TOMEM NOTA
Aqueles que tomaram conhecimento de algumas das propostas apresentadas pelos candidatos à presidência do país, nesta semana, precisam tomar nota do que disseram Dilma, Serra e Marina Silva, para poder cobrar, a partir de 2011, quando o eleito já estiver no cargo. Merece atenção, também, o que deixaram de dizer, sabendo que há enormes preocupações à frente. Uma delas é o fantástico crescimento do déficit da conta corrente, que envolve tudo que passa pelo caixa do Tesouro, desde importações, exportações e mercado financeiro. A previsão, para o final de 2010, é simplesmente de arrepiar, pois deve chegar a mais de 4% do PIB.DILMA
Dilma, por exemplo, afirmou que é favorável à reforma tributária, dizendo que é a reforma das reformas e que sem ela é difícil assegurar crescimento sustentável. OK. No entanto, o que me espanta é que Lula mesmo que tenha escolhido Dilma como candidata do PT, não se interessou pela tal reforma das reformas. Creio que aí está uma grande enganação. Dilma disse o que o povo queria ouvir, mas, a exemplo de seu mestre nada vai fazer.SERRA
José Serra, por sua vez, disse que o Brasil tem a maior taxa de juros do mundo e a maior carga tributária do mundo, entre todos os países emergentes ou em desenvolvimento. OK. Serra só esclareceu as consequências dos problemas, deixando as causas sem comentário algum. Espero que Serra ainda se manifeste sobre as reformas: tributária, fiscal, previdenciária, trabalhista e política. Caso contrário, o Brasil que já não é competitivo, jamais o será.MARINA
A candidata Marina, que poucos estão apostando, foi a que se saiu melhor. Ao menos assume o compromisso de que é possível fazer uma reforma tributária, mas não com falsas expectativas. Disse mais: - Não é fácil, se fosse fácil já teriam feito. Faz 16 anos que esta questão entrou na agenda como sendo importante e estratégica. Compromissos em cima de compromissos sendo assumidos. As pessoas assumem o compromisso com a reforma, mas depois de eleitos fazem a reforma do compromisso.FICHA LIMPA
Ainda dependendo da sanção presidencial, o projeto Ficha Limpa pode se transformar em algo parecido com a Lei de Responsabilidade Fiscal. Ou seja: quando não há como ser cumprida, os políticos acabam dando um jeito de mudar alguma coisa. Aliás, este procedimento vil já está acontecendo mesmo antes da aprovação final: ninguém sabe como e quando deve funcionar.IMPEDIMENTO
Aqui entre nós, se o Brasil fosse um país sério, habitado por pessoas decentes, não haveria a mínima razão, nem a possibilidade, de ter um projeto do tipo Ficha Limpa. Antes, bem antes de qualquer coisa, o pretenso candidato já teria sido impedido, pelo seu próprio partido, de concorrer à cargos eletivos.EXAGERO
O projeto, e sua aprovação, só foram possíveis e necessários no Brasil porque a safadeza se tornou extremamente exagerada. E, em lugar onde a consciência inexiste é preciso existir lei, que por sinal nem sempre é cumprida. Pudera, pois em país onde inúmeros os criminosos entram na política só para obter imunidade, até a lei acaba sendo driblada.POSIÇÕES OPOSTAS
Na medida em que o cartaz do presidente Lula começa a cair no ambiente internacional, o índice que mede o risco-Brasil vai subindo a lomba. O interessante é que a velocidade de ambos, claro que em posições opostas, é praticamente a mesma. Ontem, por exemplo, a taxa de risco subiu para 248 pontos-base, depois de estar em 190 pb.CRISE
Recentemente, como já comentei aqui, o presidente Lula disse ao primeiro ministro da Grécia, George Papandreou, que a direita faz as crises e depois obriga a esquerda a fazer os cortes nas despesas. Este impropério é mais um daqueles que vai contribuir, junto aos povos mais educados, para anular tudo aquilo que pensavam sobre Lula.POBREZA
Lula não estaria muito errado se comentasse que tanto a direita quanto a esquerda promovem crises e depois precisam cortar despesas. Mas estaria certo se dissesse que os países que ele mais apóia sequer produzem desenvolvimento. Vivem eternamente mergulhados na pobreza. Vide Cuba, por exemplo.DESENCANTO
O fato é que o conceito de Lula ganhou força mundial no momento em que o Brasil foi reconhecido como uma economia mais confiável, depois do estouro da bolha. Mas foram as decisões ideologicamente conscientes da nossa diplomacia, chefiada por Lula e Amorim, que deram início ao desencanto.EPISÓDIOS
