Espaço Pensar +

LIBERDADE SEGUNDO A NOVA ESQUERDA


Texto do pensador Hélio Beltrão


Em texto publicado na Folha de São Paulo de 19/5, Pablo Ortellado sugere que o Estado deve controlar o conteúdo disseminado nas plataformas de REDES SOCIAIS, tais como Instagram, Facebook, Twitter e YouTube, incluindo aplicativos de mensagens, como WhatsApp.
 

Essa é precisamente a ideia do projeto de lei dos deputados federais Felipe Rigoni e Tabata Amaral, que obriga as redes sociais a bloquear toda desinformação, definida como "conteúdo enganoso" que "possa causar risco" à "estabilidade democrática", à "integridade moral" de pessoas e grupos por sua "visão ideológica" ou à "saúde coletiva", entre outros.
 

Em descumprimento, a rede social sofrerá multa de até 10% de seu faturamento, suspensão de atividades ou proibição de operar no país. O projeto institui os vangloriosos "verificadores de fatos" (consulte o dicionário de novilíngua), que checarão todo conteúdo em uma contínua batalha contra a "desinformação" no seu celular.
 

Umberto Eco certa vez afirmou que três quartos da narrativa de Orwell não são ficção distópica, mas história. A nova esquerda no Congresso planeja tornar história o quarto faltante, com essa "Lei da Verdade" e seu aparato associado, em essência uma polícia de pensamento para banir pontos de vista alternativos à monocultura intelectual do melindre.
 

As redes sociais são plataformas que fornecem um fórum digital para conectar pessoas e facilitar o compartilhamento de informação e opiniões de seus usuários. Permitem que todos aqueles que tenham acesso à internet criem conteúdo, democratizando a informação. O usuário voluntariamente aceita disponibilizar informações selecionadas (nem sempre há transparência) e se submeter às regras de conduta em troca de usar gratuitamente sua rede de preferência.
 

A LIBERDADE DE EXPRESSÃO não significa que se possa dizer o que quiser, onde quiser. Em casa, você pode vedar um discurso com o qual não concorda. O mesmo vale para os gestores de uma escola privada ou de um espaço de conferências. Similarmente, os gestores da rede social têm liberdade para determinar as regras de conduta e o discurso inaceitável em seu domínio.
 

No entanto, devido a pressões de grupos organizados e de políticos aos pedidos de remoção de conteúdo, as redes sociais estão censurando conteúdo com valor social relevante.
Em geral, conservadores e liberais são os mais atingidos pela remoção e censura. Em resposta, alguns passaram a apoiar a regulamentação estatal das redes, de mãos dadas, com muito álcool em gel, com a esquerda censora. É um erro. Se a opinião permissível for decretada pelo Estado, apenas a opinião oficial será permitida.

 

A censura mais assustadora é exatamente a governamental, prevista pelo projeto de Lei da Verdade. Para os estatistas elitistas que a apoiam, o brasileiro comum é incapaz de julgar a veracidade e a relevância de um comentário em redes ou de um discurso de um político; é incapaz de defender seus interesses e filtrar aquilo que o engrandece.
 

Para eles, o brasileiro é continuamente manipulado por terceiros, ao contrário deles, sábios elitistas que não sofrem manipulação nem manipulam. Por isso, dizem, é preciso que os donos da verdade proíbam que determinado conteúdo venha à tona e seja discutido abertamente.
 

Não importa que seja uma conversa a dois no WhatsApp. É tudo dentro do Estado, nada fora do Estado, tal qual dizia o fascista Mussolini. Afinal, pensam, o que você tem a esconder? Não estaria espalhando desinformação por aí, certo?
É reveladora e irônica a atitude desses censores: no fundo, devem considerar verdadeiro o que desejam censurar, pois quem se julga correto acolhe com prazer a oportunidade de expor e refutar o oponente. A solução apropriada para a desinformação é precisamente mais informação


Leia mais  

CENTO E SEIS REGRAS “A FAVOR” DA LIBERDADE


Texto do pensador Percival Puggina  - 01.06.2020

 

Tudo indica que o senador Alessandro Vieira (CIDADANIA/SE), conseguirá aprovar seu projeto de lei nº 2630, de 2020, instituindo a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet.

 É sabido que a esquerda não conseguiu manter, no terreno da Internet e suas redes sociais, a hegemonia que mantém e preserva no campo cultural. Portanto, controlar o território adversário é uma alternativa estratégica importante, notadamente ao se avizinhar uma campanha eleitoral. Os sintomas da aprovação do projeto são assustadores e reais.

 

• O avulso inicial da matéria, segundo o site do Senado Federal, é do dia 15 de maio.

• O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, já avisou que levará a matéria à votação no dia 5 de junho.

