CISNE NEGRO
O escritor Nassim Nicholas Taleb, na sua obra - A LÓGICA DO CISNE NEGRO - , faz uma excelente analogia entre o CISNE NEGRO e um EVENTO RARO, do tipo que é impossível de ser previsto apenas analisando o passado.
PROPÓSITO
Se for levado em conta que o CORONAVÍRUS é um vírus novo, ocasionado em doença respiratória, com casos registrados majoritariamente na China, aí cabe perfeitamente a analogia com o CISNE NEGRO. Mais: pela amostra, o CORONAVÍRUS, além de raro já demonstra que tem um apetite destrutivo, tanto de vidas humanas quanto de atividades econômicas.
LEI DA PROBABILIDADE
Ainda que sejam considerados raros, os CISNES NEGROS também usam os mais diferentes disfarces, coisa que dificulta a constatação de suas presenças ou mesmo de possíveis aproximações. Observem que o fato da PROBABILIDADE DE OCORRÊNCIA de qualquer coisa ser baixa, isto não significa que a POSSIBILIDADE de OCORRÊNCIA seja igual a zero.
PROVAS
Segundo Taleb, quando falamos que “não há provas sobre existência de cisnes negros”, muitas pessoas podem entender que essas aves negras simplesmente não existem. Um jeito errado de interpretar, afinal, a falta de prova de alguma coisa não significa que ela não seja real.
TENDÊNCIA DO CÉREBRO
Mais: existe ainda a tendência do nosso cérebro de buscar evidências, a chamada falácia da confirmação. “A Lógica do Cisne Negro” afirma que nosso cérebro é acostumado a procurar por provas e isso pode limitar em muito a nossa linha de pensamento, ignorando informações que vão na contramão dessas crenças. Esse comportamento cego limita as nossas descobertas.
DUAS BOAS NOTÍCIAS VINDAS DO STF
Pode soar como uma ironia fina, mas o fato é que, ontem, o Brasil foi sacudido por DUAS ÓTIMAS NOTÍCIAS, ambas vindas do fétido Supremo Tribunal Federal. Como esta comprometida e injusta instituição tem se revelado um verdadeiro CIRCO DE HORRORES, o fato de alguém imaginar que alguma notícia boa possa sair daquele antro é visto como uma -pegadinha-.
PRIMEIRA BOA NOTÍCIA
Pois, a PRIMEIRA BOA NOTÍCIA se refere à importante decisão tomada pelo ministro Luiz Fux, que derrubou, por tempo indeterminado, a liminar concedida pelo presidente do STF, Dias Tóffoli, sobre o famigerado JUIZ DE GARANTIA.
BOM SENSO
Vale registrar que a decisão do ministro Luiz Fux ocorreu momentos depois que assumiu o PLANTÃO DO STF, no lugar de Dias Tóffoli. Fux, com muito bom senso, disse que o juiz precisa ter uma visão minimalista, sem inovar em argumentações que possam confundir legislador e julgador.
ROL DE MOTIVOS
No rol de motivos que elencou para ajustar a decisão do péssimo ministro Dias Tóffoli, Fux apontou:
1- a aprovação da lei pelo Congresso não tira a legitimidade do Judiciário para verificar a constitucionalidade do texto;
2- o Judiciário só deve adaptar a lei sancionada em decisão definitiva, de mérito;
3- a liminar (decisão provisória) deve ser reversível, para que não prejudique futura decisão do próprio STF.
SEGUNDA BOA NOTÍCIA
A SEGUNDA NOTÍCIA BOA - também fornecida pelo STF, diz respeito ao afastamento do ministro Celso de Mello, que entrou ontem em licença médica depois de ter se submetido a uma cirurgia no quadril. Com isso, segundo informa o boletim médico, o decano ficará de -molho- até o dia 19 de março, provavelmente. Ou seja, nos próximos DOIS MESES, aproximadamente, o Brasil estará livre de suas injustas decisões. Ufa! Que tal?
PEDIR MÚSICA
Ainda que estas duas boas novas sejam pra lá de suficientes para alegrar o pobre e -indignado- povo brasileiro, se levarmos em conta a excelente participação do ministro da Economia, Paulo Guedes, no Fórum Econômico Mundial, aí só nos resta PEDIR MÚSICA!
PAULO GUEDES
Nesta edição do Fórum Econômico Mundial, o ministro Paulo Guedes, com o firme propósito de mostrar ao mundo todo que as REFORMAS em curso no nosso país vão colocar o Brasil num patamar jamais visto em termos de crescimento e desenvolvimento, abriu um verdadeiro FEIRÃO DE OFERTAS DE BONS E RAROS NEGÓCIOS para quem está disposto em investir.
AGENDA
Se na edição -2019- do Fórum Econômico Mundial, que aconteceu poucos dias após a posse do presidente Jair Bolsonaro, a participação do Brasil serviu apenas e tão somente para mostrar uma série de BOAS INTENÇÕES, nesta edição -2020- o ministro Paulo Guedes se faz presente portando uma AGENDA que contém, além de diversas e importantes REALIZAÇÕES, um audacioso programa de DESESTATIZAÇÃO, com datas definidas para acontecer neste ano e seguintes.
