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A INDÚSTRIA QUE O BRASIL ABANDONOU - 17.11.25


Por Alex Pipkin, PhD em Administração

 

A indústria brasileira se tornou uma relíquia de um país que já ousou produzir. Já representou quase 40% do PIB; hoje mal chega a 10%. O que era motor do progresso se transformou em um anexo. E não por acaso, mas por escolha! Uma escolha política, institucional e cultural.
O Brasil preferiu o compadrio à competição. A mentalidade e a prática do “rent-seeking”, a eterna busca por favores e privilégios estatais, não nos deixam desde o Brasil Colônia — nem quando, em tese, nos tornamos independentes. Criamos uma elite que prospera não pela eficiência, mas pela proximidade com o poder. É o capitalismo de conchavo, ou seja, quem tem acesso ao Estado tem mercado; quem depende de mérito tem prejuízo. Esse compadrio distorce preços, bloqueia a inovação e protege indústrias obsoletas, incapazes de competir. Sufocamos o novo para preservar o velho e ultrapassado.
A baixa abertura econômica completa o enredo dantesco. O país vive isolado, distante dos fluxos tecnológicos e das cadeias globais de valor. Fingimos ser vítimas do protecionismo estrangeiro, quando somos, na verdade, campeões do nosso próprio protecionismo. Essa couraça nacionalista nos condena à irrelevância tecnológica. Enquanto o mundo troca conhecimento, o Brasil troca decretos.
A carga tributária sufocante e os juros altos (atualmente, mandatórios) completam o quadro. O Estado tributa quem produz, desperdiça o que arrecada e ainda se espanta com a falta de produtividade. Empreender no Brasil é resistir ao próprio governo. Inovar, então, é quase um ato de heroísmo.
E há a tragédia educacional. As universidades, com raras exceções, afastaram-se da ciência aplicada. Preferem o conforto da retórica ideológica à inquietude da pesquisa real. O país forma poucos engenheiros, técnicos e cientistas. Falta base para transformar conhecimento em progresso. Sem educação de qualidade, não há inovação; sem inovação, não há indústria.
É preciso lembrar o óbvio “ululante”. As grandes inovações da história nasceram da indústria. Foi no chão de fábrica que o ser humano transformou engenho em civilização. Quando a indústria automobilística se instalou no Brasil, nos anos 1950, trouxe mais do que carros, trouxe tecnologia, produtividade e autoestima. A indústria foi o laboratório da modernidade brasileira. Desde que ela começou a definhar, o país parou de inovar.
A indústria é mais do que um setor econômico; é o coração do desenvolvimento. Gera empregos qualificados, cria conhecimento e dá densidade tecnológica ao agronegócio e aos serviços. Quando ela encolhe, o país empobrece, o Estado arrecada menos e a sociedade perde vitalidade.
Mas Brasília lulopetista insiste na velha fórmula: aumentar impostos e regular ainda mais. Esquece que não há arrecadação sem produção. A cada fábrica que fecha, a cada engenheiro que desiste, o Brasil perde soberania e futuro.
A desindustrialização não é apenas estatística; é o retrato de um país que desistiu de competir.
O Brasil precisa libertar-se do compadrio, do protecionismo e da idolatria fiscal. A indústria não precisa de tutela; precisa de liberdade. O país não precisa de mais Estado; precisa de mais mercado. Menos Marx, mais Mises.
Só assim deixaremos de ser exportadores de commodities e importadores de ideias.
É urgente que voltemos a ser um país que produz, inova e cria o próprio destino.
Não há outra saída, outra “salvação”.


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NEM SHAKESPEARE... - 11.11.25


Por Alex Pipkin

 

