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A USINA DO TERROR E A USINA DA MENTIRA - 23.06.225


Por Alex Pipkin

 

Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem, mal.” – Isaías 5:20

 

O século XXI pode vir a ser lembrado pelo dia em que duas usinas colapsaram ao mesmo tempo. Uma, feita de concreto, urânio e ódio; a outra, feita de palavras, cinismo e distorção moral.
A usina do terror, no Irã. E a usina da mentira, no Brasil.
Na noite de 21 de junho de 2025, o mundo assistiu ao colapso simbólico da principal usina do terror contemporâneo.
Em uma operação militar precisa e decisiva, os Estados Unidos — com apoio estratégico de Israel — pulverizaram as instalações nucleares de Fordow, Natanz e Esfahan, centros do programa bélico do regime dos aiatolás. O que veio abaixo não foi apenas concreto armado. Foi o eixo de sustentação de uma teocracia que, por décadas, financiou milícias, ameaçou Israel com a extinção e transformou o terrorismo em diplomacia paralela.
O que se desintegrou sob toneladas de precisão foi mais do que urânio enriquecido. Foi, de fato, a retórica apocalíptica da chantagem teológica.
O Ocidente deixou de se desculpar por existir. Passou a agir.
Israel, cansado de viver na defensiva, tornou-se protagonista de uma nova doutrina: a intolerância à intolerância.
Foi um ponto de inflexão histórico.
Uma virada geopolítica, mas, acima de tudo, moral.
Com os túneis de Natanz em colapso e a cúpula do regime humilhada, a juventude iraniana voltou os olhos para o alto. Pela primeira vez em muito tempo, enxergou os clérigos como frágeis. O medo começou a dar lugar à raiva. O silêncio, à esperança.
Mas enquanto o terror trepidava, no Brasil, a mentira peçonhenta persistia.
E onde há mentira organizada, há também uma usina — a da narrativa ideológica, sustentada por militantes disfarçados de jornalistas.
Na véspera do ataque — 20 de junho —, no programa Em Pauta da GloboNews, a jornalista Eliane Cantanhêde protagonizou um dos episódios mais repulsivos do jornalismo nacional recente. Comentando os ataques iranianos contra Israel, proferiu: “Por que os mísseis do Irã caem em Israel e não matam ninguém? Tem uma mortezinha aqui, outra ali. Uns 23 feridos aqui, 40 ali. Feridos! Eu não consigo entender por que o Irã atinge o alvo e não mata ninguém” (risos negros da “jornalista”).
“Mortezinhas”…
Assim, com essa palavra cruel, transformou o sofrimento de civis em deboche.
Foi mais do que desumanidade. Foi militância cínica.
Não se tratava de equívoco, mas de postura.
Um escárnio proferido com naturalidade, dentro da bolha ideológica onde a vida vale menos quando a vítima veste o uniforme errado.
Essa fala é inaceitável.
Não apenas para a comunidade judaica — mas para qualquer ser humano com consciência moral.
A dor não tem ideologia. A vida não tem partido.
Mas para alguns, a morte tem lado. E a empatia tem seletividade.
No Brasil ideológico, a usina da mentira opera a todo vapor: relativiza o terror, distorce os fatos e escolhe o algoz como vítima.
Enquanto as ogivas iranianas silenciavam a paz, a imprensa lulopetista silenciava a verdade.
O ataque a Teerã desativou reatores e revelou cúmplices morais.
Enquanto os aliados cortavam o suprimento de urânio ao terror, aqui seguíamos fornecendo álibis narrativos ao fanatismo ideológico.
A verdadeira batalha não é apenas entre potências.
É entre civilização e barbárie.
Entre a verdade objetiva e a mentira militante.
Entre a ação que salva vidas e a palavra que as despreza.
O regime dos aiatolás tremeu.
Sua aura se esfarelou.
E o mundo, por fim, reagiu.
Essa noite será lembrada como o dia em que o terror começou a cair. O Irã é o eixo central do terror, do ódio, e da instabilidade no Oriente Médio.
E também como o dia em que parte da imprensa mostrou seu verdadeiro papel:
o de cúmplice elegante da barbárie travestida de causa.
Mas nenhuma mentira sobrevive à verdade em chamas.
E nenhuma “mortezinha” será esquecida quando proferida com riso, por quem deveria defender a vida.
Porque a verdade, mesmo perseguida, explode.
E quando explode, ilumina o mundo e queima os que vivem nas sombras da covardia moral.

