SEMELHANÇA COM O BRASIL
O Brasil, em alguns casos se parece muito com a Grécia. Um deles é quanto à irresponsabilidade com as contas públicas. Além de gastar muito acima do que deve, o que levou aquele país a um déficit público descomunal, a enorme informalidade e a forte sonegação de impostos são impressionantes.JUÍZO E CORAGEM
Por ter sido o país que deu o ponta-pé inicial da tremedeira que atinge a Comunidade Européia, levando desconfiança a todos os cantos do continente, o governo grego foi obrigado a enfrentar, com juízo e coragem, as reformas necessárias para equilibrar as contas públicas.IDADE MÍNIMA SERÁ DE 65 ANOS
Ontem, para quem ainda não se ligou, o Parlamento grego, para felicidade do seu povo, conseguiu aprovar um projeto de lei que reforma o sistema de previdência dos assalariados do setor privado. Entre várias medidas, a principal é que a idade mínima vai passar a ser de65 anos, independente de sexo.VOTOS DOS SOCIALISTAS
Vale ressaltar que o projeto de lei conseguiu ser aprovado graças aos votos dos deputados socialistas, que conseguiram vencer os partidos da direita, extrema-direita, os comunistas e a esquerda radical. Que tal?A POSSIBILIDADE
Mas, enfim, o que me levou a escrever sobre a semelhança entre Brasil e Grécia? A resposta é mais do que simples, gente: a possibilidade, não a certeza, de que consigamos aprovar algo parecido aqui no Brasil só depende de atravessarmos uma crise terrível, igual a da Grécia.QUEBRAR DE VEZ
Ora, diante desta incrível possibilidade está na cara de que precisamos fazer de tudo para o Brasil quebrar de vez. A partir de então, se a semelhança se confirmar, quem sabe o nosso Congresso aprove as reformas que o país necessita.RECEIO
Confesso o meu grande receio de que neste aspecto vamos manter a nossa teimosa irresponsabilidade. Como não sofremos a pressão de uma Comunidade Européia, como é o caso da Grécia, é muito provável que nem uma crise financeira imensa nos levará a fazer as reformas que outros países já estão experimentando. A decisão do Senado de aumentar a licença-maternidade das mulheres para seis meses, por exemplo, é tudo aquilo que o Brasil precisava para ser o país com menor produtividade mundial. Viva!OS PROBLEMAS
Na edição de ontem expus os problemas que limitam drasticamente o nosso crescimento: a baixa poupança financeira e a pobre poupança educacional. A causa de ambas está, infelizmente, na elevada carga tributária aliada a gastos públicos de péssima qualidade. Desperdício de dinheiro público, melhor dizendo.BNDES
Como a poupança é insuficiente para alavancar o nosso desenvolvimento, a saída para o crescimento está no BNDES, órgão financiador de quase todos os projetos do país, tanto os empresariais que propõem uma maior oferta de produtos e serviços, quanto os públicos que visam ampliar a nossa infra-estrutura.VIA ENDIVIDAMENTO
Como o BNDES não tem capital para todas as demandas, só no ano de 2009 o governo foi buscar no mercado um montante de R$ 100 bilhões, através de emissão de títulos públicos (via endividamento), para suprir o caixa da instituição de fomento.CUSTO - 1
Embora o governo tenha feito novas emissões com a mesma finalidade em 2010, o que levou a dívida pública interna a superar a marca de R$ 1,5 trilhão, observem o custo só da primeira tranche. Custo para o país, ou melhor, para os contribuintes:CUSTO - 2
Considerando que os títulos emitidos pelo Tesouro são remunerados pela SELIC (atualmente em 10,25%) e o BNDES empresta pela TJLP, cujo indexador é de 6%, o prejuízo da operação para os contribuintes, segundo estudo feito pela área financeira do próprio BNDES, deve ser de R$ 36,6 bilhões.RESUMO
O estudo mostra, enfim, que a diferença entre as taxas dos R$ 100 bilhões repassados ao banco em 2009 corresponde a R$ 1 bilhão ao ano. Até porque a remuneração média do empréstimo ao BNDES é de TJLP mais 0,63% ao ano, correção que vai incidir sobre o principal da dívida, cuja carência é de cinco anos.DÉFICIT DE RACIOCÍNIO
É óbvio que pouquíssimas pessoas darão importância ao assunto. Tudo porque, repito, além da falta da poupança financeira, que impõe um enorme sacrifício à sociedade como um todo, existe ainda uma crucial ausência de poupança educacional, que pelo déficit de raciocínio impede o discernimento e, consequantemente, a realização das reformas.POUPANÇA
Ontem, de novo, o presidente do BC, Henrique Meirelles, voltou a insistir que a condição principal para o Brasil continuar crescendo é aumentar sua poupança interna. A afirmação é, certamente, muito acaciana, mas mesmo assim já se sabe que é muito difícil que isto aconteça, diante de uma carga tributária tão elevada.EDUCAÇÃO
