LEITURA SEMPRE OPORTUNA
O livro -Lanterna na Proa-, editado pela Livraria Resistência Cultural Editora (contato@resistenciacultural.com.br), organizado pelo editor José Loredo Filho e os pensadores Ives Gandra Martins e Paulo Rabello de Castro, é uma leitura importante e pra lá de oportuna.
SATISFAÇÃO ENORME
Não escondo a minha enorme satisfação por fazer parte do rol dos 62 convidados que se dispuseram a fazer um relato sobre a vida do grande liberal, que no dia 17 de abril passado faria 100 anos. Entretanto, entre as apreciações sobre a obra, aquela que mais me chamou a atenção, até o presente momento, foi a seguinte resenha, feita por Victor Ribeiro. Eis:
RESENHA
O menino pobre de Guaxupé (MS) que na juventude foi seminarista e que desistiu da ordenação em se tornar padre, chegou ao Rio de Janeiro na década de 30 com uma bagagem cultural impressionante (10 anos dedicados ao estudo de Filosofia, Teologia, Grego e Latim), mas que aos olhos da burocracia brasileira era classificado como um analfabeto.
Numa trajetória brilhante, Roberto Campos participou nas negociações de insumos brasileiros na 2ª Guerra Mundial, esteve presente na conferência de Bretton Woods, nas discussões sobre a criação do FMI, do BNDE (ainda sem o S), embaixador nos EUA e Inglaterra, foi Diretor e Presidente do BNDE, Ministro do Planejamento, Senador e Deputado e prestou inigualável contribuição ao debate nacional.
CRÍTICO FERRENHO DA CONSTITUIÇÃO DE 1988
Foi crítico ferrenho da ilusória e demagógica Constituição de 1988. Muitos de seus comentários tornaram-se emendas constitucionais anos depois e demonstram-se urgentes e válidas até o presente momento. Criador do FGTS, do Banco Central, do Banco Nacional de Habitação, das reformas administrativas que modernizaram a gestão pública em 1967, e principalmente, as suas importantes contribuições na política econômica que proporcionou, anos depois, o chamado Milagre Econômico Brasileiro.
PREGAÇÃO POR 5 DÉCADAS
Ao mesmo tempo em que a biografia de Roberto Campos nos alegra pela singular inteligência e serviços prestados ao país (não há registro na história de um intelectual do seu porte tenha atuado tanto tempo e com tamanha competência na política), ela também nos entristece ao vermos tantas oportunidades perdidas que o Brasil teve em tornar-se um país rico e desenvolvido. Caminho em que Roberto Campos praticamente pregou no deserto por 5 décadas.
RELATOS 1
O livro expõe 62 deliciosos relatos divididos em três partes: "Roberto por nossos olhos", "Roberto por seus próprios olhos" e "Roberto pelos olhos do futuro". Passo a citar alguns deles:
Gustavo Franco relata uma das Leis Secretas da Economia, livro que escreveu e que deu continuidade a uma das obras de Roberto Campos (A técnica e o riso) que explica muito o desastre que estamos presenciando: "Lei geral do protecionismo: a eficiência competitiva está na razão inversa do grau de intervencionismo governamental".
Alex Catharino aborda as influências da Escola Austríaca na formação de Roberto Campos, em uma interessantíssima abordagem sobre Mises, Hayek, Eugênio Gudin e o compromisso moral da honestidade intelectual na atuação do Economista cuja tarefa deve explicar as consequências da ação humana.
José Luiz Alquéres aborda os inusitados "esbarrões" com Roberto Campos, na sua infância e no desenvolvimento do Setor Elétrico Brasileiro.
RELATOS 2
Rodrigo Constantino expõe como Roberto Campos sempre esteve certo ao defender que a Petrobrás não detivesse o monopólio da exploração de petróleo (provavelmente estaríamos livre do Petrolão) e sobre como uma privatização mais profunda teria beneficiado o Brasil. Até porque, como dito por Roberto "os riscos da incompetência privada são limitados; os erros da incompetência pública, ilimitados."
