TRADIÇÃO
Tradicionalmente, o editorial de aniversário do Ponto Crítico, a cada dia 11 de outubro, é reservado para as justas homenagens a Roberto Campos, grande inspirador deste meio de comunicação e defensor incondicional do pensamento liberal.HOMENAGEM
Desta vez, no entanto, ao invés de publicar um dos seus fantásticos textos, presto a minha homenagem a Roberto Campos em forma de mensagem. Como, ao se despedir do mundo dos vivos, Campos não forneceu o seu novo e-mail, do além, e o Google mostra enorme dificuldade para tanto, resta a esperança de que ele acesse, onde quer que esteja, o site do Ponto Crítico.CONTINUIDADE
Antes de tudo, caro mestre de tantas entrevistas que me concedeu ao longo de sua vida nos programas de televisão que apresentei, imagino que o senhor saiba que o PONTO CRITICO nasceu dois dias após o seu falecimento, ocorrido há 10 anos, em 09 de outubro de 2001. Com a sua partida, para dar continuidade à pregação do pensamento liberal, munido de grande humildade tratei de postar, no dia 11 de outubro de 2001, na recém criada Home Page, o primeiro editorial do Ponto Crítico.EM 2001
Lá em 2001, pouco antes de sua retirada, o senhor se mostrava, embora timidamente, razoavelmente animado com os destinos do Brasil. Com razão, pois o país já andava na direção de uma maior abertura econômica. Além disso, mesmo que por necessidade e menos por convencimento, o governo FHC já havia se rendido a algumas privatizações.REFORMAS
Lembro que poucos dias antes de falecer, num de seus artigos o senhor admitiu que, a continuar nesta toada o Brasil acabaria se rendendo às necessárias e propaladas reformas (Trabalhista, Previdenciária, Fiscal e Tributária).A PARTIR DE 2002
Isto, infelizmente, não passou de um sonho, meu caro e saudoso Roberto Campos. Se os mortos, como muitos imaginam, têm a possibilidade de espreitar tudo que acontece aqui, na Terra, o senhor deve estar se lamentando com certas coisas que, de forma paulatina, foram acontecendo, a partir de 2002, quando Lula foi eleito presidente do Brasil.ONDE FOI QUE EU ERREI?
Ao longo desta última década, algumas são de deixar até os mortos horrorizados, como:1- o forte envolvimento do governo numa torrente sem fim de escabrosos casos de corrupção;2- a tentativa incessante de supressão da liberdade de expressão; e,3- depois de passar por um período de maior abertura, o Brasil volta a trilhar o caminho das trevas, do fechamento. Para tanto promove constantes intervenções na iniciativa empresarial privada e na vida dos cidadãos. Um horror que já parecia afastado.GRAMSCI
Obedecendo, ipsis literis, a cartilha Gramscista, Dilma, de forma lenta, gradual e segura, já liquidou com a Matriz Globalizante. Com isso o Brasil ressuscitou a velha e surrada Matriz Nacional-Desenvolvimentista, mais conhecida como Nacionalismo do Atraso.CARÍCIAS AOS PRODUTORES
Para marcar a decisão, Dilma usou como pretexto a defesa da indústria nacional. Pode, meu caro Campos? Contou, obviamente, com o forte e indispensável apoio de grandes empresários mercantilistas, que detestam concorrência externa. Com isso, como o senhor deve saber, Dilma golpeou os consumidores com carícias aos produtores. Os representantes da indústria (que cada vez emprega menos mão de obra face ao crescimento da automatização), mesmo inconformados com a fantástica Carga Tributária que assola o país, ao invés da redução do Custo-Brasil exigiram maior tributação aos produtos importados.ALGUMA DICA?