Meirelles preferiu mencionar somente o quesito poupança para explicar as nossas dificuldades quanto a um crescimento mais forte. Entretanto, a sociedade que pensa, que raciocina, sabe que há um outro quesito, de igual importância, cujo nome é educação, que impede o nosso crescimento.CÍRCULO VICIOSO
Em síntese: o Brasil, por falta de uma atitude correta dos governantes, de todos os Poderes, impõe um círculo vicioso terrível que estabelece limites muito baixos de crescimento. Começando pela fantástica carga tributária que acaba com as forças dos consumidores através de impostos pesados sobre os produtos produzidos aqui e naqueles que vem de fora.GASTOS PÚBLICOS
Como a carga tributária é imensa, a poupança privada fica reduzida. A poupança estatal, que deveria ser enorme pelo que é arrecadado, simplesmente inexiste por excesso de gastos públicos. Ora, sem a tal poupança os investimentos não têm como existir. Para fechar o pobre círculo, sem educação suficiente para poder melhorar a produtividade os pobres agentes de produção não conseguem produzir de acordo com a necessidade de consumo.POUPANÇA NEGATIVA
Para agravar ainda mais a situação, começando pela União, os governos gastam muito mais do que arrecadam, significando uma despoupança, ou poupança negativa. Como não há corte de despesas, muitas delas protegidas por cláusulas pétreas, os parcos investimentos precisam ser cortados. Resultado: educação mais prejudicada ainda.SATURAÇÃO
Como o Brasil está apresentando um crescimento acima do permitido, graças ao crédito pra lá de exuberante, a partir do momento em que a saturação de consumo financiado for constatada, a ausência dos quesitos acima aparecerá com absoluta nitidez.INGREDIENTES
Aí já não será possível ficar lamentando ou procurando culpados. Afinal, mais dia menos dia, pelo artificialismo que estamos vivemos, a ratoeira já está pronta para ser desarmada. E, sem dúvida, vai pegar a nossa economia tentando comer um queijo que, certamente, já estará azedo por falta dos principais ingredientes: educação, poupança e carga tributária adequadas.TORNEIO
Não há uma viva alma brasileira que não dá algum pitaco sobre a participação do Brasil nesta Copa do Mundo. Poucos percebem, no entanto, que Copa do Mundo é um torneio e não um campeonato. Ou seja, as decisões acontecem dentro das chaves, o que implica que nenhuma seleção joga contra todas as demais.O MELHOR
Um torneio, portanto, aponta que o vencedor, na maioria das vezes, não é o melhor da competição. Já nos campeonatos, mesmo admitindo que em jogos de futebol nem sempre a lógica se faz presente, os melhores geralmente aparecem ponteando.RABUGICE DE DUNGA
Bem, como o Brasil foi desclassificado pela Holanda, que teve duas oportunidades aproveitadas, a mídia deixou de lado a análise consciente da derrota preferindo mais se vingar da rabugice do Dunga contra ela.VILÃO DA SELEÇÃO E DO GRÊMIO
Poucos se dão conta, pelo que vi e li até agora, que o grande vilão do Brasil nos jogos mais decisivos, o meio campista Felipe Melo, foi um dos comandantes do Grêmio na jornada que levou o time gaúcho para a segunda divisão do Brasileirão. Naquele fracassado plantel o centro avante Grafite também fazia parte.ERRO MAIS GRITANTE
É correta a admissão de que a defesa brasileira, o ponto alto da nossa Seleção, tenha falhado nos dois gols sofridos pela Holanda. Porém, a falha da zaga da Holanda, no gol do Robinho, foi muito mais gritante e vergonhosa. Aí, contudo, a mídia cega aplaudiu o passe de Felipe Melo e a conclusão de Robinho sem fazer qualquer menção ao terrível erro da zaga holandesa. Pode?COMPETIÇÃO
No meu ponto de vista, mais um entre milhões, os atletas de uma seleção não podem ser igualados a soldados que lutam pelo seu país. O futebol, para quem ainda não se ligou, é um esporte. Devem ser preparados, portanto, para uma competição e nunca para uma guerra, como a imprensa muitas vezes exagera.ESPÍRITO ESPORTIVO
E, neste particular envio os meus sinceros cumprimentos a Holanda, que a cada jogo nesta Copa tem, nas camisetas dos seus atletas a bandeira do país adversário. Esta foi a grande prova de espírito esportivo desta Copa. Até porque nunca vi qualquer exército colocar, no uniforme de seus soldados, a bandeira do país inimigo.DOENÇAS GRAVES
Ontem, o Clube de Editores e Jornalistas de Opinião, que atualmente presido, se reuniu com os técnicos da Agenda 2020 com o propósito de conhecer as múltiplas doenças que atacam, sem dó nem piedade, o frágil corpo do Estado do RS.SENTIMENTO DE PREOCUPAÇÃO
Para quem não sabe, a Agenda 2020 nasceu de um forte sentimento de preocupação, de praticamente toda a sociedade do RS, com relação ao futuro do Estado, a considerar a enervante gravidade das contas públicas, que nos últimos 40 anos se notabilizou por rombos progressivos.OLHANDO PARA O FUTURO