Gastão Reis detalhou o estrago que o voodoo economics - a Nova Matriz Econômica - no governo Dilma fez ao país. O exercício perverso da política de compadrio, tudo ao contrário de que Roberto Campos estabeleceu na criação do BNDE(S) e pregou no exercício da vida pública.
Paulo Roberto de Almeida expõe como Roberto Campos se aproximou de ser um digno renascentista no exercício da vida diplomática e política, exercendo as qualidades de brilhante economista, mas ao mesmo tempo com enorme capacidade prática de trabalho de transformar a realidade. As propostas de Roberto Campos continuam válidas e urgentes até hoje.
Adolfo Sachsida comenta a criação do FGTS por Roberto Campos, um marco importante na época e as mudanças necessárias para modernizar as leis trabalhistas no país.
Aristóteles Drummond relata as campanhas difamatórias que Roberto Campos sofreu, importantes bastidores da vida política da época, tal como a recusa de Roberto Campos em votar pela cassação de JK, chegando inclusive a oferecer a sua demissão do cargo de Ministro do Planejamento.
AUTOBIOGRAFIA
Na sua autobiografia, "Lanterna na Popa", Roberto Campos menciona que ao entrar no mundo da política percebeu sua ingenuidade: viu que antes de fazer o bem, a tarefa mais importante e urgente era tentar desarmar o mal praticado pelos colegas de profissão.
Conforme também relata na sua autobiografia, Roberto campos fez de tudo para escapar da mediocridade, que sua experiência seria uma lanterna de popa de um pequeno barco que iluminaria apenas as ondas deixadas para trás. Neste prognostico, o profeta do pragmatismo errou: Ele se transformou em um farol para futuras gerações.
AMOR PELO BRASIL
Poderíamos dizer que talvez o Brasil não merecesse ter um Roberto Campos. Assim como Eugênio Gudin desabafou "O Brasil foi o maior amor que tive, e o que mais me corneou". Do ponto de vista estritamente pessoal, talvez Roberto Campos teria uma "vida mais tranquila" se tivesse aceito o convite de Schumpeter ao terminar o mestrado na Columbia University e continuar os estudos em um doutorado em Economia em Harvard. Mas talvez a formação escolástica, teológica e o restinho de quase padre falou mais alto e tentou exorcizar a incompetência política e irracionalidade econômica na condução do país.
MEU RELATO
Na página 119 do LANTERNA NA PROA está publicado o meu relato, com o título: -ROBERTO CAMPOS - HOMEM DO SEU SÉCULO. Eis:
Foi com grande honra que aceitei o convite para participar, com este breve depoimento, da obra que homenageará o inesquecível economista Roberto Campos, a quem tinha na conta de amigo e mestre.
Dentre as suas várias e admiráveis características, uma havia que me chamava especialmente atenção: a de ser ele um homem de seu século, em sua busca pelo desenvolvimento econômico. E boas razões para tal não lhe faltavam. Ao contrário: sobravam, em grande quantidade.
Primeiramente, um esclarecimento: o site Ponto Crítico, que criei e edito diariamente, iniciou as suas atividades no dia 11 de outubro de 2001, ou seja, dois dias após o falecimento de Roberto Campos. Tal decisão / vontade se deu por dois importantes motivos: 1 – O desejo de prestar a minha homenagem ao grande economista liberal e 2 – Dar continuidade, ainda que de forma modesta e muito singela, à sua trajetória, constante e precisa, que teve como baliza evidenciar as vantagens inequívocas do sistema capitalista.
Desde o momento em que escrevi o primeiro editorial do Ponto Crítico, já se passaram mais de 15 anos. E, ainda que publique, sistematicamente, frases e conteúdos produzidos por R. Campos, em todas as datas de aniversário do site (11/10) nunca deixo de prestar a minha homenagem ao nobre e autêntico liberal, publicando um dos seus tantos e sempre oportunos textos.
