RELATÓRIO DA UNCTAD
Se algum leitor, depois de dois editoriais dedicados para construir um razoável ESCLARECIMENTO sobre as reais razões que levaram muitos investidores -nacionais e estrangeiros- a RETIRAR DINHEIRO DO BRASIL (ou -DEBANDADA-, como prefere a mídia -felina-), ainda ficou com alguma dúvida, sugiro que leia o RELATÓRIO que a UNCTAD -Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento- divulgou ontem, 20.
DA 6ª PARA 4ª POSIÇÃO EM 2019
Diz o importante estudo que com a ajuda do PROGRAMA DE PRIVATIZAÇÃO de empresas federais o Brasil subiu da 6ª para a 4ª posição entre os principais destinos de investimentos estrangeiros no mundo em 2019. De novo: mesmo levando em conta que as vendas de estatais ao longo de 2019 foram muito tímidas, mesmo assim o Brasil recebeu US$ 75 bilhões em investimentos externos no ano passado, contra US$ 60 bilhões em 2018.
OS MAIORES
Os três primeiros lugares do ranking de destino de investimentos, em 2019, ficaram com: 1- os Estados Unidos, com US$ 251 bilhões; 2- a China, com US$ 140 bilhões, e 3- Cingapura, com US$ 110 bilhões.
Detalhe: os US$ 75 bilhões que chegaram ao Brasil equivalem a mais da metade dos US$ 119 bilhões que a América do Sul recebeu no ano passado. Que tal?
LEILÕES JÁ PROGRAMADOS
Segundo diz o relatório, a considerar a agenda de leilões de privatizações e/ou concessões já programados para o período, em 2020 os desinvestimentos em subsidiárias de companhias estatais do nosso país deverão ganhar muita força.
ÁREA VERDE
Além das privatizações, o relatório da UNCTAD cita os projetos relacionados ao meio ambiente como fatores que ajudarão a elevar os investimentos estrangeiros no Brasil neste ano. “Dados preliminares sobre os investimentos na área verde corroboram essa perspectiva, com o valor dos projetos mais que dobrando, na comparação com 2018, especialmente na energia renovável e na indústria automotiva”.
CAPITAL PRODUTIVO
A propósito: - O IED -INVESTIMENTO ESTRANGEIRO DIRETO- mede o capital investido por estrangeiros em um país. Ele é considerado por economistas como o "bom investimento", já que os recursos vão para o CAPITAL PRODUTIVO (construção de fábricas, infraestrutura, empréstimos e fusões e aquisições).
DESINFORMADOS PELA MÍDIA
Como o editorial da última 6ª feira -O QUE ESTÁ POR TRÁS DO FLUXO CAMBIAL NEGATIVO-, foi alvo de inúmeras manifestações de leitores que se consideram -DESINFORMADOS PELA MÍDIA-, volto ao tema com algumas contribuições que recebi para melhor esclarecer o importante tema.
SALDAR DÍVIDAS EXTERNAS
Uma delas, como bem lembra Cláudio Berquó, leitor atento do Ponto Critico, é que empresas com DÍVIDAS EM DÓLAR, neste momento em que as TAXAS DE JUROS estão caindo bastante no Brasil, estão fechando câmbio com o propósito de saldar, ou amortizar, DÍVIDAS CONTRAÍDAS NO EXTERIOR. Detalhe: os recursos para tanto têm origem na emissão de debêntures em REAIS.
MERCADO DE RENDA FIXA
Berquó completa: o investidor de portfólio não está vindo para o Brasil ainda, porque está esperando, com total razão, as REFORMAS MAIS SÉRIAS E CONSISTENTES. Além disso é bom lembrar que o mercado americano está bombando. Some-se aí que o nosso mercado de RENDA FIXA (com a importante queda dos juros) está sofrendo uma forte concorrência externa, inclusive dos EUA.
INVESTIMENTOS
Antes que alguns leitores mais apressados entendam que o Brasil corre um sério risco de continuar sofrendo uma grande debandada de dólares é importante que se tenha em mente que os recursos destinados, não para a RENDA FIXA, mas para INVESTIMENTOS, seguem na mira dos investidores com visão de longo prazo.