PIB DO SETOR PRIVADO
Para mostrar que a atividade econômica já se situa acima das expectativas do mercado, Guedes salientou, nas rodas em que participou, que o PIB do SETOR PRIVADO já está em trajetória de recuperação, graças a uma evolução positiva do INVESTIMENTO PRIVADO. Enquanto isso, o PIB do SETOR PÚBLICO segue encolhendo, por força de uma drástica redução do INVESTIMENTO PÚBLICO.
RETOMADA
Esta RETOMADA das atividades do SETOR PRIVADO, para que fique bem claro, já é possível atestar: o crescimento interanual do SETOR PRIVADO (crescimento em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior) foi de +2,72%, enquanto a atividade do SETOR PÚBLICO recuou -2,25%.
TRAJETÓRIA
Detalhe importante: esta clara EVOLUÇÃO POSITIVA do SETOR PRIVADO, segundo o IBGE, tem sido observada desde o SEGUNDO TRIMESTRE DE 2019. Já a TRAJETÓRIA DESCENDENTE do SETOR PÚBLICO teve início no TERCEIRO TRIMESTRE de 2018.
TIRANDO OS ARPÕES
Ora, tanto para bom quanto para mau entendedor é impossível não dar total e absoluta razão ao ministro Paulo Guedes quando o mesmo afirma que o governo Bolsonaro está tirando, pouco a pouco, os arpões da baleia (Brasil). Sem eles o Brasil tem efetivas condições para experimentar um crescimento de 2,5% em 2020; 3% em 2021 e 4% em 2022. Alguém duvida?
RELATÓRIO DA UNCTAD
Se algum leitor, depois de dois editoriais dedicados para construir um razoável ESCLARECIMENTO sobre as reais razões que levaram muitos investidores -nacionais e estrangeiros- a RETIRAR DINHEIRO DO BRASIL (ou -DEBANDADA-, como prefere a mídia -felina-), ainda ficou com alguma dúvida, sugiro que leia o RELATÓRIO que a UNCTAD -Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento- divulgou ontem, 20.
DA 6ª PARA 4ª POSIÇÃO EM 2019
Diz o importante estudo que com a ajuda do PROGRAMA DE PRIVATIZAÇÃO de empresas federais o Brasil subiu da 6ª para a 4ª posição entre os principais destinos de investimentos estrangeiros no mundo em 2019. De novo: mesmo levando em conta que as vendas de estatais ao longo de 2019 foram muito tímidas, mesmo assim o Brasil recebeu US$ 75 bilhões em investimentos externos no ano passado, contra US$ 60 bilhões em 2018.
OS MAIORES
Os três primeiros lugares do ranking de destino de investimentos, em 2019, ficaram com: 1- os Estados Unidos, com US$ 251 bilhões; 2- a China, com US$ 140 bilhões, e 3- Cingapura, com US$ 110 bilhões.
Detalhe: os US$ 75 bilhões que chegaram ao Brasil equivalem a mais da metade dos US$ 119 bilhões que a América do Sul recebeu no ano passado. Que tal?
LEILÕES JÁ PROGRAMADOS
Segundo diz o relatório, a considerar a agenda de leilões de privatizações e/ou concessões já programados para o período, em 2020 os desinvestimentos em subsidiárias de companhias estatais do nosso país deverão ganhar muita força.
ÁREA VERDE
Além das privatizações, o relatório da UNCTAD cita os projetos relacionados ao meio ambiente como fatores que ajudarão a elevar os investimentos estrangeiros no Brasil neste ano. “Dados preliminares sobre os investimentos na área verde corroboram essa perspectiva, com o valor dos projetos mais que dobrando, na comparação com 2018, especialmente na energia renovável e na indústria automotiva”.
CAPITAL PRODUTIVO
A propósito: - O IED -INVESTIMENTO ESTRANGEIRO DIRETO- mede o capital investido por estrangeiros em um país. Ele é considerado por economistas como o "bom investimento", já que os recursos vão para o CAPITAL PRODUTIVO (construção de fábricas, infraestrutura, empréstimos e fusões e aquisições).
DESINFORMADOS PELA MÍDIA
Como o editorial da última 6ª feira -O QUE ESTÁ POR TRÁS DO FLUXO CAMBIAL NEGATIVO-, foi alvo de inúmeras manifestações de leitores que se consideram -DESINFORMADOS PELA MÍDIA-, volto ao tema com algumas contribuições que recebi para melhor esclarecer o importante tema.
