PREGUIÇA
Na virada do ano novo, em conversa com jornalistas, entre tantas respostas que deu às mais variadas perguntas, o presidente Jair Bolsonaro disse algumas coisas que muita gente, inclusive aquelas que se veem como razoavelmente esclarecidas, simplesmente desconhece ou tem preguiça para obter o necessário conhecimento.
JURAMENTO À CONSTITUIÇÃO
Uma delas é que, ao assumir o posto de presidente da República, Jair Bolsonaro, a exemplo de todos os presidentes, jurou ser escravo da Constituição. Isto significa que todas e quaisquer modificações que o presidente queira fazer no texto constitucional vão depender da aprovação dos Poderes -Legislativo e Judiciário- .
Detalhe importante: aquilo que a Constituição blinda como -CLÁUSULA PÉTREA-, aí nem adianta tentar.
DESCARTE OU MUTILAÇÃO
Pois, ainda que as pretensões e/ou vontades do Poder Executivo, que levam o rótulo de -REFORMA- dependam da sempre morosa vontade dos deputados, senadores e ministros do STF, o fato é que muita coisa boa que está inserida nas PECs, do tipo que dariam maior consistência, acaba sendo mutilada ou mesmo descartada ao longo do enorme processo de tramitação.
Mais: sem levar em conta que muito daquilo que resulta aprovado não entra em vigor imediatamente.
RESPONSABILIDADE
Voltando ao que escrevi no primeiro bloco deste editorial, o que mais vejo é que, muito por influência da mídia, grande parte dos brasileiros atribui ao PODER EXECUTIVO a responsabilidade por aquilo que os Poderes LEGISLATIVO E JUDICIÁRIO vetaram, mutilaram ou simplesmente não votaram, como é o caso de várias MPs, que acabaram caducando por decorrência de prazo.
GRANDE MÍDIA
Quem assistiu os mais diversos balanços que cada um dos meios de comunicação apresentou, nos programas - RETROSPECTIVA 2019-, identifica com grande nitidez esta postura. Como a -grande mídia- não nega o ódio que tem pelo presidente, o primeiro ano de mandato do presidente foi considerado como:
1- TÍMIDO no quesito REFORMAS;
2- LENTO, ou SEM PROJETO, naquilo que poderia fazer a diferença; e,
3- de baixo de grau de entrega das PROMESSAS feitas durante a campanha eleitoral.
PRESSUPOSTO
Como ainda recebo inúmeras mensagens de leitores que acreditam piamente em boa parte daquilo que leem, ouvem e assistem nos grandes meios de comunicação, aí a tarefa de convencimento pressupõe que todos saibam aquilo que o Poder EXECUTIVO pode fazer e até onde pode. Ah, sem esquecer que o presidente é escravo da CONSTITUIÇÃO!
ESPECULAÇÃO X ANÁLISES ESCLARECEDORAS
Por tudo que leio, ouço e assisto na grande maioria dos meios de comunicação do nosso empobrecido Brasil a respeito dos mais diversos e possíveis efeitos que podem e/ou devem resultar desta complicada, porém nada surpreendente, tensão que envolve os EUA e o Irã, percebo que enquanto a ESPECULAÇÃO é fornecida em TONELADAS, as ANÁLISES corretas e esclarecedoras são entregues em GRAMAS.
CRIMINOSO-VÍTIMA
Mais: a mídia, muito por uma clara questão de identificação ideológica, segue dizendo a todo momento que o iraniano morto no ataque -cirúrgico- feito pelo operador do drone americano era apenas e tão somente um GENERAL e não um real e notório TERRORISTA. Isto, infelizmente, leva muita gente (que se deixa influenciar pela mídia) a transformar o criminoso em vítima.
CULPADO
Como a esquerda nacional e mundial não esconde o quanto vê Donald Trump como uma figura simplesmente insuportável, basta que o líder americano se manifeste contra qualquer pessoa ou coisa para que seus desafetos, imediatamente, se unam para acusá-lo como intolerante e/ou verdadeiro e único culpado.