SUBSTITUIÇÃO
Aliás, lá atrás, quando o presidente Bolsonaro ainda era candidato à presidência, o já definido ministro da Economia Paulo Guedes disse, alto e bom tom, inúmeras vezes, que a DEPENDÊNCIA do dinheiro estrangeiro para o financiamento do -DÉFICIT PÚBLICO DO BRASIL- seria, na medida do possível, substituída por INVESTIMENTOS.
MARCO REGULATÓRIO
Como os interesses de cada tipo de investidor são diversos, enquanto batem em retirada aqueles que estão voltados para a RENDA FIXA, os interessados em INVESTIMENTOS, que veem nos dividendos resultados melhores do que os juros em títulos públicos, ficam no aguardo dos editais de venda e/ou concessões com olho fixo no imprescindível MARCO REGULATÓRIO.
FLUXO CAMBIAL NEGATIVO
Dias atrás o Banco Central informou que o FLUXO CAMBIAL acumulado no ano 2019 ficou NEGATIVO em US$ 44,77 bilhões. Vejam que o recorde anterior de -RETIRADAS LÍQUIDAS- tinha sido registrado em 1999, quando o FLUXO CAMBIAL fechou NEGATIVO em US$ 16,18 bilhões.
Naquele ano, vale lembrar, o Brasil abandonou a POLÍTICA DE BANDAS CAMBIAIS, passando a adotar a LIVRE FLUTUAÇÃO DO DÓLAR.
ESCLARECIMENTO
A título de esclarecimento, o FLUXO CAMBIAL (volume de divisas externas que entram ou saem do Brasil) é calculado com base nos saldos do FLUXO FINANCEIRO (investimentos em títulos, remessas de lucros e dividendos ao exterior e investimentos estrangeiros diretos, entre outras operações) e do FLUXO COMERCIAL (operações de câmbio relacionadas a exportações e importações).
MAIOR SAÍDA DESDE 1982
Pois, se esta fantástica RETIRADA LÍQUIDA DE DIVISAS, que perfaz o elevado SALDO NEGATIVO de quase R$ 45 bilhões já é passível de destaque, a atenção dobra quando se percebe que esta é a MAIOR -SAÍDA LÍQUIDA DE DIVISAS- desde o início da série histórica, em 1982.
FLUXO FINANCEIRO FOI O MAIOR RESPONSÁVEL
O que pouca gente sabe é que o MAIOR responsável pelo FLUXO NEGATIVO foi o FLUXO FINANCEIRO. Vejam que em 2019 o FLUXO COMERCIAL ficou POSITIVO em US$ 17,47 bilhões. Já o FLUXO FINANCEIRO registrou SAÍDA LÍQUIDA de US$ 62,24 bilhões.
PERGUNTA E RESPOSTA
A PERGUNTA que muita gente está fazendo é a seguinte: - O quê explica esta enorme SAÍDA DE DIVISAS, neste momento em que o Brasil dá sinais de recuperação econômica e de aprovação de importantes REFORMAS?
A RESPOSTA, que a mídia em geral ignora (por motivos óbvios) é a seguinte: - Os investidores que colocaram dólares no Brasil, com o afã de aproveitar as fantásticas TAXAS DE JUROS oferecidas pelo governo, não têm mais razão para continuar aplicando em títulos do governo, pois a SELIC despencou para 4,5%.
FIM DA DISNEYLÂNDIA
Resumindo: com o fim da DISNEYLÂNDIA DOS JUROS no Brasil, aos investidores que tinham dedicação voltada exclusivamente para o nosso MERCADO DE CRÉDITO não sobrou outra alternativa senão a de debandar. É isto que está acontecendo, gente.
Mais: quem trouxe dinheiro de fora para aplicar em títulos públicos em 2019 está saindo com PREJUÍZO, pois o fechamento do CAMBIO, para recompra dos dólares, ficou mais caro do que o ganho obtido com a renda fixa.