Há ironias que nem Shakespeare ousaria imaginar. Uma emissora centenária britânica, ícone da sobriedade e da credibilidade, foi flagrada adulterando o discurso de Donald Trump. Cortaram o trecho em que ele pedia protestos “pacíficos” e o substituíram por um inflamado “lutem”. Depois, veio o comunicado burocrático: “um erro de julgamento”.
Erro? Não, um escárnio. Um insulto à inteligência alheia, travestido de arrependimento técnico. Porque, convenhamos, erros não são tão coerentes. Os deslizes da mídia progressista seguem uma precisão matemática e acontecem sempre na mesma direção! Contra quem ousa discordar da cartilha ideológica. Quando o “erro” é sistemático, ele deixa de ser erro. É pura e nefasta estratégia.
O diretor, com semblante grave, assumiu a responsabilidade máxima e se retirou. Imagino a cena; o tom compungido, o verniz moral, a tentativa de salvar a própria biografia. Algo entre a culpa teatral e o deboche diplomático. Lembra o nosso folclórico Eduardo Bueno, o Peninha, quando desejou a morte de um pacifista americano e depois soltou uma desculpa tão desastrada que a emenda ficou muito pior que o soneto.
Mas o episódio revela algo mais profundo. O jornalismo, que um dia se pretendeu espelho do mundo, tornou-se o reflexo das paixões ideológicas de seus redatores. A notícia deixou de ser informação; virou catecismo. O repórter moderno interpreta, e milita. Faz tudo isso com o ar messiânico de quem acredita estar salvando o mundo de si mesmo.
E o mais grave: a mesma emissora que editou Trump de forma desonesta foi também acusada de distorcer a cobertura sobre Israel. Israel! País que, cercado por inimigos e atacado por terroristas assassinos do Hamas, exerceu o seu legítimo direito de defesa. Transformar Israel em vilão e o Hamas em vítima é mais do que inaceitável; é destrutivo. Como judeu, eu não posso aceitar, eu repudio. Esse tipo de manipulação midiática alimenta o antissemitismo de forma avassaladora e põe em risco o próprio valor civilizacional que a imprensa deveria proteger, ou seja, a verdade.
A republiqueta vermelho, verde-amarela, sempre atenta às modas ruins, e aos seus interesses espúrios, nada republicanos — não poderia ficar de fora. Nossa versão tropical da emissora britânica chama-se Rede Globo. Claro, o braço midiático não declarado, mas assumido, do lulopetismo. Aqui, nem se disfarça mais. Quando Lula “venceu” a eleição, a redação da Globo explodiu em festa. Jornalistas se abraçavam, riam, gritavam como torcedores em final de campeonato. Isso é jornalismo? Ou torcida organizada com crachá e microfone?
Nenhum diretor se demitiu. Afinal, na Globo, distorcer é virtude. A emissora não informa; interpreta, edita e doutrina. Transformou-se no altar eletrônico da moral progressista, onde a liturgia diária consiste em “corrigir” a realidade até que ela se torne aceitável aos olhos da própria fé.
Como todo bom clérigo secular, os jornalistas da casa creem estar do lado certo da história. Mentem, mas “por uma boa causa”. Manipulam, mas “em defesa da verdade”. A arrogância moral é tamanha que se acham autorizados a enganar o público, e ainda se sentem virtuosos por isso.
Lá fora, ainda há algum pudor; uma demissão, uma admissão de responsabilidade. Aqui, reina o aplauso. O brasileiro liga a televisão acreditando que está se informando, quando, na verdade, assiste a um sermão ideológico com intervalos comerciais.
Não espero arrependimentos nem confissões “globalistas”. Espero apenas que as pessoas despertem, e troquem de canal.
Porque quem controla a narrativa, controla o pensamento. E é exatamente isso que eles querem.


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NÃO FOI UM PIQUENIQUE NO MORRO - 10.11.25


Por Percival Puggina
 
 
         Parafraseando ministros do STF, as imagens dos acontecimentos do dia 28 de outubro no Rio de Janeiro não registram um piquenique no morro. Não eram jovens em retiro espiritual buscando energia na favela, mas faccionados do Comando Vermelho, portando armamento pesado e abrindo fogo contra a polícia. Portanto, dizer que houve uma chacina não é apenas retórica de boteco ou fake news. É corrupção, na pior de suas expressões: corrupção da Verdade.
 
Como seria fácil prever, a opinião pública, quanto mais próxima de suas causas e consequências, louvou a operação policial. Nem se Lula levasse para horas de conversa um “engradado” de cerveja (como aqueles que existiam antigamente), isso convenceria um morador da favela de que a operação foi coisa ruim. Quem se concede um padrão de vida como esse da elite que domina o Estado, pensa e age a uma distância estratosférica da favela.
 
Poucas pessoas sabem que o Rio de Janeiro tem um Mapa do Crime que permite, a todo cidadão, identificar os bairros mais perigosos, os trechos mais hostis dos bairros mais inseguros e os horários em que todo o anjo da guarda prudente desaconselha andar por certos locais.
 