Diante desses descalabros, caro Roberto Campos, admito que muito disso seja fruto da minha incompetência. Os meus editoriais, além de insuficientes para mostrar o quanto as reformas são necessárias, também não produziram efeito contra a onda de corrupção e a volta ao passado. Onde foi que eu errei? O senhor pode me dar alguma dica?DUAS DATAS
O aniversário, ao contrário do que muita gente considera, é o encontro de duas datas importantes: a primeira, que chamamos de véspera, dá por encerrado o ano que finda; e, a segunda, destinada aos festejos, é a que dá início a entrada no novo ano.CALENDÁRIO
Quem transparece de melhor forma esta realidade é o próprio calendário: enquanto o dia 31 de dezembro dá por encerrado o ano que passou, o 1º de janeiro dá a partida para o novo período.FECHAMENTO DA DÉCADA
Dentro dessa lógica matemática, a edição de hoje é aquela que, de forma especial, encerra o período que fecha os 10 anos de existência do Ponto Crítico. Ao longo desta década, somando todos os editoriais publicados diariamente no site (www.pontocritico.com), os quais são numerados por ano transcorrido, foram mais de 2300 artigos.INÍCIO
Vejam que no início, lá em 2001, quando a internet ainda era um instrumento de uso muito restrito, o número de assinantes não ultrapassava uma centena. Hoje, depois desses 10 anos, são mais de 45 mil assinantes cadastrados mundo afora que recebem as edições, diariamente, nas suas caixas de mensagens. Isto sem considerar quem prefere o acesso direto ao site.INTERNET
De novo: foi graças à Internet, esta maravilhosa invenção eletrônica, que o Ponto Crítico se tornou possível como um meio de comunicação. Até então, qualquer comentário ou opinião que não fosse publicado em algum jornal ou revista só poderia se tornar conhecido do público através de palestras realizadas em reuniões, congressos e seminários.LIBERDADE DE EXPRESSÃO
Hoje, como é sabido, assim como há quem emita opinião, também há quem se interesse por conteúdos ágeis. Concordar ou não com as opiniões postadas, no entanto, só cabe ao leitor. Afinal, a liberdade de expressão tem duas mãos: serve para quem emite opinião e para quem se contrapõe.PENSAMENTO LIBERAL
Entretanto, ao longo desses 10 anos, que hoje se encerra, em momento algum os leitores/assinantes do Ponto Crítico foram enganados. Concordando ou discordando, no todo ou em parte, com a linha editorial da e-opinion, em momento algum a credibilidade foi colocada em dúvida. Em todos os comentários ficou claro o convencimento e comprometimento do editor para com os fundamentos do pensamento liberal.HOMENAGENS
Como estamos em plena Semana de Aniversário, os editorias dos próximos dias vão destacar os fatos mais importantes que marcaram o encerramento do Ano 10, assim como o que vem pela frente a partir do Ano 11. Entendo que esta é uma boa forma para homenagear todos aqueles que inspiraram, viabilizaram e consagraram a existência do Ponto Crítico. Acompanhem.MUSA?
Há quem afirme que a hoje deputada federal do PCdoB do RS, Manoela D?Ávila, só obtém boa votação nas suas eleições, porque boa parte da mídia a destacou como musa da política gaúcha. Como se isto fosse uma credencial para fazer um bom trabalho.FALTA DE DISCERNIMENTO
Quem prova esta total falta de discernimento do eleitor do RS, considerado, de forma equivocada como politizado, é a complicada situação econômico/financeira do Estado, que a cada ano perde empresas além de valor na relação do PIB nacional.POLITIZADO
Politizado, realmente, é o eleitor que examina e apóia as propostas apresentadas pelo seu candidato, tendo em vista uma efetiva melhora das condições de vida, tanto no município quanto no seu estado e país.PAIXÃO PELO INTERVENCIONISMO
Pois, desde que se elegeu, pela primeira vez como vereadora de Porto Alegre, pelo PCdoB, Manoela D?Ávila mostrou que a sua grande marca como política é a apreciação pela injustiça.Além do discutível título de musa, o que prova um gosto muito limitado do eleitor e da própria mídia gaúcha, Manoela se destacou, verdadeiramente, pela paixão pelo intervencionismo.MEIA-ENTRADA
Só para lembrar: em 2006, Manoela DÁvila, então vereadora de Porto Alegre, agradou em cheio seus jovens eleitores ao conseguir aprovar o projeto que assegurou a jovens e estudantes o pagamento de meia-entrada em atividades culturais e esportivas.ATO DE JUSTIÇA
A felicidade com que os jovens retrataram a obtenção do privilégio se mostrou diretamente proporcional à falta de discernimento. Por falta de maturidade, os jovens imaginam, sem culpa, que espetáculos não têm custo e que a meia-entrada é um ato de justiça para quem vive de mesada.CABEÇA DE COMUNISTA