• De regra quase geral, autores de projetos só se empenham pela sua inclusão em pauta quando têm certeza da aprovação.

• Com a vida em ritmo de Covid-19, um lapso de 20 dias entre apresentação do projeto e deliberação pelo plenário é evidência de que está tudo sob controle para que ele vire lei federal.

 

Embora o nome do projeto use três palavras “politicamente corretas” é sabido que elas costumam ser politicamente abusadas. E é exatamente isso que sugere o pacotaço de preceitos que passará a reger a Internet no Brasil. Você poderá ler seu texto inicial aqui. Se o fizer, terá de se haver com 12 páginas nas quais se engalfinham 31 artigos contendo 106 preceitos e 6 remissões. Mas saiba: é tudo pela liberdade, responsabilidade e transparência. É tudo para que você se sinta seguro como um bebê na sua cadeirinha deixando que gente grande decida o que você terá em suas mãos.


Leia mais  

CONFESSA VÍDEO! CONFESSA!


por Percival Puggina. Artigo publicado em 26.05.2020 

 

 

 Não é difícil entender o que se passa nos grandes veículos de comunicação. É compreensível seu desalento face sucessivas frustrações que os fazem migrar permanentemente de uma pauta para outra, com esperanças saltitantes em busca de alegrias incertas.

Os eventos pelos quais passeavam ansiosas suas manchetes vinham, sempre, acompanhados do adjetivo “devastador!” porque ali adiante derrubaria o governo e silenciaria a voz na garganta daqueles chatos afeiçoados à bandeira do Brasil. A unanimidade monocromática dos grandes veículos era pouco convincente e seu objetivo... devastador.

Na manhã do dia 24 de abril, quando Moro proferiu seu epílogo como ministro da Justiça, essa mídia bebeu à última gota a taça da vitória. A nação, tanto pelo sim quanto pelo não, quase foi, inteira, para o respirador artificial. E ali ficou até o fim da tarde, quando o presidente expôs sua versão dos mesmos fatos e milhões de brasileiros voltaram a respirar por meios naturais. A mídia, porém, não se deu por achada e desviou sua atenção para o delegado Valeixo, que seria a vítima das soturnas intenções de Bolsonaro. Não funcionou, Valeixo disse que nunca foi pressionado. De Valeixo, os veículos pularam para o inquérito solicitado por Aras e autorizado por Celso de Mello. Os depoimentos, tornados públicos, deram em nada. Mudaram-se para uma presumível reação militar ante a forma como foram tratados os três generais convocados a depor. Mais uma vez nada. Da soma dos depoimentos, nem Celso de Mello achou algo que proporcionasse alento ao tal efeito devastador.

Restava o vídeo. Ali, na íntegra, toda a reunião, face to face, haveria de emergir a devastadora verdade. E foi o que se viu. Até Janaína concluiu que Bolsonaro saiu reeleito daquela absurda sessão de cinema.

Assim, a partir do dia 22 de maio, o dólar caiu, a bolsa subiu e a saltitante mídia disfarça seu inferno astral esquartejando o vídeo e submetendo-o, frase por frase, a um pau de arara analítico, exigindo-lhes a confissão do que elas se recusam a contar.

Com quanto orgulho se dizem comprometidos com a verdade, enquanto assim procedem! No entanto, não é a verdade que buscam, mas uma confirmação da narrativa – devastadora! – que já fizeram e que sumiu dos acontecimentos sob os olhos atentos do seu próprio público.

 


Leia mais  

MINISTÉRIO PÚBLICO VIROU SINDICATO, E COM TODOS OS VÍCIOS DE SINDICALISMO


Texto do jornalista J. R. Guzzo, publicado na Gazeta do Povo de hoje, 21/5

 

De todas as desgraças que aconteceram na Justiça brasileira nos últimos 30 anos, é provável que nenhuma se compare em toxidade com a sindicalização do sistema judiciário como um todo – juízes, procuradores e tudo o que têm em torno de si. O Ministério Público — seja o da União, que engloba Brasília, seja o dos 26 estados — é a parte pior.

 

Por via da Constituição destrutiva que desde 1988 condena o país ao atraso eterno, o MP, um monstro com cerca de 14 mil procuradores e 45 mil funcionários, não está subordinado a nenhum dos três poderes legais da República, não presta contas a ninguém e nenhum dos seus membros precisa ser eleito pelos cidadãos para exercer a autoridade do cargo. Eleições, ali, só as “internas”, entre eles próprios – e cada vez que se olha para isso é simplesmente um horror.

 

O fato é que, ao longo do processo de degeneração que vem passando desde a sua criação, o MP transformou-se num sindicato ilegal (sob o disfarce de “associações”), com todos os vícios do sindicalismo. Esses sindicatos não representam, de fato, o conjunto dos procuradores federais e estaduais que há no Brasil. É claro que não: desde quando um sindicato brasileiro, qualquer que seja, representou de verdade a categoria de trabalhadores que representa?

