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COMO FABRICAR POBREZA SEM PERDER A -VIRTUDE-. - 10.07.26


Por Alex Pipkin, PhD em Administração

 

Existe uma fórmula quase infalível para fabricar pobreza sem abrir mão da superioridade moral.
A receita é antiga, embora continue sendo vendida como novidade; singela, embora funesta. Gasta-se antes de produzir, distribui-se antes de criar riqueza, transforma-se o lucro em pecado e o prejuízo em certificado de virtude. Parte-se da convicção de que decretos podem revogar as leis da economia e, quando a realidade apresenta a conta, culpa-se o capitalismo por não cumprir uma promessa que jamais fez.
Quase sempre, aliás, confunde-se mercado com o velho compadrio estatal que prospera justamente à sombra do poder.
O mais curioso é que esse mofo intelectual continua sendo tratado como vanguarda. Mudam as narrativas, renovam-se as hashtags e multiplicam-se os manifestos, mas o desfecho raramente muda.
Têm-se menos investimento, mais dependência do Estado, crescimento anêmico e uma liberdade econômica cada vez menor.
O espetáculo ganha um capítulo à parte quando surgem os novos engenheiros da sociedade. São movimentos conduzidos por jovens de convicções inabaláveis e currículos ainda em branco, que conhecem a opressão muito mais pelos livros do que pela experiência de criar riqueza, administrar organizações ou assumir riscos.
Movidos por um idealismo frequentemente sincero, confundem intenções com resultados e passam a exigir pacotes de bondades cuja conta recai justamente sobre aqueles que pretendiam proteger.
A economia tem um defeito imperdoável para os arquitetos da utopia; ela não reconhece certificados de virtude. Responde apenas a incentivos, segurança jurídica, produtividade, investimento e responsabilidade fiscal. Quando esses fundamentos são substituídos pelo voluntarismo político, o desastre pode até demorar, mas nunca perde o endereço.
A política consegue sobreviver algum tempo alimentada por narrativas.
A realidade, não; não negocia com desejos, e não se impressiona com palavras de ordem.
A realidade tem um vício insuportável para os engenheiros da utopia; ela insiste em cobrar resultados de quem só apresenta intenções.
É por isso que toda tentativa de fabricar prosperidade sem produzir riqueza termine fabricando exatamente o contrário.


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A FÁBRICA DOS ESPANTOS - 03.07.26


Por Alex Pipkin, PhD em Administração

 

Poucos personagens atravessaram o tempo com tanta elegância quanto Dr. Jekyll e Mr. Hyde. Um exibia a respeitabilidade das boas maneiras; o outro revelava aquilo que as etiquetas escondiam. A diferença é que, na vida real, ambos cansaram da literatura e resolveram trabalhar na mesma redação.
Num editorial, derramam-se lágrimas pelo avanço do crime organizado, denuncia-se a infiltração das facções na economia e manifesta-se virtuosa preocupação com a erosão das instituições. No seguinte, celebra-se o gigantismo do Estado, romantizam-se burocracias cada vez menos sujeitas a controles, relativizam-se alianças politicamente convenientes e qualquer tentativa de impor limites ao poder passa a ser rotulada como ameaça à democracia.
É uma sofisticada linha de montagem de perplexidades.
Primeiro, naturalizam-se os cupins que corroem os freios institucionais. Depois, publicam-se editoriais indignados, perguntando por que o teto desabou.
O editorial de O Globo sobre as sanções americanas contra brasileiros oferece um exemplo inquestionável dessa engenharia intelectual. A preocupação com eventuais arbitrariedades merece respeito. O que causa espécie é a própria perplexidade. De onde imaginavam que surgiria a promiscuidade entre organizações criminosas, interesses econômicos e estruturas públicas? Do acaso? Da geração espontânea?
Durante anos, confundiu-se a defesa das instituições com a defesa de seus ocupantes; princípios passaram a variar conforme a conveniência do momento, e a coerência transformou-se em artigo de luxo.
Instituições não apodrecem por geração espontânea. Apodrecem quando a complacência deixa de ser exceção e passa a ser a estratégia.
Há muito tempo, parte da imprensa trocou o desconfortável dever de vigiar o poder pela confortável tarefa de administrá-lo moralmente. Os fatos passaram a valer menos do que a identidade de seus protagonistas; a régua estica ou encolhe conforme o acusado; o que ontem era um escândalo intolerável transforma-se, no dia seguinte, em detalhe irrelevante, desde que o personagem seja o “correto”.
Quando a coerência se torna seletiva, a credibilidade não desaba. Evapora, editorial após editorial, até que já ninguém consiga distinguir jornalismo de ativismo bem-redigido.
Depois aparecem os editoriais perplexos.
Como se a realidade tivesse a obrigação de bater continência para as narrativas.
Narrativas administram reputações na bolha. A realidade administra consequências no chão de fábrica.
O azar dos fabricantes de perplexidades é que a realidade não frequenta redações.
Ela frequenta os fatos.


