Espaço Pensar +

JEFFREY CHIQUINI E O COLETIVISMO JUVENIL - 12.09.25


 

Por Percival Puggina
  
 Seria um exagero dizer que fiquei escandalizado com a agressão ao Dr. Jeffrey Chiquini na Faculdade de Direito da UFPR. Tais cenas são cada vez mais comuns. O jovem advogado alcançou rapidamente o patamar das figuras intoleráveis aos ambientes acadêmicos que os coletivos juvenis, sempre pela esquerda, constroem à sua imagem e semelhança. Para saber o quanto esses jovens são “progressistas”, basta vê-los e, em muitos casos, observar a ruína dos espaços sob seu domínio. A civilização leva um tombo a cada geração dessa turma.
 
Há que ser justo na avaliação. Antes de começarem a desumanizar seus desafetos para justificar tudo que contra eles fazem, os jovens desses coletivos desumanizam a si mesmos... Como na fábula do boneco de sal que quis conhecer o mar, sua natureza como pessoa é dissipada no coletivo porque essa é a natureza dos coletivos. Eles sentenciam de morte as individualidades e, com ela, se vão: a) a efetiva natureza do ser humano, b) um atributo vital de sua dignidade e c) o fundamento de seus direitos.
 
É nesse leito do manicômio humano que nascem os totalitarismos. A negação de tais direitos moveu o dedo do sniper que matou Charlie Kirk e foi ela que comandou o show de estupidez no prédio histórico da UFPR e na praça Santos Andrade da progressista e moderna capital do Paraná. Aliás, que o digam os alijados e amargurados pais daqueles rapazes e moças.
 
Pelo mal que representa para cada um deles e para a sociedade, eu não naturalizo o processo de desumanização a que foram submetidos e do qual aparentam ser o produto acabado. Certa feita, observando uma anterior geração de jovens naquela aparência de zumbis raivosos, me perguntei se seria razoável afirmar que ficaram assim por conta própria. Seriam eles produtos de um profundo processo de reflexão pessoal sobre temas essenciais da existência humana? Teriam ficado assim, queimando pestanas diante de bons livros de sã filosofia? Concluí que havia mais jeito de terem ficado assim queimando baseados... Eles não saberiam sequer iniciar uma operação mental que processasse tais reflexões.
 
Isso significa afirmar algo grave: alguém fez isso com eles, contra eles, de caso pensado. O processo mental lhes foi posto e imposto. Os jovens capturados para o coletivo, ignorantes e intolerantes ante o saber superior, pagarão com alto custo existencial a destruição de suas mentes por ideias corrosivas de neurônios. As cenas, dentro e fora da UFPR, falaram por si. Foi uma cena de estupidez “multitudinária”.
 
Caiu-me, então, a ficha. Onde estariam os autores daquele desastre da universidade como instituição da universalidade e do conhecimento plural? Onde estariam os desumanizadores daqueles alunos? De hábito, longe da cena. Pergunto: por que não se expõem, habitualmente, ao mesmo ridículo, os gestores, os mestres, os doutores velhacos? Por que não se unem, solidários, aos jovens e tristes frutos de sua velhacaria política e ideológica?
 


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JORNALISMO EM NEGAÇÃO - 09.09.25


 

Por Percival Puggina
 
 
Alguns meios de comunicação que se deixaram aparelhar e instrumentalizar tomam por amiga ou amante, companheira ou camarada, qualquer autoridade ou poder que de algum modo antagonize as redes sociais. O desconforto em relação a elas se explica: a) há muito mais talento no artesanato das redes do que na indústria da informação; b) os anunciantes já perceberam a tendência e migram parte importante de seus recursos para onde tem ido o público: c) um dos nichos mais bem sucedidos nesse mercado é o dos correspondentes de guerra que reportam a beligerância da velha mídia com os fatos. É uma guerra assimétrica, muitos fatos têm ido a óbito e há brasileiros refugiados no exterior por relatarem ocorrências sepultadas.
 
Exemplo totalmente em curso é proporcionado pela atitude dos veículos do “Consórcio Goebbels” de Comunicação, em relação ao mais recente personagem na cena do regime instalado no Brasil. Os profissionais do consórcio preferem olhar a paisagem além da janela cada vez que lhes aparece pela frente o senhor Eduardo Tagliaferro. Vivem dilemas shakespeareanos. Ser ou não ser? Ver ou não ver? Saber ou não saber? Preferem entrar em negação, na expectativa de que seu reino de papel e seus cavalos não lhes sumam sob os pés.
 