 

Alex Pipkin, PhD em Administração
Consultor de empresas - e opinador compulsivo.


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SELIC A 15%: QUEM TEM MEDO DA REALIDADE? - 20.06.25


Por André Burger

 

O Comitê de Política Monetária (Copom) acaba de elevar a taxa básica de juros para 15% ao ano, patamar que o Brasil não via desde 2005, quando os juros estavam em 19,75% e 2006, quando os juros reduziram para 15,25%. Se isso não soa como um sinal de alerta para a economia brasileira, então é porque o debate público — e político — se divorciou de qualquer racionalidade econômica.

Onde está Luiza Trajano, crítica ruidosa da política monetária sob Roberto Campos Neto? Durante a gestão anterior, qualquer alta nos juros era tratada como uma agressão ao empreendedorismo, agora, com a SELIC nos níveis mais altos em quase duas décadas, está calada. Será que o “Brasil do consumo” afundou mesmo, ou virou um submarino ancorado em Brasília?

Onde está Gleisi Hoffmann? Aquela que, em tempos de Campos Neto, surtava de indignação a cada décimo percentual de aumento nos juros. Hoje, se resignou a dizer que não entende por que os juros aumentaram. Pois senhora Gleisi, a resposta é simples: os juros refletem a inflação esperada, o risco fiscal e a incerteza institucional. Entender de economia nunca foi seu forte e por isso repete essa dúvida como um mantra vazio.

E o presidente Lula? O mesmo que dizia que a taxa de juros subia pela falta de simpatia de Campos Neto pelo seu governo. Agora, com a taxa de juros ainda maior que o patamar que criticava anteriormente, joga a culpa nas condições da economia americana. Claro, sabemos que seu governo nunca é culpado do que quer que seja. Será que algum assessor já lhe contou que os juros americanos estão em 5,5%? A diferença não está lá fora, mas aqui, na forma como se conduz a política econômica, fiscal e institucional.

Com o PT no poder, e mais fortemente após 2023, o Brasil vive sob uma lógica em que gasto público é virtude, responsabilidade fiscal é neoliberalismo cruel e o Banco Central é sempre um inimigo, nunca um amortecedor. O resultado? Expectativas de inflação fora da meta, risco fiscal em alta e fuga de investimentos. Tudo isso se traduz, inevitavelmente, em juros altos. E não porque o Copom quer, mas porque precisa.

O gráfico que ilustra este post mostra como a taxa SELIC oscilou entre 2005 e 2025. Esse histórico ajuda a entender o cenário atual:

2005–2008: Período de contenção inflacionária com juros altos, seguidos por cortes à medida que o país apresentava crescimento econômico e controle fiscal.
2009–2012: Após a crise financeira global, houve oscilação na taxa para estimular a economia, mas com preocupação inflacionária crescente.
2013–2016: A política heterodoxa da “nova matriz econômica” gerou desequilíbrios — culminando em SELIC a 14,25% em 2016 para conter inflação de dois dígitos.
2017–2019: Período de forte desinflação e reformas fiscais (como o teto de gastos), permitindo cortes até 6,5% e depois 4,5%.
2020: SELIC atinge seu piso histórico de 2% durante a pandemia, mas isso gerou desequilíbrios posteriores.
2021–2022: A resposta ao descontrole inflacionário levou a um dos ciclos de alta mais rápidos da história: de 2% para 13,75% em 18 meses.
2023–2024: Tentativas de queda dos juros encontraram um obstáculo chamado risco fiscal.
2025: O mercado não tolerou mais. A SELIC sobe para 15%, não por maldade do Copom, mas porque as condições internas — dívida crescente do governo, déficit primário persistente e ausência de reformas — exigem prêmio de risco mais alto.