Conheci-o pessoalmente em março de 1995, em Porto Alegre, quando eu era apresentador de um programa de TV, na emissora Pampa, Canal 4. Na ocasião, o economista veio à capital do Rio Grande do Sul, a convite do IEE – Instituto de Estudos Empresariais –, para participar do VIII Fórum da Liberdade. Na noite anterior ao Fórum, dia 25 de março, tive o prazer de entrevistá-lo ao vivo, junto com Donald Stewart Jr (criador do Instituto Liberal), Eduardo Mascarenhas (psicanalista) e Paulo Francis (jornalista). Como falávamos o mesmo idioma – liberal –, em todas as oportunidades que Campos vinha a Porto Alegre, o nosso bate-papo era certo, assim como a sua participação no programa Pampa Boa Noite, que ia ao ar diariamente, ao vivo, a partir das 22:30hs.
Vale registrar que ao longo das diversas entrevistas que fiz com Campos, o que mais ele apreciava, confessadamente, eram as provocações que eu lhe fazia quanto às reais vantagens do liberalismo. Sem jamais perder o bom humor, de forma sempre muito didática, o economista discorria sobre o tema mostrando o quanto a liberdade é capaz de conferir acertos e o quanto a falta dela impõe resultados danosos para a sociedade.
Nos seus últimos quatro anos de sua intensa vida, sempre dedicada ao desenvolvimento da lógica do raciocínio, conversamos inúmeras vezes. E, em todas, sempre de forma muito objetiva. Lembro bem que, em quase todas as vezes que nos encontramos, Roberto Campos, de forma sempre incansável, repetia: as armas que dispomos para convencer pessoas são os nossos argumentos. Quanto mais claros e precisos, mais efetivos. O que nunca pode existir é a dúvida. Apenas a certeza.
Com base nestes ensinamentos, em 2009, em reunião que contou com alguns economistas – liberais –, resolvemos formar o grupo Pensar+, que integra, atualmente, mais de 60 pensadores com um único objetivo-proposta: produzir conteúdos que mostrem, efetivamente, a relação causa/efeito sobre as decisões e propostas emanadas por aqueles que governam o país.
Não posso deixar de mencionar, nesta breve homenagem, por se tratar de algo muito importante, que um exemplar do livro Lanterna na Popa me foi entregue pessoalmente pelo saudoso Roberto Campos. E das suas memórias copio e repercuto grande parte das profecias que o grande economista liberal fazia quanto aos destinos do país.
Enquanto muitos brasileiros, insuflados pelos brados de maus jornalistas e/ou intelectuais, tidos como formadores de opinião, ainda insistem na falácia de que o maior responsável pelos nossos fracassos é o sistema capitalista, Campos, de forma irretocável, afirmava: – isto só seria possível, embora bastante improvável, depois que o Brasil viesse a praticar o capitalismo. E para que não pairasse qualquer dúvida, o economista completava: capitalismo é algo que não admite adjetivo.
CÂNCERES
Antes de tudo é sempre preciso afirmar, com o máximo de clareza, que para voltar a ser um país com real esperança de prosperidade, o Brasil precisa, com igual intensidade, se livrar de dois enormes e destruidores CÂNCERES: a CORRUPÇÃO e o ATRASO.
CONDENADOS AO FRACASSO
Livrar o nosso pobre país apenas da CORRUPÇÃO, ainda que seja imprescindível, urgente e absolutamente necessário, não será o bastante. Mais do que nunca, se o povo, através dos governos que elege, não atacar as CAUSAS que levam o país ao fracasso econômico e social, aí continuamos condenados ao fracasso.
IDEOLOGIA DO ATRASO
É mais do que sabido que quanto menos educado, mais os meios de comunicação ficam à vontade, e tiram proveito, para influenciar a opinião pública. Neste aspecto, infelizmente, o que mais se vê, lê e ouve, é uma contínua pregação de comunicadores formados em ambientes onde impera a ideologia do atraso.