 

 

No MP é pior ainda. Suas eleições são armadas para impedir a expressão da maioria dos procuradores e o resultado óbvio é que as “associações” que falam e agem em nome de todos são, na verdade, controladas por facções políticas antidemocráticas. Estão empenhadas em três coisas: arrancar do contribuinte salários, vantagens e privilégios cada vez mais agressivos, fazer militância ideológica e excluir da direção da “categoria” qualquer possibilidade de outras opiniões.

 

O último retrato desde naufrágio são as eleições para o Conselho Superior do Ministério Público Federal, ou CSMPF, uma espécie de CUT dos procuradores da União: mais uma vez, suspeita-se a existência de fraude, como acontece normalmente no mundo sindical.

 

Uma comissão formada para acompanhar os trabalhos adiou por um mês a eleição ao descobrir numa auditoria que os donos da “categoria” usavam para organizar a votação uma “plataforma eletrônica” interna (um negócio chamado “Valum”) que não pode garantir objetivamente a honestidade da eleição. É essa mesma central sindical, em eleições deste tipo, que faz as “listas tríplices” para a escolha das grandes chefias do MP.

 

Não pode dar certo, nunca deu e nunca dará. Mas vai continuar assim, porque o Brasil é cada vez mais um cartel montado para mandar no Estado e no erário público.


Leia mais  

EM BUSCA DO PODER ETERNO


Texto do pensador Percival Puggina 20/05/2020

 

 

 Em “o Retrato de Dorian Gray”, o personagem criado por Oscar Wilde tem as mudanças físicas que o tempo determina transferidas para o retrato que tanto o encantara, enquanto ele, numa vida de crescente devassidão, permanece eternamente jovem.

 

Ainda mais sedutora que a eterna juventude é a eternidade do poder. Sobre isso, aliás, escreve Oscar Wilde:

Influenciar uma pessoa é dar-lhe a nossa própria alma. O indivíduo deixa de pensar com os seus próprios pensamentos ou de arder com as suas próprias paixões. Suas virtudes não lhe são naturais. Seus pecados, se é que existe tal coisa, são tomados de empréstimo. Torna-se o eco de uma música alheia, o ator de um papel que não foi escrito para ele.

 

Esse resultado, extremamente gratificante, que produz tão radical entrega do “eu” alheio, é um fenômeno comum na comunicação social. Durante séculos da história da imprensa, o ambiente fumegante das salas de redação e o matraquear das máquinas de datilografia, os estúdios de rádio e TV, eram espaços de um poder com titulares eternos, desestabilizado pela atividade caótica, mas profundamente democratizante das redes sociais. Esse espaço é duplamente democratizante porque, de um lado está acessível a quem queira ali atuar e, de outro, reduz a concentração de poder até então exercido por número limitadíssimo de indivíduos.

 

Tornou-se frenético o mostruário das interpretações. Quaisquer fatos se expressam em mil formatos e suscitam mil boatos. Há um conflito aberto entre a mídia formal e as redes sociais. Aquela se apresenta como sendo o jornalismo sério e declara as redes sociais como ambiente prioritário das fake news.

 

Nem tanto ao mar, nem tanto à praia. A grande mídia simplesmente não noticia boa parte do que não serve aos seus objetivos. Ela pode ser, ou se tornar, tão politicamente orientada quanto costumam ser muitas redes sociais. Alinhou-se de tal modo à esquerda brasileira que esta tem preferido terceirizar sua ação política. Usa e abusa das fake análises. Parece óbvio que veículos de grande público adotam cautelas para evitar o terrível desconforto de divulgar notícias falsas (as conhecidas “barrigas”) que demandam constrangidos pedidos de desculpas. Não se diga o mesmo, porém, sobre as análises incongruentes com os fatos, montadas sobre premissas falsas.

 

Vejo com entusiasmo libertador a atividade das redes sociais. É um território de comunicação povoado por analistas brilhantes. Mas há também, nesse mundo caótico, o veneno das fake news, que só servem para desacreditá-las. É preciso combater essa maldição que permite à mídia militante dar vazão a seu antagonismo. Diariamente recebo dezenas de notícias falsas, informações erradas, textos atribuídos a autores que não os escreveram, imagens adulteradas.

 

A mentira, assim como a falsificação e outros modos de enganar o próximo, é uma forma gravíssima de corrupção. É corrupção de algo precioso, de um bem tão valioso quanto a esperança. A mentira é a corrupção da verdade. As deformidades no retrato de Dorian Gray podem servir como advertência a quem abusa de um poder que crê eterno.


Leia mais