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PELO CAOS À HEGEMONIA: UMA ESTRATÉGIA DE PODER - 22.08.25


Por Dagoberto Lima Godoy

 

Há bastante tempo cogito que a crise brasileira não se deve apenas à incompetência do governo Lula na condução da economia. A sucessão de erros, abusos e decisões controversas parece seguir uma lógica mais profunda. Lembro-me do que fizeram os bolcheviques em 1917: sem maioria popular ou força institucional aparente, assumiram o poder explorando o caos econômico, político e social, valendo-se de disciplina partidária férrea e de cálculo tático implacável. Não será exagero perguntar se o petismo — em aliança com setores da esquerda e grupos oportunistas — não estaria, à sua maneira, tentando algo semelhante.

A analogia pode soar ousada, mas os elementos que a sustentam estão à vista. O Brasil atravessa retrocesso econômico e instabilidade institucional e, longe de se empenhar em corrigir rumos, o governo parece tirar proveito da confusão. Paralelamente, o Supremo Tribunal Federal, outrora guardião da Constituição, converteu-se em protagonista de um ativismo sem freios, restringindo liberdades e perseguindoopositores. O discurso oficial insiste na defesa da democracia, mas o que se observa é um cerco crescente à liberdade de expressão e a criminalização da dissidência política.

A situação brasileira não replica a Rússia de 1917. O roteiro é mais próximo do chavismo na Venezuela: tribunais cooptados, opositores judicializados, economia conduzida ao colapso até que a sociedade aceite uma solução autoritária como mal menor.

O agravante está na dimensão internacional. As sanções já impostas pelos Estados Unidos — sob a justificativa de violações à liberdade de expressão e perseguições políticas —, somadas ao desgaste da imagem brasileira perante a comunidade internacional, não apenas marginalizam o país diplomaticamente, mas também impõem custos concretos à economia. E, ainda assim, o governo instrumentaliza esse desgaste, apresentando-o como ataque à soberania nacional e insistindo — sobretudo nas falas do presidente — em realimentar a desavença, como quem “cutuca onça com vara curta”.

A essa atitude belicosa soma-se o descaso de ministros do STF diante das desastrosas consequências do eventual descumprimento da Lei Magnitsky, reforçando a impressão de que há, de fato, um propósito estratégico de construção do caos. 

O risco é claro: a ordem democrática brasileira pode ser corroída por dentro, num processo intencional de destruição econômica e erosão institucional.

A pergunta que se impõe é se a sociedade brasileira terá lucidez e força para resistir antes que seja tarde — ou se repetirá, em nova roupagem, a velha história de um país conduzido ao autoritarismo em nome da própria democracia.

 


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A FILOSOFIA BONDOSA DO FRACASSO - 21.08.25


Por Alex Pipkin - PHD

 

Sou um opinador compulsivo, uma espécie de viciado em ideias. Incapaz de guardar silêncio. Talvez fosse mais prudente calar. Mas confesso: seria um tédio. Escrevo porque vejo como missão desmascarar o grande truque do nosso tempo, a mais elegante das farsas políticas: o coletivismo. Essa filosofia tem a resistência das ervas daninhas. Mesmo cortada, renasce, com novos slogans e velhas promessas.

E como seduz! O coletivismo se apresenta com os trajes mais nobres: solidariedade, pertencimento, boa consciência. Nada soa mais sublime do que “fazer o bem ao próximo”. Melhor ainda quando essa generosidade não custa um centavo a quem a oferece — pois a conta é paga por terceiros, aqueles que produzem, trabalham, inovam. É a caridade terceirizada ao Estado: confortável, moralmente conveniente e, sobretudo, coercitiva. Ser coletivista, afinal, é uma beleza. É nobre, elegante — e fácil. A generosidade, quando paga com o dinheiro dos outros, é o luxo moral mais barato do mercado.

Para os coletivistas, engajar-se em programas sociais impostos pelo governo equivale a cumprir um dever moral e satisfazer a ânsia de pertencimento. O ser humano deseja participar de algo maior que si mesmo, e o Estado oferece essa ilusão sob a forma de políticas públicas “solidárias”. O poder de atração do coletivismo também está em oferecer supostas soluções para grandes ansiedades difusas: o medo da grandeza corporativa, da competição estrangeira, da desigualdade. Nada mais confortável do que acreditar em slogans generosos.

Na prática, o coletivismo opera um truque vulgar: transfere recursos de quem cria para quem nada produz. Quem trabalha sustenta quem não trabalha; quem inova banca quem nada inventa. Não é justiça — é confisco. Paradoxalmente, é esse sistema que, sob a máscara da compaixão, perpetua a miséria. O mundo, no entanto, não será salvo pelos caridosos, mas pelos eficientes — aqueles que, com disciplina e esforço, fazem a economia girar e a sociedade avançar.