DESORIENTADOS
O resultado desta objetiva empreitada midiática, como se percebe, é um quadro de preocupante DESORIENTAÇÃO POPULAR, onde a maioria das pessoas repetem, cheias de convencimento, tudo que é dito através dos microfones. Notadamente dos microfones da maior empresa de comunicação do país, que está extremamente focada no Fora Temer.
TORPEDEADO
Neste grave momento, o mais importante para o país, além do COMBATE À CORRUPÇÃO, são, inequivocamente, as REFORMAS. Pois, mesmo que as propostas de reformas TRABALHISTA e PREVIDENCIÁRIA sejam tímidas, nem assim recebem atenção e apreciação por parte da mídia. Ou seja, tudo aquilo que pode recolocar o Brasil nos trilhos do crescimento, ou é ignorado ou é torpedeado. Pode?
ÚNICO OBJETIVO
Confesso que não tenho admiração por Temer. Entretanto, o que está mais do que claro e evidente é que tudo que vem sendo feito não visa a sua saída da presidência. Volto a insistir: o real e único propósito desta forte empreitada é evitar a aprovação das REFORMAS.
PERIGO
Ainda assim, o que realmente preocupa é que na tentativa de aprovar as Reformas, Temer vem recuando muito no que diz respeito ao controle das despesas. Aí é que mora o perigo. Como bem diz o economista Marcos Lisboa, em entrevista concedida ao Valor, - “Com a volta do crédito subsidiado, conteúdo nacional, estímulo a grupos de interesses, o Brasil não vai voltar a crescer. Essa foi a rota que trouxe o Brasil à crise. Se essa agenda volta, volta a crise”.
EMOÇÃO MAIOR DO QUE A RAZÃO
É muito importante que tenhamos sempre em mente que diante de um público visivelmente tomado pela EMOÇÃO, não há como fazer com que prevaleça a RAZÃO. Isto só será possível, ainda que não seja uma tarefa fácil, depois que os ânimos ficarem menos exaltados e/ou mais controlados.
REVOLTA E INDIGNAÇÃO
Ora, considerando que o número de falcatruas só aumenta, atingindo níveis até então impensáveis para qualquer ser vivo deste planeta, não há como exigir que o justo sentimento de revolta e indignação, que tomou conta da abalada sociedade brasileira, dê lugar a alguma racionalidade.
CRUCIFICADO
Pois, na medida em que a perplexidade vai tomando conta da sociedade, mais ela se torna propícia para desconfiar de tudo e de todos. Isto significa que basta sugerir que alguém foi visto apertando a mão de um político ou empresário envolvido em falcatruas para que este alguém seja imediatamente julgado, condenado e crucificado.
SEM COMPROMISSO COM A VERDADE
É neste clima de absoluta desconfiança que o Brasil vive, infelizmente. Como se não bastasse este ar fortemente poluído, os principais meios de comunicação do país se comportam como se estivessem participando de uma ferrenha competição, onde sai vitorioso aquele que publica mais notícias e informações, independente do compromisso com a verdade.
BOATOS
Entretanto, como a sociedade em geral prefere acreditar em tudo que vê, ouve ou lê nos jornais da sua região e/ou do país, por certo que as mentiras publicadas e defendidas pelos seus âncoras e colunistas são absorvidas como se verdades fossem.
INSTITUIÇÕES FUNCIONANDO?
Vejam, por exemplo, que a mídia segue dizendo que, apesar de tudo que o Brasil está passando, as Instituições, estão funcionando. Só não dizem o principal: as Instituições estão funcionando, sim, apenas para garantir impunidade, vantagens e privilégios para seus ocupantes. O resto, que está fora, que se exploda.
AOS TRANCOS E BARRANCOS
Pois, como se vê, só no momento em que a EMOÇÃO vier a dar lugar a RAZÃO será possível a tomada de atitudes e medidas corretas e sensatas, do tipo que produzam bons efeitos para o nosso sofrido país. Até lá, gostem ou não, vamos vivendo aos trancos e barrancos.