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FUTURO ADIADO - 01.07.26


Alex Pipkin, PhD em Administração
 
Existem sociedades que resolvem problemas. Outras aprendem a conviver com eles.
No início, a diferença parece pequena. Com o tempo, torna-se a diferença entre construir o futuro e apenas sobreviver ao presente. As primeiras enfrentam as causas, mesmo quando isso exige sacrifícios. As segundas especializam-se em administrar consequências, adiar reformas e transformar soluções provisórias em modo permanente de governar.
Esse é o retrato mais preciso do Brasil.
Já não nos falta diagnóstico. Falta-nos disposição para enfrentar aquilo que o diagnóstico exige.
Substituímos a coragem de reformar pela habilidade de remendar.
Cada dificuldade produz um novo programa. Cada distorção gera uma nova regra. Cada fracasso justifica mais gasto, mais exceções e mais improviso. O problema nunca desaparece, apenas muda de lugar.
É como o navegador que passa a vida ajustando as velas enquanto se recusa a admitir que o casco faz água.
O mais inquietante é que esse mecanismo já não depende de um governo. Ele aprendeu a se reproduzir sozinho.
Todo sistema duradouro produz aquilo de que mais necessita; pessoas adaptadas ao seu funcionamento.
Governos passam, partidos passam, e narrativas passam. A engrenagem permanece.
Pouco a pouco, a política adapta seu discurso ao momento, a burocracia protege a si mesma, grupos organizados preservam seus benefícios e os cidadãos passam a considerar normal aquilo que, uma geração antes, pareceria inaceitável.
É assim que uma sociedade perde a capacidade de imaginar um futuro diferente.
Fala-se muito em empatia, mas quase nunca naquela dirigida às únicas pessoas totalmente ausentes da arena política. São as que ainda não nasceram. Elas herdarão o custo de cada reforma adiada, de cada privilégio preservado e de cada decisão substituída pela conveniência do presente.
A maior injustiça social não é a desigualdade entre os vivos. É permitir que uma geração consuma as oportunidades que pertencem à seguinte.
Civilizações não entram em declínio quando deixam de identificar seus problemas. Entram em declínio quando transformam o adiamento em estratégia, a adaptação em cultura e o futuro no lugar para onde empurram as consequências do presente.
Nesse momento, o amanhã deixa de ser uma promessa. Torna-se o espelho das escolhas que insistimos em adiar.


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OS PARASITAS USAM A FORÇA - 30.06.26


Por Roberto Rachewsky

 

Elon Musk ficou rico com o dinheiro dos outros, assim como os políticos ficaram ricos com o dinheiro alheio.

 

Não está aí o problema da riqueza. A acumulação de riqueza nunca foi um problema. O problema não é matemático, não é econômico. O problema é moral, é sobre escolhas.

 

Elon Musk ficou trilionário porque ele teve uma visão, ideias que por serem benéficas para milhões ou até bilhões de pessoas, fizeram elas escolherem livremente investir nelas ou adquirir os produtos por ele inventados, produzidos e comercializados.

