dose de razão) imaginar que eu estaria plagiando a Veja.EM FRENTE
Porém, quando me veio a lembrança de que a Veja, lá em 2009, não foi capaz de contrariar a The Economist e só agora expõe as razões para o mau desempenho da economia brasileira, resolvi ir em frente ressaltando o tipo de comportamento de quem só desenvolve a incompetência. As decisões tomadas por Mantega provam claramente isto. E a reação de Dilma confirma tudo.A VELHA ARROGÂNCIA
Em 2009, o governo petista brasileiro se sentiu feliz, realizado e convencido de que a The Economist era a melhor e a mais séria revista deste mundo porque elogiava o nosso país e, por consequência, o governo Lula. A velha arrogância encobria a visão de que muita coisa pudesse dar errado (como veio a acontecer de fato). Agora, quando o mundo já percebeu que o Brasil não foi preparado para decolar, mas para despencar para o passado, quem não presta é a revista The Economist. Para finalizar, eis aí a última projeção de crescimento do PIB 2012, segundo consta no boletim da revista Focus ( divulgado hoje pela manhã pelo Banco Central): queda de 1,27% (dado da semana passada) para 1,03%. Que tal? Ah, a previsão para 2013 também recuou. De 3,7% para 3,5%. Os grandes culpados disso tudo são: o Ponto Critico e a The Economist. Certamente.MÉRITO POLÍTICO?
Esta é da série: OS GAÚCHOS ADORAM SOFRER! Para atestar o quanto os gaúchos, em geral, gostam de aplaudir o fracasso, um dos escolhidos para ser agraciado com o troféu -Mérito Político- do Prêmio Líderes & Vencedores 2012, promovido pela Federasul e pela Assembléia Legislativa do RS foi o governador Tarso Genro.REGULAMENTO
O Regulamento da premiação diz: - Pela rigidez dos critérios, imparcialidade e pluralidade que marcam o processo de escolha, os 12 premiados são referenciais para a sociedade gaúcha, por sua força empreendedora, dignidade política, criatividade ou desprendimento social. A essência do Líderes & Vencedores tem como lastro a representatividade dos premiados. Que tal?COMISSÕES COORDENADORAS?
Para definir os agraciados do Prêmio Líderes & Vencedores foram instituídas as comissões Coordenadoras, Indicadoras e Julgadoras. Em cada categoria, uma Comissão Indicadora, formada por jornalistas e personalidades da área, elabora uma lista de nomes para concorrer ao prêmio. A partir dessas indicações a Comissão Julgadora, constituída por premiados em edições anteriores e personalidades destacadas em sua atividade, seleciona os agraciados. A Comissão Coordenadora de cada categoria orienta e supervisiona o processo, além de acompanhar as reuniões das Comissões Julgadoras. Todas as etapas são verificadas pela empresa de auditoria Moore Stephens.UM DOS PIORES DA HISTÓRIA
Pois é, gente. O Estado do RS tem no atual mandato um dos piores governos da história deste país. O PIB gaúcho de 2012 fechará no negativo (algo como -2%); e o Déficit das contas públicas é definido como catastrófico. E mesmo assim o governador do RS será agraciado com o troféu -Mérito Político-. Pode?OUTRO AGRACIADO
Mais: além de Tarso, o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, também será agraciado. Certamente, não por bons serviços, pois estes não existiram. O nome do deputado federal Nelson Marchezan Júnior, por exemplo, sequer foi cogitado. Talvez, por ter sido o único parlamentar que protestou contra os projetos de aumentos salariais, que irão custar cerca de R$ 30 bi aos cofres da União nos próximos 2 anos. Sem contar os mais de 8 mil cargos que foram criados.COMPROMISSO
Marchesan Jr. não deve ser muito bem visto pelos indicadores e julgadores do Prêmio. Só pode. Principalmente, porque se preocupa com as contas públicas. Assim, não tem porque nem como merecer premiação.TUDO A VER
Tudo leva a crer que a indicação e/ou aprovação do nome de Tarso se deu após a magnífica expedição comercial e industrial que liderou à pujante Ilha de Cuba. Depois que li a nominata dos agraciados uma coisa me pareceu muito clara: se os organizadores vierem a criar um prêmio para o melhor país do mundo, a comissão indicadora e julgadora não titubeariam em escolher Cuba, a pujante Ilha do Dr. Castro. Tudo a ver, não?CHILE
Enquanto o PIB brasileiro encolhe a cada semana como informam tanto o Boletim Focus quanto o IBGE, o PIB do Chile não para de crescer. Mais: vai além das expectativas do mercado, como informa o IMACEC (Indicador Mensual de Actividad Económica).IMACEC
Na semana passada, por exemplo, a projeção do IMACEC apontava para uma alta de 5% para o PIB chileno, em 2012. Nesta semana a expectativa mudou. Para melhor, gente. Agora, o crescimento econômico esperado para aquele importante país andino é de 5,7%. Que tal?MATRIZ
Nunca é demais repetir que o Chile não é diferente dos demais países do mundo. Isto significa que também está sendo afetado pela crise mundial. A diferença, entretanto, é que além de Pinochet ter feito as reformas necessárias, com o auxílio dos Chicago Boys, os governos que o sucederam não mexeram na matriz de desenvolvimento. Simples, não?SEM DISCURSOS
Um outro detalhe importante é que em nenhum momento os governantes chilenos saíram mundo afora discursando contra as políticas de austeridade adotadas pelos países da União Europeia. Trataram de enfrentar as adversidades com mais competitividade.PRIMEIRO MUNDO
Este crescimento do PIB do Chile, portanto, nada mais é do que uma resultante da matriz moderna de desenvolvimento do país. Lá a carga tributária é baixa, a competitividade é alta e a burocracia não emperra os negócios. Por isso, o Chile é considerado o único país de primeiro mundo situado na América Latina.OUTROS PAÍSES
Além do Chile, outros países, como o México, Peru e Colômbia, também devem apresentar crescimento econômico robusto em 2012. Pelos mesmos motivos. Como todos os quatro países acima se fizeram representar na reunião de Cúpula Ibero-americana, em Cádiz, no mês passado, é bom lembrar que nenhum de seus líderes esteve lá para dizer que, se não for dado um basta na austeridade, os países latinos sairão prejudicados. Só a Dilma teve esta preocupação...CORRUPÇÃO
Nesta semana, como estamos assistindo, o governo Dilma resolveu adotar medidas cuja pretensão é fazer o Brasil crescer em 2013. Começa com enorme atraso, pois já se passaram dois anos desde que assumiu. E, até agora, a única colheita farta no país foi, sem dúvida alguma, a CORRUPÇÃO. Neste quesito, o Brasil se deu bem. Muito bem...