Esse quadro é o reflexo exato daquilo que economistas sérios dizem: juros altos não são uma política, são um sintoma. E quando o paciente se recusa a mudar o estilo de vida, o remédio é mais amargo.

O que isso nos mostra? Que juros são consequência, nunca causa. Não há complô contra o crescimento, nem pacto neoliberal contra os pobres. Há apenas uma coisa chamada realidade econômica, que sempre volta para cobrar a conta.

A taxa de juros é um reflexo. Ela revela o quanto o mercado — investidores, empresários, consumidores — confia no futuro. Quando o governo não tem controle fiscal, atropela marcos regulatórios, sabota reformas estruturais e transforma o estado em um agente político-partidário, o risco sobe. E quando o risco sobe, o juro acompanha.

Não há mágica. E não há vilões caricatos como a Faria Lima ou o agronegócio. O que há é uma economia sem bússola, com um governo que promete tudo a todos, mas não entrega nem o básico: estabilidade e previsibilidade.

SELIC a 15% não é política monetária restritiva. É apenas a consequência lógica de uma política econômica inconsequente.


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O CÉREBRO LULISTA: O TOTEM, A TRIBO E A VERDADE SUPRIMIDA - 18.06.25


   Por Alex Pipkin

 

A conversa começou com mísseis e terminou com mantras.

    Como toda boa reunião de brasileiros esclarecidos, o mundo em chamas, mas a fé no Lula intacta.

    Debatia-se, num grupo seleto — em sua maioria da comunidade judaica — o atual conflito entre Irã e Israel. As ameaças teocráticas, a escalada geopolítica, a indiferença da ONU. Tudo civilizado até a referência de Lula. E, como sempre, o foco saiu das fronteiras do Oriente Médio e entrou na selva da devoção tribal brasileira.

    Comentei que, para mim, Lula, além de bajulador de tiranos, é abertamente antissemita e incontornavelmente corrupto. Baseado em discursos, omissões, delações, provas. A resposta? A ladainha: “Lula não é antissemita. Tampouco corrupto”.

    Não foi argumento. Foi missa lulista de sétimo dia da razão.

    E não, prezado leitor, não sou bolsonarista. Nem de “extrema-direita”. Sou liberal. Contra qualquer coletivismo fracassado — seja de esquerda ou direita. Quem me lê sabe. Eu não defendo salvadores, nem mitos tropicais com adesivo sindical.

    Mas o que me impressionou não foi o lulismo. Foi a conivência de quem deveria saber mais. Gente informada, racional, lúcida,que, diante de um Lula que afaga o Irã, acena para o Hamas e silencia sobre o Holocausto, ainda sussurra: “Diplomacia”.

    Não é dissonância cognitiva. É desonestidade emocional.

    Foi aí que entendi. Não estamos lidando com política, mas com neurociência primitiva.

    A mente lulista não é ideológica. É tribal.

    Não busca verdade, busca alívio. Não quer pensar, quer pertencer.

    Os fatos são acessórios. Servem, se reforçam a tribo. São descartados, se a ameaçam.

    A psicologia evolutiva e a neurociência social já revelam isso: o cérebro humano não foi feito para buscar a verdade, mas para manter a lealdade. A razão, muitas vezes, serve para justificar crenças, não para corrigi-las.

    Em português direto: o lulista típico não acredita em Lula por causa dos fatos. Acredita apesar deles.

    Admitir que Lula é corrupto seria mais do que mudar de ideia, ou seja, seria romper com uma identidade. Sair da bolha afetiva, encarar o vazio e admitir: fui enganado por um messias de barro.