BATALHA ENTRE CONFIANTES E SECADORES
Na batalha -sem fim- que a economia brasileira vive no seu dia a dia, no momento atual, como bem informa o placar dos indicadores que medem o desempenho das mais diversas atividades, o time dos CONFIANTES está levando a melhor sobre a sempre forte equipe dos SECADORES.
DOIS PRINCIPAIS MOTIVOS
Se os números e/ou indicadores mostram que o desempenho econômico ainda é muito tímido, o que deixa muita gente desconfiada, é sempre bom lembrar os DOIS PRINCIPAIS MOTIVOS que dificultam a retomada mais rápida das atividades:
1- o tamanho do estrago que foi construído, de forma intencional e com requintes de enorme crueldade, nas últimas décadas, com agravamento exponencial durante os governos Lula e Dilma -Petistas-; e
2- as dificuldades impostas de forma criminosa pela nossa lamentável Constituição;
CULTURA DA LIBERDADE
Mais: a CULTURA DA LIBERDADE ECONÔMICA, coisa muito recente no nosso país, começou, enfim a ser colocada em prática a partir do momento em que o presidente Jair Bolsonaro colocou o economista Paulo Guedes no comando da economia brasileira. Foi a partir daí que o time dos CONFIANTES ganhou força e começou a levar vantagem sobre a equipe dos SECADORES, que se caracteriza por entender que o ESTADO é que deve mandar e desmandar no nosso empobrecido Brasil.
IBS-Br
Observem que se 90% das propostas apresentadas e defendidas pela equipe econômica liderada por Paulo Guedes tivessem sido aprovadas ao longo deste primeiro ano do governo Bolsonaro, aí, sem a menor ponta de dúvida, o IBC-Br, indicador de atividade econômica do Banco Central, divulgado hoje, que mostrou alta de 0,2% em novembro (acima da expectativa do mercado (-0,1%) seria três ou quatro vezes maior.
RECUPERAÇÃO TÍMIDA
Mesmo que todos os indicadores econômicos, depois da longa e dramática recessão construída pelas mãos e mentes petistas, estejam mostrando desempenho positivo, a recuperação ainda é muito tímida. Esta timidez, ainda que os principais motivos que dificultam uma rápida recuperação já foram esclarecidos aí acima, o fato é que esta lentidão ajuda na manutenção do grupo dos SECADORES.
COMBINAR COM OS RUSSOS
Uma coisa é certa: se as REFORMAS - TRIBUTÁRIA e ADMINISTRATIVA resultarem aprovadas como devem, aí os CONFIANTES vão começar a ganhar dos SECADORES por WO. Para chegar a tanto, é bom que se diga, é preciso combinar com os -russos-, que no nosso caso sãos os deputados e senadores federais. A conferir.
MATEI A CURIOSIDADE
Ontem, ao tomar conhecimento de que o longa-metragem - DEMOCRACIA EM VERTIGEM-, dirigido pela cineasta Ana Petra Costa, uma -petista da gema-, está concorrendo ao Oscar 2020 junto com outros quatro -American Factory; Honeyland; The Cave; For Sama-, na categoria MELHOR DOCUMENTÁRIO, resolvi matar a minha curiosidade.
DOCUMENTÁRIO SURREAL
Pois, do início ao fim, o tal documentário da Petra Costa, sem surpreender minimamente, mostra de forma muito exuberante apenas o seu ponto de vista -caolho- e-surreal-, do tipo daqueles que acreditam -piamente- que Lula e Dilma são, além de políticos muito competentes, verdadeiros -heróis nacionais- injustiçados.
INTEGRANTE DA ACADEMIA
Como a cineasta mineira Ana Petra Costa, ou Petra Costa, integra a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood desde 2018, não pode ser descartado que ela tenha usado esta proximidade como meio para levar o seu longa-metragem como concorrente à estatueta de Melhor Documentário. Até aí, diga-se de passagem, se for verdade não tem nada de errado.