COMBUSTÍVEIS
Como a tensão entre os EUA e o Irã está provocando uma óbvia e esperada elevação alta do preço do barril de petróleo no mercado internacional, a sensacionalista e sempre assanhada mídia brasileira não para de fazer as velhas provocações quanto à decisão que o governo pode tomar no que diz respeito aos preços dos combustíveis no nosso país.
INTERVENÇÃO
Ora, neste momento em que a Petrobrás está se reunindo, na Bolsa de Nova York (NYSE), com investidores internacionais, para tentar a venda de 734 milhões de ações da empresa, em operação com um valor estimado de US$ 5,82 bilhões (R$ 23,5 bilhões), só falta o governo dizer que vai interferir no preço dos combustíveis no Brasil. Aí, inevitavelmente, além de afugentar os pretensos compradores; vai provocar uma acentuada queda de preços das ações da estatal.
ICMS
Mais ainda: como já estão agendados vários leilões para venda de campos terrestres na Bacia Sergipe- Alagoas, assim como da venda de cinco ou seis refinarias, estes negócios só têm alguma chance de acontecer se o governo não se intrometer na formação do preço dos combustíveis.
É sempre bom lembrar que o alto preço dos combustíveis no Brasil é obra exclusiva da etapa de DISTRIBUIÇÃO, onde incidem os impostos, notadamente o criminoso ICMS. É justamente aí que deveria haver uma clara e direta intervenção do governo.
POSTURA DA MÍDIA -EM GERAL-
Mais do que sabido, uma das grandes queixas que a maioria, senão totalidade, dos eleitores de Jair Bolsonaro manifestou, ao longo do primeiro ano de mandato do presidente, diz respeito à postura notoriamente sempre mal-intencionada da MÍDIA - EM GERAL -.
TÓRRIDA PAIXÃO PELO SOCIALISMO
Pois, mesmo que muita gente entenda que esta queixa dos eleitores é carregada de grande exagero, uma coisa que ninguém, de sã consciência e razoável capacidade de discernimento, pode deixar de reconhecer é que a mídia -em geral- nutre, desde sempre, uma tórrida e escancarada paixão pelo SOCIALISMO.
FORMAS UTILIZADAS PARA COMBATER AS BOAS MEDIDAS
Como o governo Bolsonaro, pelas boas mãos e mentes das equipes técnicas que estão a frente, principalmente, dos ministérios da Economia e da Infraestrutura, vem propondo corretas medidas e/ou decisões de cunho -LIBERAL-, a mídia -em geral-, por ser SOCIALISTA de corpo e alma, desde a posse do presidente adotou duas formas principais para combater as pretensões LIBERAIS do governo:
1- demonizar as propostas; e/ou
2- esconder dos leitores, ouvintes e telespectadores tudo que for possível.
ALEXANDRE GARCIA
A propósito, o jornalista Alexandre Garcia, em artigo recentemente publicado na Gazeta do Povo, descreve esta má postura da mídia -em geral- de maneira singular ao se referir à maior ponte ferroviária da América Latina, de quase 3 quilômetros de extensão, atravessando o Rio São Francisco, para a ferrovia Leste-Oeste, que vai ligar a Norte-Sul com o porto baiano de Ilhéus.
O BOM A GENTE ESCONDE; O RUIM A GENTE MOSTRA
Diz Garcia: - Se antes éramos destinatários de -O QUE É RUIM, A GENTE ESCONDE; O QUE É BOM A GENTE MOSTRA- (lembrando a frase do ministro Ricúpero, da Fazenda, em 1994), neste ano parece que fomos vítimas de um - O QUE É BOM, A GENTE ESCONDE; O QUE É RUIM, A GENTE MOSTRA. Mais: o SE NÃO HOUVER RUIM, A GENTE INVENTA.
VELHA IDEOLOGIA FRACASSADA
O jornalista Alexandre Garcia completa com uma observação inegável que, a rigor, só a mídia SOCIALISTA releva:
- O otimismo voltou à economia e é o fator que impulsiona o investimento e o emprego. A propósito, até o desemprego serviu para estimular o brasileiro empreendedor, sem carteira assinada, com iniciativa própria, fornecedor de empresas, sem horário, dono do próprio nariz e de seu próprio faturamento. Fico pensando o quanto devem estar sofrendo os que apostam contra o giro da riqueza, que distribui bem-estar. Em geral são os mesmos sabichões, especialistas, que garantiam que o atual presidente não teria a menor chance nas eleições.