    A maioria não suporta isso. Prefere preservar o mito e rebater ou insultar quem ousa dizer o óbvio.

    O resultado disso tudo é que o Brasil virou uma distopia cognitiva, trajado com paletó, crachá e orgulho de ser idiota útil.

    O sujeito vê Lula bajulando um regime que quer apagar Israel do mapa e chama de “mediação”. Vê malas de propina, confissões, julgamentos, e diz: “perseguição”. Vê um país afundando e grita: “volta, companheira Dilma!”.

    Não é ignorância. É vício. Vício em autoengano.

    Enquanto o mundo encara a brutalidade iraniana e o direito de defesa de Israel, Lula faz turismo moral entre Teerã e Caracas.

    Chama Israel de genocida, relativiza terroristas, inverte os papéis, encenando seu eterno sotaque de vítima iluminada.

    Mas o problema maior não é ele.

    É quem ainda aplaude.

    A mente lulista não busca justiça. Busca confirmação. Busca manter sua narrativa emocional à base de slogans e ressentimento.

    O lulopetismo não é uma ideologia. É uma religião secular da absolvição perpétua.

    E Lula não é um ex-presidente. É um tótem.

    E, como todo tótem tribal, quanto mais frágil, mais ferozmente é defendido.

    Enquanto isso, a realidade sangra.

    A economia derrete, o investimento foge, o agronegócio é hostilizado, a indústria apodrece, o funcionalismo cresce, e o cidadão desaparece.

    Mas a tribo segue em êxtase.

    Porque pensar exige coragem. Pertencer só exige slogans.

    E assim seguimos, à beira do precipício vermelho: entre alianças com teocracias e palmas para a censura, entre o colapso educacional e a beatificação da ignorância, entre a fuga dos fatos e o conforto tribal.

    Até o último míssil.

    Ou até o último tótem cair. E, com ele, a última ilusão de que isso aqui ainda é uma democracia adulta e sadia.


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INSTITUIÇÕES NÃO SE DERRUBAM, SE REFORMAM - 16.06.25


 

Por Percival Puggina
 
 Poucos homens são suficientemente sábios para aprender, na observação dos acontecimentos de seu tempo, lições cuja validade se impõe durante os séculos seguintes. O inglês Edmond Burke foi um deles.
 
O caos ainda não se instalara completamente. A Assembleia Constituinte francesa já revelara, porém, sua intenção de demolir as instituições do Antigo Regime. Somente mais tarde o sangue iria marcar para sempre o solo da Place de la Concorde.  Burke, contudo, já escrevia e publicava, em 1790, sua obra mais notável: “Reflexões sobre a revolução na França”. O que aconteceu naquele fim de século merece capítulo especial no cadastro mundial das insanidades. Ao mesmo tempo, é festejado berço da mentalidade revolucionária que ainda hoje causa alvoroço em muita gente doida e dano severo à vida de tantos povos.
 
Quantas vezes li que grandes mudanças para melhor não acontecem sem derramamento de sangue! Uau! Quem o propõe jamais cogita do próprio sacrifício. Sua sede é de sangue alheio e, se possível, em pouca quantidade para não ser repulsivo perante a História. Consultem os povos que viveram revoluções sangrentas. Perguntem aos russos de 1917 se valeu a pena derramar o sangue da família Romanov. Perguntem o mesmo às vítimas do comunismo chinês e às dezenas de milhões que sucumbiram à fome e à violência impostos por Mao Tsé-Tung.
 
Façam isso, também, no Camboja, no Laos, no Vietnã e na Coreia do Norte. Perguntem às vítimas da revolução em Cuba, às do sandinismo na Nicarágua e às do bolivarianismo na Venezuela. Noutra de suas faces, a desumanidade dos totalitarismos regados com sangrias revolucionárias e liberticidas, se expressa na pergunta: seus povos vivem melhor hoje do que viviam então? As respostas farão você chorar de comiseração.
 