As medidas que realmente trazem prosperidade são quase sempre impopulares. A disciplina fiscal, por exemplo, não rende aplausos de palanque nem manchetes apaixonadas. Mas é ela que evita o estouro da dívida, o aumento de preços, a inflação que corrói salários e, ironicamente, castiga os mais pobres, justamente os que o coletivismo jura proteger.

Basta olhar para Gaza e Israel. Jovens, embriagados por slogans de “justiça” e “resistência”, tomam partido sem conhecer história ou geopolítica. Israel, alvo de terroristas que declaram querer eliminá-lo do mapa, é acusado de agressor. O verniz humanitário esconde um antissemitismo reciclado, travestido de compaixão. Mais uma vez, a bondade de vitrine se torna cumplicidade com o mal.

É preciso resistir. Não podemos permitir que palavras como justiça, caridade, solidariedade sejam sequestradas e distorcidas para servir a projetos de poder. A linguagem é o campo de batalha.

O coletivismo, afinal, é isso: a filosofia bondosa do fracasso. Sempre promissora, sempre encantadora — e sempre derrotada. Como toda bondade que se impõe com o bolso alheio.

 

 


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CÚMPLICES VOLUNTÁRIOS DA MENTIRA - 18.08.25


Por, Alex Pipkin, PhD

 

O grande perigo do nosso tempo não é apenas a maldade, mas a estupidez. Não aquela ingênua, fruto da ignorância absoluta, mas a que nasce da abdicação consciente do pensamento crítico, sufocada pela pressão social e pelo desejo de pertencimento. Adam Smith, ao falar do “espectador imparcial”, lembrava-nos do árbitro moral interno, capaz de julgar nossas ações com justiça e sustentar a virtude mesmo quando ninguém observa. Hoje, esse árbitro parece silencioso. A moralidade tornou-se rara, e a verdade, muitas vezes, secundária à conveniência.

Pessoas inteligentes se tornam cúmplices voluntários da mentira. A dissonância cognitiva explica esse fenômeno. Ponto. Tudo aquilo que reforça nossas crenças é aceito com conforto, enquanto qualquer evidência contrária é ignorada ou descartada. Não importa a ideologia — extrema-esquerda ou extrema-direita —, o que prevalece é o prazer de se sentir parte do grupo, de validar emoções ao invés de confrontar fatos.

Freud, em sua Psicologia das Massas, advertia que, em multidões, indivíduos perdem parte da autonomia crítica. O raciocínio pessoal se dissolve no impulso coletivo, e a massa assume poder sobre o juízo individual. É assim que slogans, hashtags e líderes carismáticos substituem a reflexão analítica. Interessante notar que Kahneman complementa Freud nesse ponto: ao distinguir o Sistema 1 e o Sistema 2, ele mostra que nossa mente tende a operar de forma automática, emocional e intuitiva, cedendo à pressão social. Apenas o Sistema 2, deliberativo e reflexivo, permite que o indivíduo resista, analise fatos e evidências, e preserve a lucidez diante do engodo coletivo.

A solução começa em casa. A família deve ensinar os filhos a pensar por si, a questionar e a exercitar o pensamento crítico desde cedo. É preciso mostrar que seguir a manada é fácil e agradável, mas sustentar a verdade exige coragem. O exercício contínuo do Sistema 2 é a única forma de preservar a autonomia intelectual e moral.

A estupidez coletiva prospera porque muitos cedem ao conforto imediato. Mas cada indivíduo que ousa pensar, questionar e defender a verdade cumpre o papel do que Smith denominou como espectador imparcial. Se o espectador imparcial fosse reativado, o indivíduo resistiria à pressão da massa, defenderia a razão e manteria viva a chama da liberdade intelectual. É esse compromisso ético e cognitivo que distingue os cúmplices voluntários da mentira daqueles capazes de sustentar a dignidade da mente humana.

Num tempo em que a mentira se torna conveniência e a emoção domina a razão, pensar é ato de coragem. Persistir na busca da verdade, mesmo quando é mais difícil que ceder ao prazer do pertencimento, é o que separa aqueles que aceitam passivamente a estupidez coletiva daqueles que, com coragem e reflexão, permanecem guardiões da verdade e da autonomia intelectual. A lucidez é o último refúgio da liberdade.