No Brasil, o Estado inferniza a vida de uma família inteira por bate-boca no aeroporto (e proíbe que as imagens sejam vistas), tornozeleira é peça de vestuário para milhares de cidadãos de bem e há um pacote de acusações criminais pronto para quem emite opinião contrária ao gosto do Estado. No Brasil, uma pessoa virtuosa, exemplar, pode viver um inferno por, supostamente, ter integrado comitiva de uma viagem que ela poderia ter feito, mas não fez, e participado de uma reunião da qual não participou. No Brasil, o Estado pode tudo contra todos, menos contra os verdadeiros criminosos. O Estado impõe sigilos de cem anos, silêncios a quem tem voz, cegueira a quem tem olhos de ver e trevas a quem tem luz própria.
  
Aos 24 anos, enquanto estudava Direito em Coimbra, Gonçalves Dias (o poeta) escreveu a “Canção do exílio”, na qual arde a saudade das altivas palmeiras onde sabiás exerciam seu direito natural de cantar em liberdade.


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COP30 E O GRANDE ESPETÁCULO VERDE - 04.11.25


Por Alex Pipkin - PhD em Administração
 

Preparem o palco, os microfones e as câmeras. E não esqueçam da pipoca.
Vem aí a COP30, o maior show de virtude verde que o Brasil já viu. O mesmo desgoverno que não consegue conter o crime nas ruas nem equilibrar as contas públicas agora promete regenerar o planeta. Um feito digno de ficção ecológica e, claro, de pura propaganda política.
A COP30 é uma encenação, repleta de chavões, selfies e discursos cuidadosamente coreografados. Por trás do verniz de “sustentabilidade” e “justiça climática”, esconde-se o velho é sempre renovado projeto de poder. Aquele que troca liberdade por regulação, mérito por burocracia, e o suor do cidadão que de fato trabalha pelo aplauso de quem discursa ideologicamente.
É evidente que Lula vai aproveitar vinte dias de cobertura intensa do Partido Oficial da Mídia para propagandear sua pseudo-preocupação com o meio ambiente e, principalmente, desviar o foco dos problemas reais do país lulopetista.
Os holofotes deveriam estar centrados no déficit público crescente, no rombo nas estatais, no roubo das crianças e dos velhinhos no INSS, na insegurança nas ruas, e na defesa vergonhosa de bandidos e traficantes. Um escárnio orquestrado com pompa midiática.
Os eco-populistas descobriram a fórmula perfeita; vender culpa e comprar controle. Falam em “transição justa”, mas propõem mais Estado, mais impostos, mais dependência. Revestem o autoritarismo de verde e o socialismo de “sustentabilidade”. Querem decidir o que comemos, o que dirigimos, o que produzimos, e até sonham com quanto carbono podemos respirar.
Quem acredita em finanças públicas responsáveis, inflação sob controle e liberdade de mercado sabe que os “progressistas verdes” não são aliados da real preocupação com o meio ambiente, são adversários do que mais importa — o crescimento econômico. Não confiam no indivíduo, mas em burocratas planetários; não acreditam na inovação, mas em decretos e subsídios. Pregam igualdade, mas perpetuam privilégios.
Pois é. Enquanto o Brasil real sofre com violência e inflação, o governo se prepara para seu carnaval ideológico em Belém. A COP30 será palanque internacional, álibi moral e biombo para o fracasso cotidiano. A farsa ambiental cobre o descontrole fiscal, a incompetência administrativa e o apoio, mesmo que velado, ao narcotráfico, transformando um problema nacional em espetáculo global.
Acho muito curioso e sintomático que após quase trinta anos de COPs, as emissões mundiais só aumentaram. As conferências multiplicam palavras, relatórios e selfies, mas produzem o mesmo resultado que um ventilador ligado no deserto, isto é, barulho, poeira e calor. O planeta não muda; muda apenas o verniz do discurso “progressista”.
A agenda verde, aplicada sem senso crítico, destrói a competitividade. O Brasil, que já enfrenta energia caríssima, impostos abusivos e burocracia sufocante, ainda é pressionado por metas e restrições que premiam a ineficiência. A economia trava em nome de ideais hipotéticos, enquanto todos são obrigados a financiar um teatro de culpa coletiva.
Não se trata de negar o valor da preservação ambiental, mas de denunciar o uso político do medo ecológico. O ambientalismo virou a nova religião dos ressentidos, onde se promete salvação planetária, desde que o fiel entregue sua liberdade no altar do Estado.
A COP30 será um sucesso! Evidente, um show dos horrores de hipocrisia e encenação. O resultado não será nenhuma novidade; nenhum.
Para o trabalhador brasileiro comum, esse sim continuará pagando caro por energia, combustível e insegurança, assistindo de longe à procissão dos santos verdes, que pregam a salvação universal enquanto enterram, dia após dia o país afrodisíaco das belezas naturais, da beleza feminina e do carnaval.
O que está sendo sepultado factualmente, na farsa lulopetista, é a liberdade individual e o redentor crescimento econômico.