Nada que tenha algo a ver com democracia pode ser aprendido das lideranças chinesas, russas, iranianas, venezuelanas, cubanas ou nicaraguenses! Nem de quem for adversário da liberdade de expressão, como a Organização Comunistas Sem Fronteira (também conhecida por Foro de São Paulo) ou o Sul Global. Muitos dos males que nos atormentam resultam de realidades que, antes, nos recusamos a ver.
 
Entre elas, nosso modelo institucional ficha suja, porque dinheirista e mercantil, que piora a cada oportunidade de promover alguma retificação e se constitui numa usina de más possibilidades. Na sua versão 2025/2026, turbinada, esse modelo já jogou a liberdade e a democracia para o acostamento e seguiu em frente, negando assistência às vítimas. Não desista da política porque se desistir, você passa a ser um problema resolvido.


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NOVA INQUISIÇÃO: AGORA COM WI-FI - 13.06.25


Por Alex Pipkin

 

No Brasil moderno, a liberdade de expressão virou um velho de bengala, empurrado escada abaixo por ministros togados, com diploma em Harvard e alma inquisitorial de Torquemada. Nada de tanques. A censura agora chega com login, despacho e servidor em nuvem. Não há generais — só juízes, ou melhor, políticos disfarçados de magistrados — que, com ares messiânicos, se proclamam guardiões do Estado democrático de direito: esse dogma líquido que só vale enquanto você repetir os mantras certos.
A nova liturgia jurídica quer responsabilizar as Big Techs pelo que os outros dizem. É como culpar o poste pelo bêbado, ou o lápis pelo erro de português. O conteúdo ofensivo não é mais o problema — é o meio que deve ser punido. Bem-vindo ao Brasil, onde o algoritmo vai preso.
Nos Estados Unidos, isso seria impensável. Lá, a liberdade de expressão não é uma flor no jardim da democracia — é o solo. A Primeira Emenda protege o direito de ser idiota, radical ou ofensivo. Porque censura, uma vez acionada, nunca estaciona no vizinho. Ela muda de casa, entra sem bater e toma conta da sala. Aqui, porém, criamos o paradoxo tropical: calar para proteger a democracia.
A Constituição brasileira virou um origami moral. Ela se dobra conforme a sensibilidade do ministro de plantão. E o novo truque da censura é sua camuflagem. Não se cala mais com cadeia, mas com rótulos. Criticou o governo? Discurso de ódio. Ironizou o STF? Atentado à ordem constitucional. Publicou um meme? Ameaça institucional. Em breve, sonhar fora da linha poderá ser enquadrado como “tentativa de abalo democrático subconsciente”.
O Supremo já não julga — interpreta dogmas. Tornou-se uma espécie de Vaticano reverso, onde cardeais de toga excomungam opiniões. O cidadão não é mais um sujeito de direitos, mas um réu presumido do verbo. Cada frase vira risco jurídico; cada opinião, uma possível audiência de custódia.
E como toda cruzada precisa de fé, a atual conta com a bênção do lulopetismo. Esse projeto de poder, que abomina o dissenso e canoniza o eco, encontrou no STF um clérigo entusiasmado. O tribunal virou parte ativa do jogo: pune, orienta e adverte — tudo em nome da democracia, que, curiosamente, sobrevive melhor quando os adversários dela estão em silêncio.
Responsabilizar plataformas por falas alheias é infantilizar o cidadão. Um país onde o brasileiro é visto como incapaz de discernir entre um boato e um argumento precisa de tutores — de preferência, pagos com o dinheiro público e imunes ao ridículo. O povo virou menor de idade crônico. Só é adulto o suficiente para votar certo.
E ainda nos vendem esse espetáculo como “Estado democrático de direito”. Mas o novo regime não quer apenas obediência. Quer reverência. Cidadãos vigilantes, sim — desde que não vigiem os vigilantes.
A ditadura não chega mais com fardas. Chega com notificações, inquéritos e plataformas tiradas do ar. Agora, é a toga que determina o que é verdade, o que é aceitável e, principalmente, quem pode falar.
No final, só resta uma pergunta, abafada pelo ruído das canetadas sagradas:
Se é preciso calar tantos para proteger a democracia, será que o que temos ainda é uma?
Quando a liberdade precisa de autorização para existir, ela pode ser muita coisa — só não é mais liberdade.