Começando pelo episódio lamentável de Honduras e pelo apoio irrestrito aos países comunistas latino-americanos, com a criação de uma nova OEA, cujo ato principal foi determinar o ingresso de Cuba e o afastamento dos EUA e Canadá. E, mais recentemente, com o apoio ao Irã, chefiado por um facínora mundialmente reconhecido como muito perigoso.CORÉIA DO NORTE
É muito provável, pela lógica dos posicionamentos, que o governo brasileiro vá apoiar, também de forma irrestrita, a Coréia do Norte. Certamente vai desdenhar as declarações de Hillary Clinton, que há provas esmagadoras de que a Coréia do Norte afundou o navio Cheonan, da Coréia do Sul, no Mar Amarelo, no final de março, resultando na morte de dezenas de coreanos do sul.PACTO COMUNISTA
Como a Coréia do Norte é um país comunista, alinhado com os programas de governos de vários países latinos, cujos líderes fazem parte do Foro de São Paulo, ou Unasul se preferirem, tudo indica que a solidariedade programático-ideológica precisará se impor dentro de um pacto comunista já firmado. Vamos aguardar.REPERCUSSÃO
Diante da repercussão do editorial de ontem, quando discorri sobre a saturação do crédito no país, no médio prazo, vejo que cometi um engano: imaginei que muitos leitores ignorariam o meu alerta dizendo que é preciso ser otimista. Nada disso, gente. O que aconteceu é que precisei responder quase uma centena de mensagens repletas de pura concordância de que a cobra está se aprontando para fumar.PRAZO
Alguns leitores menos confiantes até acreditam que o prazo de dois anos que dei para que a saturação se confirme é exagerado. Principalmente, porque muitos consumidores que tenham renda suficiente para continuar pagando as prestações, não mais o farão porque o saldo a pagar, dos bens duráveis adquiridos a prazo, é maior do que o valor de mercado dos mesmos. O bastante, obviamente, para desistir do compromisso.SERVIÇO DA DÍVIDA
Para completar o raciocínio vejam o que diz o levantamento feito recentemente pela LCA Consultores: as famílias brasileiras gastam, em média, 18% de sua renda com o chamado serviço da dívida (soma das prestações assumidas e juros pagos ao sistema financeiro). Essa parcela, segundo a LCA e a lógica do raciocínio, é muito alta (nos EUA é 15%). O suficiente para afirmar que a corda está ficando esticada e não vai aguentar por muito tempo.CARGA TRIBUTÁRIA
Leve-se em consideração que a nossa carga tributária deve chegar, em 2010, em 40,15%. Dinheiro que sai do bolso, da renda, da sociedade. Mais: como a sociedade não recebe os serviços de saúde, educação e segurança que paga ao Estado, ainda precisa adquirir tudo isso da iniciativa privada. O que compromete ainda mais a renda, e complica severamente o orçamento individual e familiar. Daí a razão para as indiscutíveis inadimplências futuras.DOBROU
Observem que, no período de 2003 a 2009, dobrou o volume de crédito para pessoa física, no país. A renda, como se sabe, também cresceu no período, mas não no mesmo ritmo. Além disto, uma coisa é absolutamente inegável, ou é por demais conhecida: o atual crescimento da economia brasileira é fruto colhido através do enorme crescimento do crédito. Portanto, quando esse mesmo crédito desacelerar, e já vai acontecer, o crescimento vai andar em marcha lenta.SENSAÇÃO
Fiquei com a clara impressão, gente, de que tudo que escrevi ontem e hoje é o mesmo que pensa a quase totalidade dos leitores do Ponto Critico. Muitos, pelo que informam as manifestações, já estavam se posicionando atrás das moitas à espera do acontecimento. Não porque querem, mas porque foram acordados pela mesma sensação.INFRA-ESTRUTURA
Segundo levantamento feito pelo IPEA, as rodovias brasileiras precisam de mais de R$ 180 bilhões em investimentos. Que tal? Como o estudo trata exclusivamente de rodovias federais, o estudo informa que 65% dos 61 mil quilômetros das BRs, se encontram em estado de deficiente a péssimo. Considerando que 58% do transporte de cargas do Brasil é feito por rodovias, a coisa vai de mal a pior.Mas tudo fica ainda pior quando o IPEA informa que o fantástico PAC cobre só 13% desse valor. Isto já seria o bastante para o Brasil deixar de sediar a Copa de 2014 e seguintes, até 2100, no mínimo.ÁGUA FRIA