Flutuando, então, algumas polegadas acima da superfície dos fatos, os membros do “consórcio” têm referido a existência de uma crise institucional causada pela direita golpista e bolsonarista. Sério? O regime está em crise? Pergunto isso porque até o momento em que escrevo estas linhas, não há no horizonte sinais de insegurança na estrutura que sustenta o poder instalado no Brasil. Ela é bem simples: a maioria do STF manda, o governo aplaude e a maioria da representação política no Congresso obedece por sensibilidade natural aos impactos da mão pesada do Estado. Manda quem pode e obedece quem precisa. A linguagem popular dá outro nome, mas todos entenderão se eu disser que trato aqui de um ponto da anatomia frágil ao medo.
 
As denúncias se empilham, graves, gravíssimas. Nas redes sociais, quem não fala de pets nem de cuidados de saúde que substituam remédios de uso contínuo, não fala de outra coisa. Hoje, 6 de janeiro, a mídia do Consórcio rasga manchete a esta trepidante matéria: o ministro relator da ação penal do 8 de janeiro pediu um dia a mais para o julgamento. Uau! Um calafrio percorre a coluna vertical da oposição.
 
Você percebeu, leitor, a palavra que eu usei? Eu escrevi “oposição”! Para o consórcio, a existência de algo com esse nome já é porteira aberta à crise institucional. Em regimes como o vigente no Brasil, oposição, de direita, fazendo seu trabalho, caracteriza “crise institucional”. No século XX, apenas julgamentos coletivos, gulags e covas rasas foram mais eficientes para demarcar um regime tirânico do que a recusa a uma oposição.
 
Considere, por fim, que um “regime” não pode abdicar nem renunciar. O exercício do poder gera a necessidade de perpetuá-lo para a segurança de seus titulares. Há que planejar o futuro. O poder é parte interessada nas decisões que o próprio poder toma. Eis por que já se fala em “anistia sem Bolsonaro”. Capici?
 
Esqueceram-se de Franklin Martins! Antes das redes sociais, ele inspirou o projeto petista de “controle social da mídia” para acabar com as críticas da imprensa tradicional aos governos de Lula e Dilma entre 2003 e 2016. Essa mesma mídia que hoje lhes afofa os fatos foi alvo de tentativas petistas de lhe colocar freios e não percebe o quanto esse feitiço que hoje aplaude pode regurgitar da panela dos feiticeiros.


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CARTA ABERTA AO PRIMEIRO MINISTRO BENJAMIM NETANYAHU - 08.09.25


Por Roberto Rachewsky 

 

Excelentíssimo Senhor Primeiro-Ministro,

Escrevo-lhe, não como um conselheiro, mas como alguém que observa de longe, com a clareza que falta a muitos líderes que se apressam em emitir juízos distorcidos.

Recentemente, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva — um verdadeiro schleper, um nebish que se esforça em posar de estadista enquanto se afunda em contradições — ousou pedir aos judeus que lhe escrevessem, rogando que Vossa Excelência “parasse de matar mulheres e crianças em Gaza”. Ignorou, convenientemente, que não foi Israel quem iniciou esta guerra, e que o Hamas, covardemente, transforma sua própria população em escudos humanos. Israel, ao contrário, faz o possível para evitar atingir civis, mas a realidade imposta por terroristas torna isso, muitas vezes, impossível.

Senhor Primeiro-Ministro, permita-me ser claro: se há uma forma rápida de acabar com a guerra, não é obedecendo às palavras vazias de um schmendrik como Lula, mas vencendo-a. A vitória de Israel não apenas trará a libertação dos reféns, mas também permitirá que o povo israelense viva com mais segurança no futuro.

A decisão de declará-lo persona non grata foi recebida com indignação por Lula e seus cúmplices, mas com aplauso por grande parte do povo brasileiro, que não esqueceu o espetáculo impensável de vê-lo preso por corrupção. Seria de bom tom estender essa honraria a Celso Amorim e Geraldo Alckmin, que não se cansam de se associar a lideranças que apoiam — ou até integram — grupos terroristas.

É verdade que alguns judeus brasileiros ainda preferem Lula a Vossa Excelência. A esses, só me resta constatar: há judeus meshugoyim espalhados pelo mundo inteiro. E eles, infelizmente, não fazem exceção em minha terra.

Concluo esta carta com o desejo sincero de que Israel mantenha sua firmeza, que a vitória seja breve e decisiva, e que a segurança do povo judeu seja garantida contra os nudniks que tentam confundir vítimas com agressores.