Imaginem quando todas as escolas deixarem de lado a VELHA IDEOLOGIA FRACASSADA e se empenharem no Português, na Matemática, nas Ciências – e não fizermos mais vexame no Pisa. Pense nisso, olhando para trás para entrar mais imunizado neste 2020.
FUTURO
Entre tantas mensagens que recebi nesses últimos dias, todas repletas de votos de um ótimo e promissor 2020, as quais agradeço e retribuo em dobro a todos os leitores e familiares, não foram poucas aquelas que fizeram questão de lembrar que ao longo das últimas duas décadas, este foi, enfim, o final de ano que me manifestei de forma claramente OTIMISTA quanto ao futuro do nosso empobrecido Brasil.
ANO PARA CONSERTAR
Pois, antes que vejam o meu OTIMISMO como algo típico dos ingênuos, que confundem -DESEJO- com -REAL POSSIBILIDADE-, me apresso em esclarecer que sempre estive plenamente consciente, tanto do número de doenças que atacam os tecidos do nosso empobrecido Brasil quanto do alto grau de gravidade de quase todas.
Ou seja, não vejo 2020 como ANO DE SOLUÇÕES, mas como um período em que muitos CONSERTOS serão feitos.
A MELHORA AINDA NÃO É A CURA
Portanto, este meu confessado OTIMISMO quanto ao futuro do nosso país, que grande parte dos leitores do Ponto Critico percebeu corretamente, é resultante direto do TRATAMENTO que o governo está aplicando para que o fragilizado organismo Brasil recupere, no seu devido tempo, um pouco da abalada saúde. Assim, pelo que aconteceu em 2019 sigo confiante de que muita coisa poderá ser consertada em 2020 e seguintes.
ATENÇÃO: - A MELHORA ESPERADA não significa CURA DEFINITIVA.
PERVERSO DIAS TÓFFOLI
Pois, sem deixar o meu OTIMISMO de lado, ou muito comprometido, mesmo que não tenha ficado minimamente surpreso devo confessar que, no apagar das luzes de 2019, a decisão do sempre PERVERSO presidente do STF, ministro Dias Tóffoli, ao suspender o efeito da resolução do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), vinculado ao Ministério da Economia, que reduziu os valores do seguro DPVAT, me deixou pra lá de revoltado.
DPVAT SOA COMO DEPRAVAÇÃO
A propósito, a sigla DPVAT, pelos efeitos safados que produz tanto para os proprietários de veículos automotores quanto para os acidentados, mais parece uma forma simplificada de DEPRAVAÇÃO. Ora, como o adjetivo substantivo masculino DEPRAVADO é sinônimo de DEGRADADO; CORRUPTO; DEGENERADO; PERVERSO, aí já temos algo para definir a ESTÚPIDA suspensão da resolução do CNSP.
INTERESSES DIVERSOS
O fato é que o STF tomou mais uma decisão absolutamente CONTRÁRIA AO INTERESSE POPULAR e absolutamente FAVORÁVEL AO INTERESSE DAS EMPRESAS SEGURADORAS. Mais: interferiu ferozmente no ambiente do Executivo. Observem que a péssima instituição tornou sem efeito: 1- a Medida Provisória que extinguiu o seguro obrigatório DPVAT e o DPEM a partir de 2020; e, 2- o efeito da resolução do Conselho Nacional de Seguros Privados. Pode?
PAÍS DO FUTURO
Inicio este último editorial de 2019 cheio de vontade, cercado de um elevado grau de certeza, de que tudo de bom que já está agendado para acontecer ao longo de 2020 se traduza em resultados reais e capazes de fazer do nosso Brasil o sempre ambicionado PAÍS DO FUTURO.
