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10 jun 2010

DIA DOS NAMORADOS


BRASIL DO CONTRA

É impossível não comentar o comportamento do Brasil, ontem, na reunião do Conselho de Segurança da ONU. Dos 15 membros do Conselho, 12 votaram a favor das sanções contra o Irã. Como se sabe, Brasil e Turquia foram os únicos países que votaram contra as sanções, enquanto o Líbano se absteve.

BRASIL SOLIDÁRIO

Há, certamente, quem apóie a decisão tomada pelo Brasil. Entretanto, o que mais preocupa é que só dois países ficaram ao lado do Irã. Caso a votação fosse equilibrada, o voto brasileiro sequer seria comentado. Mesmo que o mundo todo saiba que o governo brasileiro é extremamente solidário com ditadores, como é o caso do perigosíssimo Ahmadinejad.

URÂNIO

Os 12 membros (80%) que votaram a favor das sanções mostraram claramente a preocupação que o mundo tem com relação ao uso do urânio pelo Irã. Já o Brasil, pelo que vem mostrando ao longo do tempo, não votou a favor do Irã só porque acredita, piamente, que o urânio seja usado para fins exclusivamente pacíficos.

AMOR ANTIGO

A razão, gente, é bem outra. Até as pedras existentes em todos os cantos do nosso país sabem que o governo Lula sempre nutriu enorme simpatia por ditaduras e ditadores. Isto é simplesmente inegável, desde que Lula, junto com Fidel Castro, fundou, lá em 1990, o Foro de São Paulo.

AMOR TÓRRIDO

Diante deste claro envolvimento amoroso tórrido que o governo Lula sempre manifestou aos países socialistas, principalmente às ditaduras latino-americanas, o Irã não poderia deixar de receber o mesmo carinho. Um sentimento igual ao dispensado a cada semana aos líderes de Cuba, Venezuela, Bolívia, Equador, etc..

DECLARAÇÃO DE AMOR

Como estamos na véspera do Dia dos Namorados, depois da declaração de amor, ontem, em forma de voto na ONU, o que mais se espera é que aconteça um caloroso encontro da turma dos neo-ditadores para a importante troca de presentes, cartões, juras de amor eterno e, naturalmente, muitas caricias. Feliz Dia dos Namorados!

ÓDIO AOS EUA

O resultado desta paixão declarada não será boa para o Brasil, infelizmente. Porém, como sempre acontece por aqui, o grande inimigo da questão já foi eleito: os EUA. Daí que sempre me vem à cabeça que para o Brasil, mesmo que Lula esteja apaixonado por Ahmadinejad, a melhor decisão é aquela que torne os americanos cada vez mais odiados.

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09 jun 2010

O PAÍS ESTÁ ALEIJADO


MANCHETE ÚNICA

Em todos os jornais a manchete de hoje trata, basicamente, do mesmo assunto: o crescimento de 9% do PIB brasileiro no primeiro trimestre de 2010. Um avanço e tanto, mesmo considerando que a base anterior, sobre a qual é comparada, tenha sido muito baixa.

PREOCUPAÇÃO

Entretanto, mesmo entre manifestações de surpresa e de ufanismo, principalmente porque se trata de um padrão tipicamente chinês, um alarme de preocupação com o elevado índice apresentado foi disparado imediatamente pelos mais sensatos.

DESPROPORCIONAL

Sensatez significa entender com toda a clareza que a economia brasileira se apresentou ontem, no momento da divulgação do PIB, com um corpo cujo tronco cresceu desproporcionalmente em relação aos membros. A figura identifica uma clara atrofia nos braços e pernas, que representam a infra-estrutura do país. Ou seja, o país está aleijado.

POUPANÇA

O maior problema que vem dificultando cada vez mais a mobilidade do corpo brasileiro, mas não o único, está na baixa taxa de poupança. Sem recursos próprios, de longo prazo, não há como investir para poder movimentar adequadamente tudo que pretendemos produzir.