Com o propósito de preparar o RS para o ano de 2020, e conscientes de que o Estado precisa passar por várias cirurgias para voltar a ter saúde, mais de uma centena de pessoas de todos os segmentos representativos da sociedade gaúcha se reuniu, lá em 2006, com o propósito de preparar uma cuidadosa Agenda olhando para o futuro.TEMPO PERDIDO
Como já se passaram 4 anos e quase nada do que pede a Agenda 2020 foi feito, o prazo estabelecido inicialmente, que era de 14 anos, já se mostra totalmente insuficiente para a conclusão das propostas.FRUSTRAÇÃO
Segundo os estudos técnicos (isentos, portanto, de ideologia), caso fossem tomadas, hoje, todas as providências lá previstas, o máximo que ainda poderia ser concluído não passaria de 50% da proposta original. Um atraso e tanto, que dimensiona o tamanho da frustração.DEMANDAS
Daqui para frente, de novo, a Pólo RS - Agência de Desenvolvimento, responsável pelos estudos da Agenda 2020, vai entregar aos candidatos ao Governo do RS o extenso trabalho, devidamente atualizado, das demandas da sociedade gaúcha. Ou seja, demandas do povo, que paga a conta.JORNALISTAS APAVORADOS
A apresentação, das 10h ao meio dia, deixou todos os editores e jornalistas presentes absolutamente apavorados. Como ninguém esperava tanta desgraça tenho certeza de que quase todos perderam a fome. Principalmente porque têm clara consciência, face aos contatos diários que mantêm com os Três Poderes, de que não existe vontade para enfrentar os graves problemas. Gravíssimos problemas.ESTÁ TUDO NO SITE
É preciso que a sociedade seja informada, por todos os meios de comunicação, sobre o grave diagnóstico (tudo está no site: www.agenda2020.org.br). E precisa saber, obviamente, o que os médicos-candidatos se propõem a fazer para tentar a cura de algumas doenças do Estado gaúcho.EM TEMPO
A sociedade precisa ter consciência de que o Estado nunca quebra. Quem sempre fica encrencado é o pobre contribuinte, que precisa assumir o ônus sem receber por tudo que está pagando.CAPACIDADE GERENCIAL
Se o povo gaúcho fosse realmente politizado, como muitos brasileiros insistem, a governadora Yeda Crusius estaria liderando com folga as pesquisas de intenção de voto como candidata à reeleição ao Governo do RS. Depois de assumir um Estado cheio de problemas e extremamente mal administrado, à exceção do período em que o governador Britto ocupou o Piratini, Yeda demonstrou uma incomparável capacidade gerencial.ETERNO INSATISFEITO
Aliás, exatamente por ter colocado muita coisa em ordem é que Yeda, ironicamente, está apresentando baixa preferência eleitoral e correndo sério risco de não ser reeleita, como informam as pesquisas de intenção de voto. Uma prova de que, simplesmente, o povo gaúcho prefere ser um eterno insatisfeito.TRADIÇÃO
Este mau comportamento já virou uma marca. Uma tradição. O que vimos nesses últimos 40 anos nos leva a entender que o caminho escolhido para ser trilhado é aquele que leva ao caos. Para tanto, como é sabido, entregou o Estado do RS às diversas corporações de funcionários públicos, que passaram a governar em benefício próprio.FAMA E REPUTAÇÃO
A atitude guerreira dos Farrapos fez o povo gaúcho ganhar fama nacional de lutador, pouco tolerante às injustiças e exageradamente franco. Esta reputação se espalhou Brasil afora. No entanto, infelizmente, nada disso acontece mais no RS. Hoje, o gaúcho é um povo acomodado e tolerante. A tudo. Não reage a coisa alguma que atente ao progresso do RS.PROJETOS EXPULSOS
Exemplos, ninguém pode me desmentir, não faltam. Eis dois para não cansar muito: 1- sem mexer um dedo, sem um único protesto os gaúchos viram o governo petista expulsar mais de 500 excelentes projetos do RS (muita gente, equivocadamente, ainda pensa que só a Ford foi defenestrada); 2- viu, também, o francês José Bové destruir o laboratório da Embrapa. E muito mais, gente.POLITIZADO
A candidatura de José Fogaça, pelo que conseguiu dar um jeito em Porto Alegre depois do tsunami petista, é também uma boa opção. No entanto, pelo que Yeda apresentou em termos de gerenciamento e governança um povo minimamente politizado não perderia tempo. Não vacilaria.ESPÍRITO FARRAPO
Para concluir, o que o povo do RS precisa mesmo é dar um basta definitivo no seu espírito Farrapo. Precisa tomar consciência de que não pode viver eternamente sendo Republicano ou Maragato. E, antes de tudo, é preciso assumir que a Guerra dos Farrapos acabou em derrota para o RS. A confirmação está no fato de que nenhum dos pontos do Acordo de Ponche Verde foi cumprido. Uma prova, enfim, de que o melhor mesmo é começar a reagir a tudo que atrasa o Estado.