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LUZES DE CAMARIM - 15.08.25


Por Alex Pipkin, PhD

 

Ontem, sob o céu invernal de Brasília, o pôr do sol parecia anunciar mais do que o fim de um dia. Dentro do STF, dois ministros, Luiz Roberto Barroso e Luiz Fux, protagonizaram um embate que revelou não apenas divergências jurídicas, mas um choque de projetos e temperamentos. Para quem ainda insiste em pintar Barroso com o verniz romântico do “iluminista” — aspas inevitáveis — a cena de ontem foi um lembrete incômodo. A luz, quando é de camarim, serve mais para maquiar que para iluminar.

Houve um tempo em que Barroso parecia ser o arauto de uma Suprema Corte independente, afinada com a Constituição. Fala mansa, gestos calculados, citações eruditas. O pacote perfeito para encantar plateias acadêmicas e setores da imprensa que viam nele um sopro de modernidade. Mas o palco girou, e o personagem que antes se apresentava como defensor das regras passou a reescrevê-las ao sabor das circunstâncias.

O episódio com Fux é exemplar. O motivo imediato — a disputa em torno da pauta e da forma como o presidente do STF conduz as sessões — é quase um detalhe. O que está em jogo é mais profundo. Trata-se do modo como Barroso entende o papel do tribunal e, por extensão, o seu próprio papel na história. Ontem, Fux reagiu. E sua reação foi menos sobre procedimento e mais sobre princípio. Ele lembrou, de forma cortante, que há uma Constituição para ser cumprida, e que as luzes da ribalta não autorizam ninguém a reescrevê-la.

O desconforto de Barroso diante dessa lembrança foi visível. Sua oratória, habitualmente segura, revelou fissuras. É que, por trás da retórica “iluminista”, há um projeto personalista que, quando contestado, mostra a face menos fotogênica do ministro. Ontem, no calor da troca, caiu mais um pouco da maquiagem.

Não é de hoje que o STF se vê dividido entre ministros que entendem a Corte como guardiã das regras e aqueles que a tratam como laboratório de experiências jurídicas improvisadas e desastrosas. O embate Barroso-Fux expôs, sem filtros, essa fratura. E fez soar um alerta: quando a vaidade entra pela porta principal, o direito costuma sair pela porta dos fundos.

O episódio de ontem não será o último. Mas talvez seja lembrado como um daqueles momentos em que a liturgia do cargo foi atropelada pela ânsia de protagonismo. No fundo, não se tratou apenas de uma divergência entre ministros; foi um confronto entre duas visões de país. A pergunta que sobra, incômoda, é se estamos nós, os indivíduos, dispostos a trocar a Constituição por conveniências ideológicas e particulares. Claro, e os ministros da toga preta, a verdade pelo aplauso.


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DEMOCRACIA QUE NÃO É DEMOCRACIA - 13.08.25


Por Alex Pipkin - phd

 

Democracia é palavra nobre, mas no Brasil virou rótulo de mercadoria falsificada.
O que se oferece como “governo do povo” é, na realidade, uma cleptocracia ostentatória, que desfila de toga, gravata ou com tênis e relógios importados de luxo. Claro, sustentada por um pequeno grupo que se julga dono da verdade. Alguns idiotas úteis, movidos por ingenuidade ou conveniência, ajudam a alimentar o mito do “pai dos pobres” de barro.
O lulopetismo e seus aliados no STF não escondem seu apetite pelo controle absoluto. Querem moldar o discurso, policiar o comportamento, vigiar a vida das pessoas. Não por acaso, sob o pretexto de combater o “discurso de ódio”, avançam para dominar as redes sociais — o último espaço onde o cidadão comum ainda fala sem pedir licença. Por isso, esse STF brasileiro, sob a ditadura da toga, investe na censura, usando a política do medo para sufocar o pensamento crítico daqueles que ousam se opor a essa engrenagem.
Esses tecnocratas togados e “especialistas” progressistas tratam a tradição como entulho a ser varrido. Rejeitam a sabedoria acumulada por gerações e acreditam que tudo pode ser reinventado segundo suas doutrinas modernizantes. Mas, por trás da vitrine da “inovação”, o único objetivo é consolidar o poder, perpetuando o projeto que lhes garante o comando sobre a vida alheia.
Durante anos, essa máquina funcionou sem arranhões. Até que, pela primeira vez, uma parcela da elite do poder sentiu o sopro gelado da possibilidade de perder o controle. Foi o suficiente para unir, em silêncio ou às claras, os que jamais admitirão que a nação seja governada sem sua tutela.
A verdadeira democracia, aquela que vive do consentimento e da liberdade dos cidadãos, começa no indivíduo comum. No comerciante que define o preço do seu produto, no pai que educa o filho segundo seus valores, na jovem que fala o que pensa sem medo de algoritmos ou despachos judiciais. Ela floresce onde não há temor de dizer “não” ao poder.
Sob minha ótica, liberdade é muito mais importante do que a democracia! Especialmente a “Tupiniquim”, com suas cores vermelha, verde e amarela, que tanto confundem e dividem o país.
O Brasil só sairá deste cativeiro político quando essa consciência for despertada. Quando entendermos que a liberdade não é concessão estatal, mas patrimônio inalienável do cidadão. Não se trata apenas de escolher entre esquerda - festiva - ou direita, mas entre viver como gente livre ou como súdito obediente.
No fim, toda tirania começa com um gesto pequeno: calar uma voz incômoda, punir um pensamento divergente, convencer o povo de que democracia é apenas um ritual de urnas. Toda libertação começa com outro gesto, ou seja, a recusa em aceitar que a liberdade tenha dono.
Enquanto não dermos esse passo, continuaremos prisioneiros de uma ilusão.
E, como toda ilusão, ela não cai com votos; cai com coragem.