Toda vez que me proponho a alertar sobre exageros praticados no Brasil, a turma dos otimistas incorrigíveis simplesmente não perdoa. Não aceitando que alguém jogue água fria na boa fase econômica do país, antes de usar o raciocínio imaginam que minha felicidade está em ver a festa acabar para os consumidores mais animados. Alguém que não suporta a alegria que está provocando o atual crescimento que estamos experimentando.OPINIÃO E PALPITE
Como me dedico, diariamente, em opinar da forma mais fundamentada possível, coisa bem diferente de quem prefere dar meros palpites, a minha preocupação não é esfriar o prato servido, mas mostrar o cálculo econômico e a relação custo benefício daquilo que a sociedade paga e consome.SATURAÇÃO
Pois é por aí que entendo que o crescimento das compras a crédito no Brasil está cada vez mais próximo da saturação. Por si só o limite vai se apresentar pelo esgotamento da capacidade de endividamento. Afinal, todos nós sabemos que a renda do povo brasileiro não é tão alta assim a ponto de ficar concedendo, num aumento sem fim do crédito.VELOCIDADE
Já sei, de antemão, que vou receber muitas mensagens cheias de contrariedade. Mas, o fato é que o limite está ficando cada vez mais próximo em função da velocidade do crescimento da renda em comparação com o volume do crédito . Não acredito que se trate, por enquanto, de uma bolha. Esta ainda vai ficar para mais adiante. Algo para dois a três anos à frente, aproximadamente, quando muita gente simplesmente deverá desistir dos automóveis e imóveis, principalmente, que adquiriu nestes dois últimos anos. Por quê? Ora, porque não terá como pagar as prestações.SUBPRIME
Não me compreendam mal. Não é nada parecido com o subprime americano que foi engordado com anabolizantes. Aqui os bancos estão trabalhando com alavangem baixa e juros bem mais elevados, o que, por si só já significa um provisionamento enorme de devedores duvidosos. Entretanto, por outro lado, os mesmos juros altos é o que vai aumentar a inadimplência. E a única saída será pela porta do encurtamento do crédito.DUAS FRENTES
País em que a renda do povo é baixa, o crédito não é calculado pelo juro, mas pelo valor da parcela. Como uma renda baixa é explicada pelo baixo nível de esclarecimento das pessoas, o engodo se dá pelo aumento do prazo. E, quanto menor a prestação, maior o comprometimento da renda em novas compras a prazo. Até o momento da saturação. É sobre esta saturação que estou me referindo. E ela será percebida por duas frentes: por quem dá o crédito e por quem o recebe.JUROS
Por favor: não olhem para a taxa Selic, que está abaixo de 10%. Olhem, com muita clareza, para o juro bancário, que está, em média, acima de 35%. Quanto maior for a perspectiva de inadimplência, a taxa de juro será maior; e o prazo, ao contrário, será cada vez menor. Esta é a ferramenta normalmente utilizada. Os americanos tentaram uma outra, que acabou por matar vários bancos.MÁGICO
Aqui em NY o presidente Lula ainda é reconhecido como um mágico das finanças públicas. Este equívoco resulta do fato de que os americanos em geral não sabem quase nada sobre a nossa economia. A não ser que tudo aquilo de errado que sempre fizemos é por culpa exclusiva dos EUA. Eles é que fazem o Brasil ser um eterno emergente, em desenvolvimento.SALVADOR
Diante das inúmeras notícias veiculadas nos jornais e revistas americanas, de que o Brasil foi um dos países que enfrentou melhor a crise mundial de crédito, embora os arranhões sofridos, quem apareceu como grande salvador da pátria foi o presidente Lula. Pouco ou nada interessou que as medidas salvadoras, testadas no tsunami financeiro, tinham sido tomadas no governo anterior.VOTO CONTRA
Como se percebe, o que realmente interessa nesses casos é quem estava no comando na hora do grande teste. Havendo sucesso das medidas adotadas, os louros da vitória vão para o presidente da hora. Ele é o grande festejado, apesar de ter feito desfeita e votado contra as propostas que produziram o bom resultado no enfrentamento da crise, como é o caso de Lula e seu partido.TEMPO AO TEMPO
A partir daí, como de nada adianta ficar explicando ao mundo todo que Lula é um embuste, um falsário, o único caminho que resta é dar tempo ao tempo. Partir, basicamente, do princípio de que sempre é possível alguém enganar muita gente por algum tempo, mas nunca a todos por todo o tempo. Um dia a casa acaba caindo e a verdade aparecendo, naturalmente.FALSÁRIO