RELAÇÃO DE AMOR E ÓDIO
Pode parecer incrível, e até inacreditável, aos olhos e ouvidos de quem vive fora do nosso empobrecido Brasil, mas fato é que o brasileiro em geral não sabe viver longe de uma ou mais CRISES. Melhor: na mesma medida em que nutrimos enorme paixão por problemas não escondemos o ódio que temos pelas soluções.
EXCESSO DE EDUCAÇÃO
Este estado de coisas, que em países onde reina a lógica e a decência é considerado como inimaginável, tem feito com que muitos brasileiros acreditem que tudo acontece por absoluta falta de EDUCAÇÃO. Pois, no meu entender, tudo que acontece no Brasil não é por falta, mas por excesso de EDUCAÇÃO.
NA BAHIA
Vejam, por exemplo, o que acontece apenas na Bahia, segundo informa o Instituto Paraná Pesquisas: naquele Estado, Lula dispõe de mais votos do que todos os demais candidatos juntos. Com 42,7% das intenções de voto, o petista fica a frente de Bolsonaro (12,8%), Ciro Gomes (8,4%) e João Doria (5,1%). Que tal?
EDUCADO PARA O CAOS
Esta manifestação de muito amor por CRISES e/ou problemas de grande porte se dá, exclusivamente, por excelente formação escolar. Ou seja, através do altíssimo índice de preferência (42,7%) que os eleitores baianos têm por Lula, considerado o maior ladrão do planeta, fica mais do que provado que na Bahia o povo é muito bem EDUCADO e ORIENTADO para conviver, para sempre, com o CAOS.
IMPLACÁVEL
Vamos, portanto, deixar de lado a ideia -falsa- de que o povo brasileiro é desprovido de EDUCAÇÃO. Ao contrário, o resultado do grande esforço que os governos social/comunistas liderados pelo PT e assemelhados empreenderam na região nordeste do país, na área educacional, aí está, de forma implacável: quase 50% dos eleitores querem a volta de Lula para presidente. Pode?
MESMO DESTINO
Como a parcela de brasileiros que conseguem discernir e/ou apresentam boa capacidade de raciocínio lógico vem diminuindo a olhos vistos, muito em breve as demais regiões até agora pouco afetadas pela EDUCAÇÃO SOCIALISTA deverão ter o mesmo destino. Aliás, um Estado que está muito próximo desta triste realidade, por exemplo, é o Rio Grande do Sul, cujo povo já nutre, faz muitos anos, enorme paixão pela esquerda.
MATRIZ EDUCACIONAL
Como se vê, enquanto estamos olhando apenas para a Matriz Econômica, na tentativa de livrar o país do modelo bolivariano, a Matriz Educacional avança de forma perigosa, produzindo farta atrofia mental nos pobres jovens brasileiros. Mais: com a ajuda descomunal de boa parte da mídia, cujos profissionais são formados em ambiente altamente contaminado pela sujeira socialista.
SÓ LAMENTOS
O Brasil virou um grande MURO DE LAMENTAÇÕES. Em todas as rodas de relacionamento, pessoal ou mesmo remotos, percebe-se, claramente, que não há um brasileiro sequer que, cheio de desconfiança, não esteja lamentando por tudo e de todos.
OS OUTROS
Vejam que a grande maioria da sociedade sempre aponta como sujeitos dotados de mau caratismo e/ou responsáveis pela forte crise moral, que vem arrasando o país como um todo, só aqueles quem não fazem parte do seu ambiente familiar e com os quais convivem com mais intimidade.
SURPRESA
Pois, da forma com que a consciência de inúmeros brasileiros se encontra sufocada, o que tem levado muita gente a aceitar a corrupção como algo normal, corriqueiro e, dependendo do valor, como desculpável, a única coisa que não cabe mais a qualquer brasileiro é a manifestação de SURPRESA.
TECIDO SOCIAL
Vamos combinar, sem a necessidade de qualquer retoque ou mesmo cuidar das exceções, que o tecido social brasileiro como um todo, gostem ou não, está CORROMPIDO. Neste ambiente, basta alguém soltar um boato, do tipo que ouviu falar de que fulano ou beltrano está envolvido em algum malfeito, para que todos, independente das manchas que carregam, crucifiquem o indicado.