 

Elon Musk se tornou o mais rico indivíduo da história porque o mundo resolveu fazê-lo assim, voluntária e espontaneamente, para terem acesso ao que ele criou, sejam os produtos ou as oportunidades oferecidas no mercado de bens de consumo ou de capitais.

 

E os políticos que também enriqueceram através dos conchavos no governo, da corrupção, da extorsão? Eles também enriqueceram com o dinheiro dos outros, como Elon Musk.

 

A diferença é que Elon Musk chegou lá exercitando o princípio do comerciante, trocando valor por valor. O valor que ele tinha pelo valor que seus investidores ou consumidores tinham e escolheram nele depositar.

 

Esses políticos que enriqueceram usando a coerção estatal ou roubo, ou fraude, ou corrupção, não deram nada em troca pelo dinheiro obtido que o público já não tivesse. É a aplicação do princípio do parasita, simplificada na máxima do assaltante quando este diz: "A bolsa ou a vida".

 

Ora a vida já temos, a bolsa também. A ameaça coercitiva do parasita implica em uma falsa escolha. Essa é a questão moral que separa os Elon Musks da vida dos ministros do STF, dos burocratas das estatais, dos políticos do Congresso ou do Executivo, dos burocratas e juízes dos tribunais.

 

Elon usa a razão, os parasitas usam a força.


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UMA PRIMAVERA PARA O BRASIL - 29.06.26


Por Percival Puggina
 
Guias cegos! Coam um mosquito, mas engolem um camelo.” (Mateus 23:24)
 
 Pelas razões de sempre, é muito provável que a imensa maioria de nossos jovens nunca tenham ouvido falar na Primavera de Praga. No entanto, aquele acontecimento primaveril contra o qual o inferno comunista brutalmente arremeteu, entrou para a história e para o vocabulário político. A Tchecoslováquia era um daqueles belos países invadidos por Hitler em 1939 e transformados em despojos de guerra pelo comunismo soviético em 1945. Bota azar nisso! Já haviam transcorridos 23 anos quando, em 1968, o chefe de Estado tcheco, Alexander Dubcek, influenciado pelas ideias liberais de Ota Sik, mobilizou a população por reformas que ele mesmo cuidou de implantar. Ao arrepio das regras impostas por Moscou para todas as nações atrás da Cortina de Ferro, ele acabou com a censura, reabilitou os presos do regime e promoveu liberdades políticas e econômicas.
 
Com grande repercussão internacional, a situação se tornou intolerável para Leonid Breznev, líder soviético de então, que mandou meio milhão de soldados e tanques russos trazerem de volta ao cativeiro a desafortunada nação. A Primavera de Praga, porém, foi tão marcante que acabou dando nome “Primavera” a eventos libertários anteriores e posteriores, como a rebelião húngara de 1956, ocorrida 12 anos antes, à Primavera Árabe, iniciada em 2010 com consequências em países do Norte da África e Oriente Médio, ao movimento popular chinês de 1989, vitimado pelo massacre da Praça da Paz Celestial e até aos recentes protestos cubanos encerrados a pauladas no ano de 2021.
 
Faço este preâmbulo porque preciso dele para dar ênfase ao tema deste artigo num país onde a História é muito mal contada, manipulada e cheia de lacunas. Temos diante de nossos olhos as razões e, no calendário, o devido tempo para promovermos, no dia 5 de outubro, uma necessária Primavera Brasileira.
 
O simples fato de você, leitor, ter severas dúvidas sobre a possibilidade de que isso venha a acontecer fornece a prova da necessidade de que aconteça. Estão muito erradas as coisas em um país onde as pessoas perderam a confiança no Estado. Um país onde, em troca, o Estado não confia nas pessoas e não esconde o desejo de limitar a expressão das opiniões para manipulá-las mediante argumentos infames.
 
Foi nessa maré que se produziu a fragorosa derrota de uma nação pela falsa revolução dos omissos de 2022, militantes no cativeiro do sofá. Entregaram a própria casa – a Pátria que herdamos de nossos antepassados – para quem lhes é adversário em tudo que importa. Parecem feitas à medida deles as palavras de Jesus em João, capítulo 10, versículo 12, sobre aqueles que fogem quando vem o lobo para as roubar e dispersar.
 