Pois é exatamente isto que já está acontecendo. A percepção mais clara de que o presidente Lula é um enganador, começa a ficar claro pelos mais recentes comentários escritos naqueles mesmos jornais e revistas internacionais que antes o elogiavam. Principalmente depois da descoberta da paixão que Lula e sua turma revelam, de forma sistemática e contínua, por ditaduras e ditadores. Tanto da America Latina quanto do Irã.PERDULÁRIO
Independente da percepção desta forte manifestação amorosa por tiranos, Lula também já está mostrando ao mundo a sua faze de grande perdulário de dinheiro público. Embora ainda não tenha vetado ou sancionado a decisão irresponsável dos deputados e senadores, que aprovaram o fim do fator previdenciário e o aumento de 7,7% dos aposentados e pensionistas que ganham acima do mínimo, Lula já é considerado um campeão de despesas públicas.A CONFIRMAÇÃO
Ontem, para confirmar a sua nova fama, Lula anunciou um pacote de medidas aos prefeitos, entre elas um mecanismo permanente de compensação para evitar perdas dos municípios nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios. Com a medida, o governo fica OBRIGADO a transferir aos municípios no mínimo o valor pago de FPM no ano anterior. Isso significa que, caso haja, de um ano para o outro, uma queda na arrecadação de impostos que irrigam o FPM, o governo terá que completar o repasse com verba do Tesouro. Que tal?TRAGÉDIA
Quando o planeta Terra foi sacudido pelo estouro da bolha das hipotecas -subprime-, nos EUA, a sensação foi péssima. E quem melhor espelhou a tragédia não foram as fisionomias abatidas dos investidores, trabalhadores e consumidores. Foram as Bolsas, através das quedas sistemáticas e constantes dos índices à vista e futuro.DÍVIDA PÚBLICA
Diante do desespero e da má perspectiva, vários governos, como se viu, trataram de socorrer seus sistemas financeiros injetando recursos públicos nos bancos insolventes. O resultado dessa manobra, coisa bem conhecida, é que a dívida do sistema financeiro virou dívida pública, produzida pelas emissões de títulos governamentais.NAS CONTAS PÚBLICAS
A partir daí os mercados se acalmaram e os índices buscaram recuperação, dando uma falsa impressão de que a encrenca chegara ao fim. Um equívoco e tanto. Como as dívidas não somem antes da quitação, os recursos usados para ajudar o sistema financeiro de cada país apareceu, obviamente, nas contas públicas, pelo endividamento.RELAÇÃO DÍVIDA/PIB
Considerando que a atividade econômica mundial encolheu em 2009 em função da crise, a relação dívida PIB de inúmeros países foi às nuvens. Em dose dupla: pela queda brutal da atividade econômica e pelo aumento brutal da dívida. Esta ficha, entretanto, só veio a cair mesmo nas últimas semanas. Depois que muitos dos países (europeus) demonstraram impossibilidade para resgatar os títulos que haviam emitido.CONTAMINAÇÃO
Começando pela Grécia, mas dando um claro recado de que dezenas de outros países já estavam fortemente contaminados pela mesma doença: sem caixa, e sem crédito internacional e nacional, para fazer o caixa.ENCOLHIMENTO
Depois que a ficha caiu de fato, tudo ficou bem claro: muitas economias importantes vão encolher. Não por pessimismo, mas simplesmente porque não há milagres. O encolhimento começa pela restrição ao crédito. E, com menos crédito as atividades encolhem. Menos atividade significa menos renda, menos consumo, menos empregos. Consequência: menor arrecadação de impostos.ORÇAMENTOS
Considerando que os governos precisam de recursos para satisfazer seus orçamentos mínimos, independente de cortar despesas como muitos até já anunciaram, ainda vão precisar aumentar os impostos. O que impõe, por sua vez, um crescimento ainda mais lento das economias.GASTOS PÚBLICOS
O Brasil, por ora, como vem afirmando o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, está bem preparado para enfrentar uma possível piora da situação macroeconômica na Europa e um hipotético contágio a outros países. Só faltou dizer que precisamos ter melhor controle dos gastos públicos, coisa que os nossos políticos não suportam e nem querem ouvir.