O fato é, queiram ou não, que cada espetáculo é orçado em função do seu custo efetivo e da receita esperada com a venda de ingressos.Portanto, mal sabem os estudantes que, dependendo do perfil do público interessado no espetáculo, o preço do bilhete é fixado. Se a maioria é jovem, com a tal de meia-entrada os preços normalmente cobrados precisam ser aumentados. Com isso, quem não tem credencial de estudante é penalizado com um ingresso que custa bem mais do que o dobro. Injusto, não?Como Manoela DÁvila ocupa, atualmente, uma cadeira na Câmara Federal, ela quer mais: que o seu infeliz projeto valha para o Brasil todo. Com isso os estudantes imaginam que terão o benefício da meia-entrada. Na realidade, todos brasileiros serão brindados com uma inteira estupidez. Coisa de cabeça comunista, obviamente.VISITA CONCLUÍDA
Do aeroporto de Johannesburg, África do Sul, nas primeiras horas da manhã de hoje, cumpro duas tarefas: escrevo este editorial e dou por concluída a visita a este belo país. Que, aliás, se preparou muito bem para a realização da Copa de 2010.OBRAS
Mais: se a África é o continente dos elefantes, eles, rigorosamente, não são vistos através das obras realizadas para o Mundial. Todos os equipamentos estão sendo muito bem utilizados e os fartos alargamentos das ruas, avenidas e estradas são as maiores e melhores heranças, indiscutivelmente.ESTÁDIOS
Quanto aos estádios que visitei o que mais me impressionou não foram os seus interiores. O verdadeiro show está nas obras realizadas no lado externo, integrando lojas, hotéis e belos acessos. Tudo muito limpo e extremamente agradável para passear.PREOCUPAÇÃO
Tenho receio de que muito pouco disso veremos aí no Brasil. Até porque ESTÁDIO, em praticamente todos os cantos do país, é sinônimo de sujeira em sua volta, além da escuridão e do isolamento nos dias sem jogos.NOTÍCIAS DO BRASIL
Entretanto, antes de embarcar e enquanto o tempo permite, passo os olhos nas notícias mais recentes do Brasil. Uma delas informa que ao longo das últimas duas décadas, o SETOR DE SERVIÇOS elevou sua parcela de absorção do estoque de trabalhadores formais do país, passando de 66,2% em 1990 para 71,8% em 2010.AUTOMAÇÃO
Considerando que a indústria há muito tempo deixou de ser empregadora, graças à fantástica automação, repito mais uma vez o que venho dizendo: as afirmações de que as importações de bens de consumo significam exportações de empregos não passa de uma lenda.EMPREGOS
Chamo mais uma vez, portanto, a atenção de que IMPORTAR VEÍCULOS, por exemplo, é aumentar os empregos no Brasil. Empregos para pessoal de vendas, de manutenção, de operários da construção (novas lojas), etc. Só um governo estúpido não percebe que a maioria das indústrias é de capital intensivo e não de mão de obra intensiva. Assim, ao dificultar as importações, o governo provoca mais desemprego.GOVERNO FROUXO
A Grécia, o mundo todo sabe, chegou à beira da falência por uma única causa: o governo grego, além de muito frouxo se mostrou extremamente gastador do dinheiro público. Pois, para desespero de quem tem algum discernimento, o governo brasileiro, por questões ideológicas, está trilhando a mesma rota do mal experimentado pela Grécia. Basta observar a irresponsável gastança pública.NA CONTRAMÃO
Enquanto o governo brasileiro não se convence de que dirige criminosamente na contramão, o que antecipa a existência de uma forte colisão mais à frente, o governo da Grécia, por pura necessidade, já anunciou que precisa mudar de rota.REDUÇÃO DO DÉFICIT PÚBLICO
Ontem, por exemplo, o governo grego adotou uma imposição necessária de desemprego técnico para 30.000 funcionários públicos até o final de 2011, numa drástica tentativa de reduzir o déficit público no país.AQUI, JAMAIS
Tão logo li esta notícia lamentei que esta importante atitude jamais será tomada no Brasil. Primeiro, por absoluta falta de coragem. Segundo, porque servidor público jamais é demitido no Brasil. E, terceiro, porque também é proibida a redução salarial.O FATOR DESEMPENHO
Os gregos, não por vontade, mas por pura necessidade, se deram conta de que a economia tanto pode crescer como encolher. Dependendo do desempenho das atividades, admissões ou demissões se impõem, pouco importando se no setor privado ou público.NEM AÍ
Mesmo sabendo disso, os governantes brasileiros não estão nem aí: mesmo que a economia entre em recessão, a responsabilidade é entregue, exclusivamente, ao setor privado, aos consumidores e aos contribuintes em geral. Que tratem de renunciar ao consumo, pois os salários dos servidores, e seus fantásticos aumentos conquistados em movimentos grevistas corporativos, precisam ser pagos. Com detalhe cruel: os prêmios não são entregues só aos servidores que estão na ativa. Os aposentados, abrigados pela injusta lei da integralidade salarial, também recebem proventos com todos os aumentos obtidos pelos que estão na ativa. Pode?EMPREGO DE UM...