CAMINHO PAVIMENTADO
Aliás, quem se dispõe a olhar, através das janelas que revelam, numericamente, o comportamento dos ÍNDICES e COTAÇÕES utilizados para medir o desempenho das mais diversas atividades, verá, com absoluta clareza, que os resultados registrados no final de 2019 nos fazem acreditar, sim, que a pavimentação do caminho que leva ao CRESCIMENTO e DESENVOLVIMENTO já se mostra em boas condições para poder suportar o tráfego pesado que as economias pujantes exigem.
REFORMAS
Vejam que neste final de ano, bem diferente dos anteriores, os festejos não estão concentrados no desempenho de um ou outro INDICADOR/ATIVO. Ao contrário: todos eles estão fechando 2019 de forma altamente positiva. Mais: se o povo brasileiro seguir exigindo a realização das REFORMAS, aí o viés de melhora se acentua de forma muito vigorosa.
PONTA A PONTA
Já que estamos falando de comportamentos de ÍNDICES e COTAÇÕES, eis aí a evolução -ponta a ponta- (base início e base fim de 2019), dos principais ATIVOS, do tipo que se mostram sempre presentes no dia a dia dos noticiários, tanto nacional quanto internacional:
ÍNDICES E COTAÇÕES
1- O ÍNDICE BOVESPA - cuja pontuação mede o comportamento dos preços as AÇÕES MAIS LÍQUIDAS negociadas na -B3-, fechou 2019 com ALTA de 31,58%;
2- A TAXA BÁSICA (SELIC), que iniciou em 6,5% ao ano, fechou o ano em 4,5%. Queda notável de 2 pontos percentuais.
3- A INFLAÇÃO, medida pelo IPCA - Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo -, deve fechar 2019 (o índice oficial só será conhecido mais adiante) em torno de 3,98%, ou seja, abaixo da META de 4,25%.
DÓLAR
4- O DÓLAR - cotação que a mídia, com enorme e equivocado estardalhaço anunciou ter saído do controle do governo, fechou ontem R$ 4,01. Como se vê, a ALTA de 3,5%,não passou de um verdadeiro traque. Mais: por ter ficou abaixo da taxa de INFLAÇÃO, quem comprou a moeda americana por R$ 3,86 no início do ano fecha 2019 com PREJUIZO. Que tal?
A CEREJA DO BOLO
Para encerrar este último editorial de 2019 cheio de bons motivos para festejar deixei para este último bloco a cotação do importante - CDS - Credit Default Swap-, instrumento que mede o nível do -RISCO BRASIL- no mercado financeiro internacional.
Vejam que no dia 31/12/2018, a cotação do CDS BRAZIL -5 YEARS- estava em 207,7 pontos. Hoje, 31/12/2019, a cotação está em 99,1 pontos. Fazendo uma conta rápida, este espantoso recuo da pontuação do RISCO BRASIL é de exatos 52,29%.
Ora, se há bons e fortes motivos para festejar o encerramento de 2019, estou certo de que 2020 reúne excelentes condições para ser ainda melhor.
Portanto, que venha 2020 carregado de muita ESPERANÇA E FELICIDADE.
FELIZ ANO NOVO, meus caros leitores!
APOSTANDO NA DÉCADA
O ano de 2019, depois de muitos anos de comprovada AMARGURA ECONÔMICA, pelo grau de confiança e esperança que habita os ambientes daqueles com os quais mais me relaciono, está chegando ao fim em clima de elevado ALTO ASTRAL. Este sentimento dá a dimensão correta do quanto boa parte do povo brasileiro está apostando, não apenas em 2020, mas na década 2020/2030 que começa dentro de dois dias.
REFLEXÕES E PROJEÇÕES
Aproveitando o momento, que se presta, tanto para as devidas reflexões daquilo que foi possível colher ao longo do ano que se encerra quanto para fazer projeções responsáveis e/ou cabíveis no espectro da ilimitada e eterna ESPERANÇA, eis aí a análise feita pelo pensador e economista Paulo Rabello de Castro - 2020: O QUE NÃO ESTÁ GARANTIDO - :
ESPERANÇAS RENOVADAS
Há esperanças renovadas em torno de 2020. Recente levantamento do LIDE - Grupo de Líderes Empresariais - indica que as expectativas do setor privado voltaram a encostar no nível de 2010, último ano realmente muito bom nos últimos dez anos.