SALDAR DÍVIDAS EXTERNAS
Uma delas, como bem lembra Cláudio Berquó, leitor atento do Ponto Critico, é que empresas com DÍVIDAS EM DÓLAR, neste momento em que as TAXAS DE JUROS estão caindo bastante no Brasil, estão fechando câmbio com o propósito de saldar, ou amortizar, DÍVIDAS CONTRAÍDAS NO EXTERIOR. Detalhe: os recursos para tanto têm origem na emissão de debêntures em REAIS.
MERCADO DE RENDA FIXA
Berquó completa: o investidor de portfólio não está vindo para o Brasil ainda, porque está esperando, com total razão, as REFORMAS MAIS SÉRIAS E CONSISTENTES. Além disso é bom lembrar que o mercado americano está bombando. Some-se aí que o nosso mercado de RENDA FIXA (com a importante queda dos juros) está sofrendo uma forte concorrência externa, inclusive dos EUA.
INVESTIMENTOS
Antes que alguns leitores mais apressados entendam que o Brasil corre um sério risco de continuar sofrendo uma grande debandada de dólares é importante que se tenha em mente que os recursos destinados, não para a RENDA FIXA, mas para INVESTIMENTOS, seguem na mira dos investidores com visão de longo prazo.
SUBSTITUIÇÃO
Aliás, lá atrás, quando o presidente Bolsonaro ainda era candidato à presidência, o já definido ministro da Economia Paulo Guedes disse, alto e bom tom, inúmeras vezes, que a DEPENDÊNCIA do dinheiro estrangeiro para o financiamento do -DÉFICIT PÚBLICO DO BRASIL- seria, na medida do possível, substituída por INVESTIMENTOS.
MARCO REGULATÓRIO
Como os interesses de cada tipo de investidor são diversos, enquanto batem em retirada aqueles que estão voltados para a RENDA FIXA, os interessados em INVESTIMENTOS, que veem nos dividendos resultados melhores do que os juros em títulos públicos, ficam no aguardo dos editais de venda e/ou concessões com olho fixo no imprescindível MARCO REGULATÓRIO.
FLUXO CAMBIAL NEGATIVO
Dias atrás o Banco Central informou que o FLUXO CAMBIAL acumulado no ano 2019 ficou NEGATIVO em US$ 44,77 bilhões. Vejam que o recorde anterior de -RETIRADAS LÍQUIDAS- tinha sido registrado em 1999, quando o FLUXO CAMBIAL fechou NEGATIVO em US$ 16,18 bilhões.
Naquele ano, vale lembrar, o Brasil abandonou a POLÍTICA DE BANDAS CAMBIAIS, passando a adotar a LIVRE FLUTUAÇÃO DO DÓLAR.
ESCLARECIMENTO
A título de esclarecimento, o FLUXO CAMBIAL (volume de divisas externas que entram ou saem do Brasil) é calculado com base nos saldos do FLUXO FINANCEIRO (investimentos em títulos, remessas de lucros e dividendos ao exterior e investimentos estrangeiros diretos, entre outras operações) e do FLUXO COMERCIAL (operações de câmbio relacionadas a exportações e importações).
MAIOR SAÍDA DESDE 1982
Pois, se esta fantástica RETIRADA LÍQUIDA DE DIVISAS, que perfaz o elevado SALDO NEGATIVO de quase R$ 45 bilhões já é passível de destaque, a atenção dobra quando se percebe que esta é a MAIOR -SAÍDA LÍQUIDA DE DIVISAS- desde o início da série histórica, em 1982.
FLUXO FINANCEIRO FOI O MAIOR RESPONSÁVEL
O que pouca gente sabe é que o MAIOR responsável pelo FLUXO NEGATIVO foi o FLUXO FINANCEIRO. Vejam que em 2019 o FLUXO COMERCIAL ficou POSITIVO em US$ 17,47 bilhões. Já o FLUXO FINANCEIRO registrou SAÍDA LÍQUIDA de US$ 62,24 bilhões.
PERGUNTA E RESPOSTA
A PERGUNTA que muita gente está fazendo é a seguinte: - O quê explica esta enorme SAÍDA DE DIVISAS, neste momento em que o Brasil dá sinais de recuperação econômica e de aprovação de importantes REFORMAS?
A RESPOSTA, que a mídia em geral ignora (por motivos óbvios) é a seguinte: - Os investidores que colocaram dólares no Brasil, com o afã de aproveitar as fantásticas TAXAS DE JUROS oferecidas pelo governo, não têm mais razão para continuar aplicando em títulos do governo, pois a SELIC despencou para 4,5%.
FIM DA DISNEYLÂNDIA
Resumindo: com o fim da DISNEYLÂNDIA DOS JUROS no Brasil, aos investidores que tinham dedicação voltada exclusivamente para o nosso MERCADO DE CRÉDITO não sobrou outra alternativa senão a de debandar. É isto que está acontecendo, gente.
Mais: quem trouxe dinheiro de fora para aplicar em títulos públicos em 2019 está saindo com PREJUÍZO, pois o fechamento do CAMBIO, para recompra dos dólares, ficou mais caro do que o ganho obtido com a renda fixa.