TSE
Ora, como vivemos neste extenso oceano habitado por milhões de corruptos e mal intencionados, muitos até iniciantes, considerados ainda como relativamente inofensivos, o que me deixou muito perplexo foi a reação de SURPRESA misturada com INDIGNAÇÃO daqueles que não aceitaram a decisão do TSE que votou pela não Cassação da Chapa Dilma/Temer.
A SURPRESA SERIA A CASSAÇÃO DA CHAPA
Aqui entre nós: onde está a surpresa? Alguém imaginava, depois de todos os prognósticos, que o resultado seria diferente? Ora, os gritos histéricos que o povo emitiu através dos meios de comunicação e das redes sociais dão a entender que este enorme contingente de brasileiros vive em outro país. Entendam, por favor, que a SURPRESA só seria possível caso a cassação se confirmasse.
BONS REPRESENTANTES
Há quem diga que decisão judicial não se discute. Errado: não só se discute como se critica e/ou aplaude. O fato é que com ou sem indignação, tudo que é decido em última instância a ordem é o cumprimento. Agora, gostem ou não, o julgamento é passado.
Volto a afirmar: - se algo deve e pode ser feito, isto só é possível daqui para frente. É hora, pois, de deixar a indignação de lado e se preocupar em quem votar em 2018. O povo, para não ficar SURPRESO, precisa de bons representantes!
POR FORÇA DE LEI
No editorial de ontem voltei a sustentar aquilo que já havia escrito na década passada e que a realidade comprova de forma inequívoca: antes mesmo de satisfazer a sua própria vontade, cabe a todo brasileiro que produz ou consome entregar ao governo, por força de lei, uma parcela significativa da sua renda ou mesmo daquilo que conseguiu poupar.
PAGAR OU PAGAR
Pois, para que fique ainda mais claro, sem qualquer ponta de ironia ou má vontade peço que os leitores compreendam, de uma vez por todas, que no Brasil a cobrança de IMPOSTOS não estabelece compromisso algum com qualquer CONTRAPARTIDA. Gostem ou não, o ato de pagar impostos nada mais é do que uma obrigação que não pressupõe mínimo compromisso de retorno. É pagar ou pagar!
ANÁLISE
Por formação e costume, a sociedade brasileira reluta em admitir, ou mesmo entender, esta cruel realidade. Entretanto, se alguém se dispuser a analisar o assunto, certamente não levará mais do que algumas horas para se convencer de que a finalidade dos IMPOSTOS é, exclusivamente, atender privilégios daqueles que atuam no setor público. Quer seja para enorme corrupção ou por altos salários e privilégios. Grandes privilégios, diga-se de passagem.
RECICLAGEM MENTAL
Ainda que o estrondo desta realidade alcance decibéis ensurdecedores, não há santo que faça com que o povo brasileiro se convença de que esta obrigação só tem um lado. Não cabe, portanto, que muitos brasileiros sigam dizendo que pagam seus impostos para não receber coisa alguma em troca. Como são passivos e pacíficos recomendo que façam uma correta reciclagem mental.
TEMPO SENHOR DA RAZÃO??
Mesmo diante desta flagrante injustiça percebe-se o quanto a sociedade brasileira em geral continua tomada por muita ingenuidade e/ou imbecilidade. Tanto é verdade que não quer reforma alguma. Guiado por propaganda enganosa e safada criada por sindicatos e corporações e endossadas por partidos de esquerda, o povo ainda espera que o tempo seja o senhor da razão e não as suas próprias ações. Pode?
BENCHMARK
Enganaram-se, redondamente, todos aqueles que apostaram que o Impeachment de Dilma representava o fim do PT e de suas vontades criminosas. Pura ingenuidade, pois o exército de mais de 15 mil sindicatos seguiu em frente, com foco nos propósitos e metas comunistas, que tem como benchmark o modelo que levou a Venezuela a superar o limite do caos.