Com respeito,

Shalom (não antes da vitória)

Roberto Rachewsky


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A ANATOMIA DO GOLPE - 05.09.25


Por Roberto Rachewsky

 

Primeiro, ocupam postos-chave, e dali começam a decidir ao arrepio da lei e da ordem vigente.

Segundo, cassam políticos da oposição e caçam jornalistas e influencers dissidentes.

Terceiro, manipulam eleições e avançam sobre todas as instituições do estado.

Quarto, criam uma narrativa para criminalizar a resistência e as lideranças contrarrevolucionárias.

Quinto, implantam o arbítrio e a tirania, dispensam e combatem a lógica, os fatos e todos os que ousarem desafiar o regime, sempre com violência crescente. Com crueldade mesmo, para impor o medo.

Golpes podem ser dados por quem assumiu o poder com aparência de legalidade, mas terão que violar dispositivos legais para se manterem no poder como a censura, a prisão sem devido processo legal, a corrupção endêmica e o esvaziamento de qualquer resquício de Estado de Direito.

Dirão que é só por um curto período de tempo. Mas será para sempre. Pelo menos, enquanto os tiranos estiverem com o poder.

O poder ficará concentrado num órgão protegido do voto majoritário. Mesmo que a oposição vença eleições eventualmente, o regime golpista continuará mandando e desmandando no país.

Julgamentos e eleições continuarão existindo para manter as aparências, mas todo o processo será manipulado e os resultados sempre contribuirão para a manutenção do sistema autoritário.

Os comandantes das forças armadas serão os primeiros a serem cooptados. Nenhum golpe é possível sem seu apoio. Servirão até para atrair, trair e denunciar quem acredita que elas podem proteger a institucionalidade.

Não. Não é uma coincidência. É uma necessidade.


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O ESPETÁCULO DA ADULAÇÃO SERVIL - 03.09.25


Por Alex Pipkin - PHD

 

Há quem ainda se surpreenda com a natureza humana — ingênuos ou interesseiros natos. Completando sessenta anos, sorriu com o ceticismo de quem observa a vida cotidiana como ela é, uma sucessão de esperanças vãs. Não sou perfeito, mas estudo fatos, dados e o comportamento humano. E o que vejo no Brasil não é exceção, é norma. Em especial no cancro do país que é o Judiciário, onde a adulação e o servilismo se tornaram rotina que abomino.
A tribuna, a sala de reunião, o balcão da repartição, o púlpito político, os artigos na mídia, todos se tornam palcos de um teatro tragicômico. Cada ator busca aprovação como se a própria existência dependesse disso. Advogados que não doutoram em nada exigem o título; analistas, escritores e intelectuais vestem otimismo como fraque de gala, mesmo que suas análises estejam completamente apartadas da realidade; magistrados se contemplam como Narcisos modernos, fascinados pelo reflexo de sua própria suposta grandeza. Onde ficam mérito, competência ou lógica? Ficam de fora, fumando um cigarro de desprezo.
É a velha farsa da simpatia — que Adam Smith descreveu como a inclinação humana a buscar aprovação — transformada em vício social. A adulação deixou de ser gesto, tornou-se ritual. O elogio falso é moeda obrigatória; a empatia, encenação cínica. No Judiciário, essa encenação se institucionalizou, transformando-se em arte dissociada da realidade, repetindo-se todos os dias, sem que ninguém ouse questionar.
A verdade, quando baseada em fatos e dados, é frequentemente recebida como ofensa pessoal. A sociedade insiste em interpretar a realidade como afronta, e então se impõe a adulação: um muro entre honestidade e convivência, uma obrigação de sorrir e elogiar, mesmo quando tudo é absurdamente claro. Cada palavra exagerada, cada gesto calculado reforça a teatralidade e o culto à vaidade.
No espelho líquido de cada plateia, cada figurante, cada Narciso, vê-se indispensável, belo e sábio, nunca tão sábio quanto o reflexo sugere, mas suficientemente vaidoso para acreditar que sim. O país aplaude enquanto tudo isso se desenrola, cúmplice, indiferente, sorrindo para a própria caricatura.
E o mais cruel de tudo isso é que o espetáculo não tem fim, e ninguém parece notar que a vida inteira se tornou uma “cena elogiável”. Isso é, e talvez seja algo profundamente triste para a humanidade, comprometendo a possibilidade de uma civilidade verdadeira, honesta e fundamentada em fatos. Triste.


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