ALEIJUME

Esta baixa taxa de poupança é resultante da nossa alta carga tributária. O governo, ao arrecadar boa parte do que poderia ser investido, também não investe. Ao contrário: joga os recursos arrecadados em despesas correntes. Um crime de tal ordem que acaba de transparecer o lamentável aleijume.

SURPREENDIDO

Porém, enquanto a vibração pela alta do PIB é grande, e chega a provocar um sentimento de arrogância de quem se acha poderoso, o presidente do Senado, José Sarney, revelou ter ficado ?surpreendido- com a notícia de que o Senado decidiu recontratar uma empresa que foi multada pela Casa em R$ 4 milhões por deixar de pagar salários aos funcionários. Pode?

VIVA O BRASIL!

A tal empresa, que atua na área de limpeza e conservação, fechou um novo contrato por um ano ao custo de mais de R$ 1,2 milhão por mês. E Sarney, presidente da Casa, diz que não sabia. Os salários variam de R$ 852 a R$ 5,7 mil e o novo contrato ainda aumentou o número de terceirizados, de 740 para 1.272. Viva o Senado! Viva o Brasil, que só cria despesas, gente.

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08 jun 2010

RESPOSTAS DIFERENTES


DÓLAR

Nas últimas semanas há uma pergunta que os brasileiros em geral, principalmente aqueles que estão lotando os aviões com destino ao exterior, não param de fazer: se o preço do dólar, que está ganhando forte valorização frente ao euro, também poderá mostrar o mesmo comportamento frente ao real.

EURO

Esta pergunta, neste momento, tem duas respostas. Uma para o comportamento do euro e outra para o real. A desvalorização do euro é explicada pela avalanche provocada pelo interesse dos tomadores em se livrar da moeda que atesta a grave doença que atinge a economia do Bloco.

REAL

No caso do real, a gradual desvalorização registrada nas últimas semanas tem outra explicação: o déficit em conta-corrente, que deve chegar a mais de 4% do PIB até o final do ano, já começa a se manifestar. Como a demanda de dólares no mercado será muito expressiva, a valorização da moeda norte-americana é uma mera consequência.

TENDÊNCIA

Na medida em que os países passam a importar menos produtos brasileiros, como é caso dos europeus principalmente, a entrada de dólares deverá se reduzir. Mantidas as importações, remessas de dinheiro e viagens ao exterior, a demanda por dólares será obviamente maior. Como o nosso câmbio é flutuante, a cotação deve refletir uma desvalorização do real.

REFLEXO

Quanto maior o prazo para que as economias mundo afora voltem a apresentar um crescimento mais agressivo, pior para todos. Quem compra produtos primários e commodities em geral vai comprar menos, o que não melhora a nossa situação. E quem compra produtos manufaturados, idem.

O QUE FAZER

Normalmente, quando há uma percepção clara de desaquecimento, como é o quadro internacional, a ordem é controlar gastos. Poupar o máximo possível até que tudo volte ao eixo. Esta é a fórmula mais testada e que não admite outra interpretação. Pois mesmo assim o Brasil, que já cometeu o mesmo equivoco várias vezes, está querendo repetir os erros.

VARA DE CONDÃO

É certo que o mercado interno vem dando respostas satisfatórias, a ponto de promover um bom crescimento do PIB. Isto, porém, tem uma razão indiscutível: a expansão do crédito. A vara de condão que está fazendo a grande alegria dos agentes econômicos, tanto de produtores quanto de consumidores, é o prazo de pagamento. O que poucos estão entendendo é que o tal crédito tem limite. Fora do limite a inadimplência será a tristeza.

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07 jun 2010

COMPARAÇÃO NECESSÁRIA


NA ECONOMIA

Em comparação com vários países europeus, inegavelmente, o Brasil está em situação econômica bem mais confortável. Repito: situação econômica, para que ninguém imagine que o nosso país está melhor em tudo.