As vendas e o emprego têm condição de surpreender acima do que hoje preveem os principais analistas. A razão é bem simples: não há nada de errado com a ECONOMIA PRODUTIVA. A inflação é baixa, o câmbio é muito competitivo e, pela primeira vez, o Banco Central se permitiu ajustar os juros para seu nível normal. O ano de 2020 espelhará todos esses aspectos favoráveis - alguns inéditos - conjugados para permitir um salto no crédito.
PRÓXIMO DE ZERO
A economia brasileira poderia crescer mais de 5% em 2020. Em parte, seria mera reação estatística aos níveis deprimidos de produção e emprego, na década que agora se encerra. Se o PIB de 2020 crescer na faixa esperada de 2,5%, ainda assim o crescimento médio do período de 2014 até 2020 será um número próximo a zero.
O País perdeu mais uma década e nenhuma investigação a fundo questionou isso. Portanto, se a economia surpreender com até 5%, será mais por reação de um corpo saudável brigando contra uma doença do que por mérito especial da terapia. Esta continua onde sempre esteve.
INVESTIMENTO BAIXO
O governo governa os outros mas se governa bastante mal. O rigor que aplica ao setor privado com impostos e burocracia não encontra paralelo na complacência que aplica a seu próprio déficit fiscal primário, fonte da incapacidade do governo de investir e de repactuar as dívidas da Federação. O baixíssimo investimento federal e a inapetência do governo de chamar os Estados para um acerto definitivo do seu endividamento são os fatores impeditivos de uma retomada produtiva em grande escala do Brasil.
DÉFICIT PÚBLICO
O apelo às privatizações tampouco funcionou este ano para tapar o buraco das contas públicas. A venda da riqueza do pré-sal apenas amenizou o rombo federal em 2019. Mas não houve ataque frontal a nenhum problema público de maior gravidade, nem mesmo o da Previdência, cujo déficit continuará agravado em 2020, apesar de toda promessa de uma economia multibilionária em anos futuros.
A RAIZ
Na raiz de tudo está uma coisa só: o governo continua sendo o extrator de recursos dos segmentos produtivos, seja empresas ou famílias, que pagam o preço amargo de sustentar a máquina mortífera em que se transformou o Estado brasileiro. O remédio, portanto, não é privatizar esta ou aquela estatal, mas questionar toda e qualquer despesa mal feita ou fora do lugar. O Estado não tem mecanismos para isso. O governo, embora de orientação liberal, ainda não soube lidar com essa questão de como combater a máquina pública que trabalha para si mesma e não para benefício da expansão dos empregos e oportunidades produtivas.
O impasse dentro do governo esteve estampado na sua dificuldade de definir e empurrar para frente a reforma das reformas, ou seja, a reforma dos impostos. Isso não é por acaso. Dentro do ventre do governo há uma resistência poderosa contra qualquer suposta ameaça às receitas públicas que sustentam a máquina. O governo invisível não ajuda o ministro Guedes a definir qual reforma tributária se quer aprovar, afinal. Nisso, o Congresso e os governos estaduais parecem mais dispostos a enfrentar os riscos naturais de uma mudança fiscal para valer. O governo invisível em Brasília não topa arriscar nada. Por isso se fala de novo numa reforma tributária fatiada em quatro etapas, a perder de vista. É o mesmo papo da era Dilma e Temer repetido - por incrível que pareça - pelo grupo político que se diz a encarnação de seu oposto total. Mas não há surpresa nisso. É a máquina funcionando por trás do governo Bolsonaro da mesma forma que decidia por Dilma ou Temer, e seus ministros. É o mesmo Brasil, ano após ano, a nos recordar que somos um país dominado pelos grupos que dominam o Estado para garantir seus próprios soldos e vantagens. Idem, em maior ou menor grau, nos Estados da Federação. Este é o problema nacional intocado. O resto é consequência.
Embora improvável, esperamos ser surpreendidos por um 2020 em que, por primeira vez, não sejamos governados pelas consequências. Essa surpresa é a única parte do cenário 2020 que pode, de fato, representar novidade. É a única parte, aliás, que não está garantida.