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ESTADO DE NEGAÇÃO - 10.06.25


Por Alex Pipkin

 

O Brasil é como o sapo na panela.
A água vai esquentando devagar. A inflação, a mediocridade, a perda de competitividade, a decadência da educação, as farsas identitárias — tudo sobe de temperatura. Mas ninguém salta.
Acomodado, o país segue imóvel, esperando que o calor desapareça por si. Mas não vai.
Porque o Brasil não está em crise; está em negação.
Não falta talento, nem recursos, nem ideias. Falta horizonte.
Transformamos a procrastinação em identidade institucional.
Adiar reformas e decisões difíceis virou tradição nacional. Desde a fundação do país, os projetos que não rendem votos imediatos são empurrados para depois.
Vivemos numa adolescência política — presos à mentalidade do prazer imediato.
Queremos aplauso agora, conforto agora. E, em troca, sacrificamos o futuro.
Mas a ironia é cruel. Essa fuga da dor presente é justamente o que prolonga a dor.
Governos populistas sabem disso. Não trabalham por um projeto de país, mas por um projeto de voto.
Não constroem políticas sustentáveis, apenas promessas descartáveis.
O Estado se transformou num distribuidor de dopamina coletiva: vende alívio momentâneo enquanto alimenta a pobreza e a dependência.
Quando investe, muitas vezes o faz em farsas ideológicas, tais como em eventos caricatos sob o rótulo da “diversidade” que sequestram o orçamento das universidades, enquanto a ciência com “C” maiúsculo é desprezada.
Drag queens nos auditórios, laboratórios fechando. Um país que abdica da excelência, em nome do espetáculo.
O populismo não evita a dor. Ele entrega uma dor estéril, paralisante. Uma dor que mantém o país no mesmo lugar.
Já a dor do desenvolvimento — essa sim — é fértil.
É a dor das reformas, da reconstrução, da inovação.
É a dor que move a destruição criativa, abre novos mercados, empregos, riqueza.
Mas o Brasil rejeita essa dor como se fosse um vírus.
Inovar virou afronta. Mexer em privilégios, tabu. Correr riscos? Heresia.
Por aqui, o esporte favorito dos populistas é inverter incentivos:
— premiam o obsoleto,
— punem o produtivo,
— desencorajam o risco,
— sabotam o novo.
O voto é o motor perverso disso tudo. Rejeita qualquer sacrifício no presente, mesmo quando é o preço de um amanhã melhor.
A biologia humana explica: temos aversão à dor imediata.
Mas, no Brasil, esse instinto virou política de Estado.
Os incentivos estão de cabeça para baixo.
Governos são premiados não por gerar prosperidade, mas por manter a dependência. O curto prazo virou ideologia. A mediocridade, uma estratégia de poder.
O país envelhece sem amadurecer. Cresce em estatísticas, mas não se desenvolve. Industrializa-se sem inovar. Urbaniza-se sem civilizar.
É uma nação emocional, o reino da sinalização de virtude, onde adultos agem como crianças mimadas, exigindo o doce agora e culpam os outros pela cárie depois.
O Brasil é um corpo que rejeita o antídoto — prefere conviver com o veneno que conhece.
Recusa o sacrifício necessário e escolhe, de novo e de novo, a dor da estagnação.
Estamos, mais do que nunca, diante de uma escolha simples, porém dolorosa:
Ou aceitamos a dor fértil do desenvolvimento — com reformas, inovação, responsabilidade — ou continuamos presos à dor estéril do populismo e da dependência perpétua.
A escolha está posta. O tempo corre. E a história não será generosa. Pois até quando?


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