INFRA-ESTRUTURA

Para começar, a Europa dispõe de enorme infra-estrutura, coisa que ainda não foi construída no Brasil. A seguir é importante lembrar que o povo europeu como um todo, além de dispor de um sistema educacional de qualidade muito maior é ainda muito mais abrangente.

PIGS

É absolutamente certo que a União Européia vai penar por muito tempo até que a confiança econômica seja restabelecida. Se os países afetados pela crise foram inicialmente identificados pela sigla ?PIGS?, nas últimas semanas, por justiça, a sigla deveria ser outra.

NOVA SIGLA

Penso, inclusive, que pelo número de países que estão contaminados pela mesma doença econômica que inicialmente atingiu Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha, o melhor é substituir a sigla -PIGS- por uma outra mais abrangente e com menos letras. Sugiro -UE-, que identifica o Bloco inteiro.

REFORMAS

Se a cada dia que passa um novo país da Comunidade Européia se apresenta como portador da insuficiência de caixa para enfrentar o pagamento das dívidas soberanas, da mesma forma se percebe o propósito de realização de reformas para poder equacionar as contas públicas.

ROMBO MENOR

No Brasil, infelizmente, não acontece o mesmo. Nasemana passada, por exemplo, o ministro da Previdência, Carlos Eduardo Gabas, fez uma declaração impressionante: previu que o déficit da Previdência não chegará a R$ 50 bilhões em 2010. Ao invés de propor um decisiva reforma para conter a sangria, o ministro crê que o rombo pode ser um pouco menor.

NA GRÉCIA

Enquanto isso, na Grécia, uma série de privatizações nas áreas de transportes, correios e águas já está sendo preparadas pelo governo nos próximos três anos. As vendas devem gerar 1 bilhão de euros por ano para os cofres públicos.O governo grego prevê também a privatização total dos cassinos, além de prorrogar o contrato de concessão do aeroporto de Atenas e a concessão para os terminais regionais.Creio que em pouco tempo os capitais internacionais terão um novo destino: a Europa. As oportunidades estão aí.

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02 jun 2010

O IMPROVÁVEL ACONTECEU


PROFECIA

Se há alguns anos atrás algum maluco viesse à público para dizer que a Europa entraria de cabeça, em 2010, numa dura crise econômica, o profeta insano correria o risco de ser linchado em praça pública. Seria como da mesma forma imaginar alguém dizendo, por exemplo, que a Varig e o Banco Nacional iriam à falência.

SEM PRAZO

Pois, queiram ou não, a Europa está mesmo mergulhada em problemas econômicos muito sérios. A ponto de ficar cada dia mais difícil uma definição de prazo e custo para que vários países da Comunidade consigam respirar um pouco melhor.

SOCORRO

Depois do amparo à desesperada Grécia, que abriu a porteira dos necessitados, o Banco Central Europeu não para de receber pedidos de socorro financeiro. Alguns de forma até mais velada, para evitar pânico nas instituições financeiras, mas é notória a desconfiança que já tomou conta da região como um todo.

AGÊNCIAS DE RISCO

Que o digam as Agências de Risco, que não param de trabalhar. A cada dia o que mais fazem é reduzir notas de crédito das mais variadas instituições européias. Ontem, por exemplo, a Fitch Ratings reduziu a nota de quatro instituições financeiras da Espanha. Ao mesmo tempo, a Standard & Poors alertou que poderá rebaixar a nota da dívida do Caja Madrid, uma das maiores entidades de empréstimos da Espanha. É duro, gente.

ELEVAR IMPOSTOS

Embora a Alemanha seja a nação mais forte da chamada zona do euro, o governo daquele país já informou que não há como enfrentar o déficit orçamentário, que segundo as previsões pode superar 5% do PIB neste ano, sem uma elevação de impostos. Ora, se isto acontece na Alemanha o mesmo deve acontecer, obviamente, nos demais países.

FURACÃO

O que se deve depreender das notícias acima? Muito simples: as economias precisam ser administradas com o máximo de zelo, para ficar o mais longe possível das catástrofes. Desastres econômicos, mesmo que possam ter efeitos parecidos com os deixados pelos furacões, não podem ser igualados, na sua origem. Os furacões não podem ser evitados, os desastres econômicos sim. Quem não percebe esta diferença só tem uma solução: fechar as casas para se defender dos estragos promovidos pelos fortes ventos.