GOLPE
Pois, o que Petra Costa revela, de cabo a rabo, na sua obra, é que ela faz parte do grupo de petistas -doentes- do tipo que acredita que tanto o impeachment da incompetente Dilma Rousseff quanto a prisão do escroque Lula, foi um verdadeiro GOLPE. Democracia, para a cineasta, é o PT governar, para todo o sempre, o nosso empobrecido Brasil.
CANONIZADOS
A narrativa usada pela petista -cega e incorrigível- mostra, através das dezenas de imagens e textos que escolheu a dedo para compor o seu documentário, por mais que não consiga mudar a realidade e o convencimento de quem tem apenas metade do cérebro, o fato é que à luz de quem não conhece a realidade brasileira é possível que vejam Lula e Dilma como pessoas dóceis, inocentes e prontos para serem canonizados.
FAVAS CONTADAS
Uma coisa está muito evidente: daqui até o dia 9 de fevereiro, data da entrega do Oscar 2020, a turma do barulho -petista- vai comemorar a indicação do documentário como -favas contadas-. Mais: caso a obra não saia vitoriosa, por certo que os petistas vão desancar o pau na Academia e, de forma uníssona, dirão que houve GOLPE!
REFINARIAS BRASILEIRAS
De um total de 17 refinarias que operam neste nosso imenso Brasil, 13 delas (as maiores) pertencem à Petrobrás. Assim, quando a Petrobrás decide aumentar ou reduzir os preços dos derivados, isto significa que todas as suas 13 refinarias devem vender gasolina e diesel para o sistema de distribuição (postos de combustíveis) pelo preço definido. Ou seja, a sempre tão necessária concorrência simplesmente inexiste.
LIVRE CONCORRÊNCIA
Como a Petrobrás já anunciou que pretende vender 8 das suas 13 refinarias até o final de 2021 (em 2020 deverão ir à leilão as 5 primeiras), o que se espera é que a partir daí impere, para todo o sempre, o princípio da livre concorrência. Algo, enfim, de acordo com o livre jogo da oferta e da procura, sem intervenção do Estado.
SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA
Enquanto ficamos no aguardo dos EDITAIS DE VENDA DAS REFINARIAS é importante que fique bem claro que apesar da existência de um cruel MONOPÓLIO ESTATAL do refino de combustíveis e derivados, não é na EXPLORAÇÃO do petróleo e tampouco nas REFINARIAS que os preços da gasolina e do diesel (e do etanol, inclusive) se tornam INJUSTOS E PROIBITIVOS. Isto só acontece na ponta da DISTRIBUIÇÃO, onde incide a estúpida CARGA TRIBUTÁRIA, pelo conceito nojento da SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA.
CUSTO A PARTIR DA DISTRIBUIÇÃO
Ou seja, o CUSTO dos derivados de petróleo, desde a porta das refinarias até o consumidor final é afetado por diversos itens, como transporte e armazenamento, margens de distribuição e revenda e, principalmente, por tributos, tipo ICMS, PIS/Pasep e Cofins, e CIDE.
PREÇO DE PAUTA
Pois, para quem ainda não sabe, cada Estado tem o poder de decidir, soberanamente, qual percentual de ICMS deve incidir sobre os mais diversos produtos e serviços. Com a SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA, a alíquota do ICMS não é calculada sobre o preço de venda, mas por um VALOR DE REFERÊNCIA, ou PREÇO DE PAUTA, geralmente MAIOR DO QUE É PRATICADO. Pode?
UM VERDADEIRO ROUBO
Vejam, por exemplo, o que acontece no falido Estado do RS: ainda que um eventual posto decida vender a sua gasolina por R$ 4,50/litro, a absurda alíquota de 30% de ICMS incide não sobre o correto valor de venda, mas sobre o estúpido VALOR DE PAUTA, que o governo definiu em R$ 4,76.
Considerando que o RS está entre os estados com a maior alíquota de ICMS, tanto para a gasolina quanto para o etanol e este maldito tributo incide sobre o VALOR DE PAUTA, aí a alíquota deixa de ser 30% e passa para 31,6%. UM VERDADEIRO ROUBO!