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SALVARAM O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO? MESMO? QUANDO? - 11.08.25


 

Por Percival Puggina
 
Ministros do Supremo Tribunal Federal não perdem oportunidade para repetir, à exaustão e com ampla confirmação pelos veículos do Consórcio Goebbels, que aquele punhado de bravos, sob as negras vestes talares, salvou corajosamente a democracia e o Estado de direito em nosso país. (Seguem-se aplausos e parabéns recíprocos).
 
Lembro-me dos dias que sucederam ao pleito presidencial de 2022. Havia prolongada e cumulativa inconformidade social com o encerramento da operação Lava Jato, com o cancelamento da biografia de Lula durante a campanha eleitoral, com os temas e palavras proibidos à oposição, com o protagonismo político do STF, com a asfixia das redes sociais, com o abortamento das urnas providas de impressoras e com o ativismo inaudito do TSE durante a campanha presidencial. Terá vindo daqueles meses todos a tal salvação? Não creio, não creio que a democracia e o Estado de Direito fossem salvos daquele jeito; censuras, interdições, multas e bloqueios, são instrumentos que se opõem a esses dois valores. Lula, porém, disputou a eleição como se não tivesse passado, maus amigos e péssimos parceiros internacionais.
 
Por falar nisso, a bomba tarifária que acaba de explodir sobre a desavisada nação vem dessa procedência. A reação de Lula, com jabuticabas, carteio de truco e discursos sobre seu desejo de levar o Brasil aos inimigos do Ocidente e às misérias do socialismo escancaram o que não pode ser dito em 2022! Eram coisas sabidas, há muito tempo, para quem tivesse um pingo de juízo. A democracia sem voz deu nisso. Nosso assunto, porém, são as perguntas do título.
 
Teria sido no dia do suposto golpe, que o STF salvou a democracia e o Estado de direito? Ou seja, no 8 de janeiro de 2023? Mas, como assim, se o STF, o Congresso, o Palácio do Planalto e os portões de todos os quartéis estavam fechados? Quem dispersou a arruaça, por ordem do ministro da Justiça de Lula, foram policiais da Força Nacional de Segurança e da Polícia Militar do DF.
 
Teria, o extraordinário feito judicial, ocorrido no dia 9 de janeiro, quando, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, foram presos os 1,5 mil acampados que tomavam café da manhã diante do QG do Exército? Sabe-se hoje, com constrangedoras minúcias reveladas pela Lava Toga II, que não guarda relação com a democracia nem com o bom Direito o calvário de desgraças a que foram submetidas aquelas pessoas humildes, totalmente impotentes perante o Estado.
 
Na última quinta-feira, na Rede X, a jornalista Basilia Rodrigues divulgou que, segundo ministros do Supremo, “se impeachment de integrante da corte avançar”, eles “podem dar andamento a julgamentos/investigações que estão pendentes contra deputados e senadores na justiça”. Até agora não foi desmentida! E não creio que o seja porque essa lamentável estratégia, tão viciosa, se tornou notória e até o Consórcio Goebbels, de tantos e tão jeitosos paninhos, trata do tema com naturalidade de dar engulhos. Ninguém explica como esse tipo de prática se encaixa num Estado minimamente direito.
 
Então, até hoje, não entendi como nem quando o STF nos livrou do que diz nos haver resguardado. O que vejo é tão oposto a isso! Vejo um poder que se meteu no jogo político sem modos nem jeito, usando a força bruta do Estado para alcançar bem-aventuranças que não correspondem aos meios utilizados nem aos resultados alcançados.


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