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É DISTO QUE SE TRATA! - 03.11.25


Por Percival Puggina

         Foi o ministro Gilmar Mendes quem primeiro usou a expressão “grande contexto” para costurar ao 8 de janeiro de 2023 alguns acontecimentos ocorridos durante o governo Bolsonaro.
 
Ao votar num dos três primeiros julgamentos da Ação Penal dos atos do 8 de janeiro, o ministro sustentou em seu voto a necessidade de “...ter a perspectiva de todo esse contexto onde estamos inseridos. Nós estamos aqui para contar uma história que é uma história da sobrevivência da democracia. (...) E isso tem a ver com todo o contexto que permitiu essa resiliência, o papel do Supremo Tribunal Federal, o papel da Justiça Eleitoral”. Na sequência, Sua Excelência passou a pinçar, desordenadamente, retalhos para compor o referido contexto. Incluiu eventos tão avulsos no tempo quanto a tentativa de explosão de um caminhão de gasolina nas proximidades do aeroporto de Brasília; a invasão da PF de Brasília para soltar o cacique Serere Xavante no dia da diplomação de Lula; o discurso de Bolsonaro em 7 de setembro de 2021, o vídeo da reunião ministerial de 22 de abril de 2020 (aquela que ficou conhecida pelos palavrões e pela animosidade aos membros do STF).
 
Desse atelier de costura judicial resultou uma colcha de retalhos que, mais recentemente, atende pelo nome fantasia de “trama golpista”. Diga a etiqueta o que disser, parece estarmos longe de um produto que, levado às vitrines, vá encontrar comprador. Entre o primeiro acontecimento listado como golpista pelo ministro Gilmar Mendes e o 8 de janeiro de 2023, transcorreram 991 dias! Para lhe dar validade, seria necessário aceitar que o governo instalado em 1º de janeiro de 2019, com a ideia fixa de dar um golpe de Estado, permitisse que anos, meses e dias se escoassem com meia dúzia de ações desconexas e incapazes de produzir o fim a que se destinavam.
 
“É disto que se trata!”, tornou-se uma das expressões mais frequentes no vocabulário político brasileiro. Seu uso se explica pelo fato de haver, na versão mais desidratada de nossa história recente, pelo menos duas narrativas a serem contadas. E ambas começam com o habitual: “É disto que se trata!”, seja nas palavras de um ministro de acusação seja de um advogado de defesa.
 
Se quem fala é um ministro de acusação (é o que a Casa infelizmente oferece), o STF se apresenta como credor de merecimentos na suposta garantia da ordem constitucional e democrática, tarefa que teria sido conduzida com a neutralidade e isenção que se recomenda ao ofício. Se quem fala é advogado de defesa, cuida de negar os fatos e contestar tais méritos.
 
Por fim, se quem fala é cidadão de direita – um dos chamados manés –, lembrará de outro poder, também excessivo e bem mais eficaz estrelando no palco da  política. Lembrará de Lula, o condenado que, de súbito, “nada devia à Justiça” nas palavras de William Bonner. Lembrará da censura e da censura prévia, dos inquéritos sem fim, das pesadas multas, das palavras e pautas proibidas em plena campanha eleitoral. Lembrará de frases que valem por um BO. Como esquecer a pesada interferência sobre as redes sociais, as ameaças, as invasões de competências, o ativismo judicial, o direito penal do inimigo e a política feita sem voto popular, sempre unilateral?
 
Qualquer criança dirá que está tudo errado e que é disto que se trata.


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