Isto tudo, mais uma vez, significa o seguinte: para que um funcionário público se mantenha empregado (com supersalários e seus efeitos de encadeamento) vários empregos da iniciativa privada precisam, necessariamente, ser sacrificados. Não importa quem paga a conta de quem.CONVERSA INFORMAL
Ontem à noite, no Holiday Inn de Sandton City, aqui em Johanesburgo, conversei demoradamente com um grupo de sul-africanos curiosos e interessados no Brasil. Falamos bastante sobre os nossos países, principalmente, de Copa do Mundo e economia.O BRASIL E A FIFA
No quesito Copa de 2014, todos se mostravam muito curiosos. Queriam saber a respeito da notícia (que circulou o mundo todo) de que o Brasil está ameaçado de não sediar o Mundial. Pediram que dissesse, em detalhes, quais os pontos de divergência entre o governo brasileiro e a FIFA.MEIA-ENTRADA
Antes de responder, para poder explicar melhor o assunto, perguntei se na África do Sul existe a tal de meia-entrada para cinemas, circos e/ou casas de espetáculos. Como fizeram cara de espantados (com toda razão, aliás) informei que coisas do tipo só cabem em países habitados por governos intervencionistas e/ou povo ignorante, caso do Brasil, infelizmente.PAGAR O DOBRO
Diante da minha observação, o assunto mereceu boa discussão. Contudo, por unanimidade, todos estavam convencidos de que, para privilegiar estudantes e seniores (mais de 60 anos), a metade das plateias precisariam pagar em dobro o valor dos ingressos.BOQUIABERTOS
Os sul-africanos, entretanto, ficaram ainda mais confusos e boquiabertos quando, para arrematar, informei que no Brasil é assim: a lei é tão estúpida a ponto de proibir que todos paguem a metade do valor dos ingressos. Só alguns têm direito a este benefício. Pode? Um dos integrantes do grupo perguntou se o governo vai parar por aí ou se pretende expandir tal privilégio para outras atividades, como restaurantes, táxis, clínicas particulares e lojas de departamentos. A minha resposta: - De governos intervencionistas devemos esperar qualquer coisa.LEIS DA FIFA
Quando já me preparava para tratar do outro ponto polêmico, qual seja da proibição das bebidas alcoólicas nos estádios, alguém do grupo atalhou:- O governo brasileiro desconhecia as leis da FIFA, ao se lançar como candidato à realização da Copa do Mundo? Até porque todos, aqui na África, não só sabiam como concordaram.Tão logo respondi que as leis da FIFA eram perfeitamente conhecidas pelo governo, no mesmo instante veio a segunda pergunta: - E por que, então, o Brasil fez de tudo para realizar a Copa do Mundo, sabendo que não abriria mão da alegada soberania?SONO
Neste momento, para não piorar ainda mais a imagem do Brasil perante o grupo, informei que era hora de dormir. Foi quando veio o derradeiro questionamento: - Pelo que li num jornal daqui de Johanesburgo, o ex-presidente Lula afirmou que o Brasil é um país soberano. E que a FIFA não tem poderes para decidir o que deve ser feito. Como Dilma sublinhou a frase de Lula, por aqui todos entenderam que a Copa de 2014 só será realizada no Brasil caso sejam revogadas as leis que criaram a estúpida meia-entrada e proibiram o consumo de bebidas alcoólicas nos estádios. Isto, em última análise, significa que o Brasil vai renunciar ao intervencionismo ou à decantada soberania? Confesso que depois dessa perdi o sono!