Foi assim que o Brasil se tornou, em pouco tempo, o país dos escândalos seletivos, dos guias cegos e das blindagens. Uma nação protetora de suas prósperas organizações criminosas e tóxica em relação aos bens não materiais, apreciados, até mesmo, pelos revolucionários do mau humor, na prisão domiciliar dos sofás. Sai daí, cara! Quando o inverno acabar, vamos extrair desta eleição a Primavera do Brasil.


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REGIME TIRANO, NAÇÃO PELO CANO - 24.06.26


Por Percival Puggina

 

            Há alguns anos fui convidado, por um grupo católico, a falar sobre liberdade econômica e prosperidade social. A abordagem que fiz aproveitava o ensinamento proporcionado pelas trágicas experiências da Cortina de Ferro e do Muro de Berlim. Aquelas linhas divisórias, traçadas nas reuniões de Yalta e Potsdam após a Segunda Guerra Mundial, evidenciaram ao mundo as diferenças no curto, médio e longo prazo entre economias estatizadas e economias livres. O caso alemão era o mais didático por envolver o mesmo povo e a mesma cultura. De um lado, partido único, opressão e economia centralizada; de outro, Estado de Direito, democracia, liberdades políticas, civis e econômicas. Na primeira fila do auditório, um senhor, adepto da Teologia da Libertação, contrariado, se agitava na cadeira.

Enquanto eu falava, veio-me a ideia de ilustrar a mensagem com um exemplo que era presença cotidiana em todos os lares. Falei sobre as panelas alemãs. Expliquei que, finda a guerra, era preciso fabricar panelas para uma nação bombardeada. No lado ocidental, algum empreendedor instalou sua fábrica e passou a vender o produto. Perguntei ao auditório: “Quanto terá ele cobrado por unidade?”.

Arrancando risos, adiantou-se o tal sujeito na resposta: “Como explorador do trabalho alheio, deve ter cobrado o máximo que o povo estava disposto a pagar”. “Exatamente”, respondi. E acrescentei: “Ganhou tanto dinheiro que, logo, surgiram outros fabricantes para se beneficiar de uma fatia daquele mercado. Novas fábricas, novos empregos, mais gente vendendo e preços em queda por força da concorrência.”

Prossegui a exposição sobre o que de fato aconteceu no lado ocidental, falando na geração das panelas de aço inoxidável, fáceis de limpar, nas panelas de aço com fundo triplo, nas panelas de pressão, nas cerâmicas, nas válvulas reguláveis, nas variedades de design, nos materiais de cabos e alças, nas tampas de cristal, nas cores, nas panelas que apitam. Cada vez mais fábricas, mais operários, mais panelas criando a necessidade de buscar mercados e exportar volumosos excedentes de produção.

No lado oriental, submetido ao comunismo, as fábricas se transformaram em Empresas de Propriedade do Povo (VEB em alemão) e produziam espessas panelas de alumínio, desatualizadas, feias, mas feitas para durar gerações. Demanda atendida e decrescente. Em toda parte, pobreza e miséria se instalando pela ausência de fatores e motivações essenciais ao desenvolvimento econômico. O muro se tornou inevitável para conter o êxodo.

Ao final da palestra, dirigindo-me ao incomodado interlocutor da primeira fila, disse: “De cima do Muro de Berlim, durante três décadas, as donas de casa da Alemanha Oriental, olhavam as panelas usadas por suas irmãs e primas, tão próximas quanto inalcançáveis, e pensavam em quanto não dariam pelo privilégio de possuir ao menos uma em suas cozinhas. Certamente pagariam um preço ainda maior do que o ‘explorador do trabalho alheio’ havia cobrado pelas primeiras panelas que fabricou. Para entender o monumental efeito desses contrastes entre os dois modelos, ponderem que eu falei apenas em ... panelas.” Estado tirano, nação pelo cano.


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