CORTES DE DESPESAS

Como se vê, do jeito que as coisas estão postas, a crise que assola brutalmente o continente europeu se assemelha agora a um furacão que não foi detectado a tempo. Sem as providências de precaução só cortes severos de despesas podem atenuar os estragos. O que, infelizmente, não está sendo percebido claramente no Brasil. Não vejo, sinceramente, uma busca de proteção adequada a esta grave doença européia que está se espalhando mundo afora tal qual ocorreu com a gripe H1N1.

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01 jun 2010

O PESO DA ESTUPIDEZ


CARGA TRIBUTÁRIA

Nunca antes neste país se falou tanto sobre o tamanho da nossa brutal carga tributária. E, como estamos em ano eleitoral, aí mesmo é que os candidatos passam a ser sabatinados a respeito do nosso exagero tributário, que por si só revela o quanto os produtos brasileiros não conseguem ser competitivos no mercado internacional.

ESTUPIDEZ

Mesmo assim quando este assunto vem à tona, a sociedade brasileira revela uma enorme estupidez, por imaginar que basta uma reforma tributária para que o peso dos impostos seja reduzido. Uma bobagem total, pois mantendo as despesas atuais dos governos, nos seus três níveis, o percentual sobre o PIB, que anda por volta dos 40%, não tem como ser reduzido.

SIMPLIFICAÇÃO

A reforma tributária, para deixar bem claro, só oferece a possibilidade de simplificação no pagamento de impostos e contribuições. Nada mais. Agora, se a nossa pretensão é baixar o peso da carga, isso só será possível depois de uma correta reforma Fiscal, em conjunto com uma reforma da Previdência e Trabalhista. Aí é que reside a encrenca que estamos metidos.

VALOR

Ontem, para quem ainda não entendeu a quantas anda a ganância tributária, o jornal Valor publicou uma matéria muito esclarecedora sobre o peso e a distribuição da carga tributária paga pelas empresas no nosso querido país. Infelizmente, 99,9% dos brasileiros não se interessam por coisas do gênero, ainda mais às vésperas da Copa do Mundo, quando é muito mais importante saber a escalação da nossa Seleção.

RESULTADO

Pois, mesmo sabendo que poucos darão importância ao tema, não vou passar por omisso. O Valor, partindo da Demonstração do Valor Adicionado, peça que se tornou obrigatória nos balanços das companhias abertas com a edição da Lei nº 11.638/07, que mudou a contabilidade no país, chegou ao seguinte resultado:Da riqueza gerada pelas cem maiores companhias abertas do país por valor de mercado em 2009, que somou R$ 558 bilhões, as três esferas de governo abocanharam 45% na forma de impostos, contribuições e taxas. As empresas retiveram 13,5% do total para engordar seu patrimônio e distribuíram 9,5% aos acionistas na forma de juros sobre capital próprio e dividendos. Os funcionários ficaram com 20% e os credores, com 12%.

DONO DA BOLA

Como se vê, a maior parte desse valor gerado não fica com os acionistas (donos das empresas), mas com o poder público que é uma espécie de sócio preferencial de todas as companhias do país. O que, em última instancia significa que não somos um país capitalista.

MAIS ATINGIDOS

Dentre os setores que mais contribuem com tributos, em primeiro lugar está o de Telecomunicações, com 63,8%; Logo atrás estão Bebidas e Fumo, com 56,9%; Petróleo e Gás, com 56,1%; Energia, com 51,6%; e Bens de Consumo, com 42,7%. Para concluir faço a seguinte pergunta: Energia, Petróleo, Gás e Telecomunicações não são os produtos e serviços mais importantes para uma sociedade? Pois é, gente.É aí que o governo mais esfola, não? Justo. Muito justo. Viva a estupidez!

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